sábado, 31 de março de 2018

Angola | UM LAPSO DE PÁGINA INTEMPORAL

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Canción última
Pintada, no vacía:
pintada está mi casa
del color de las grandes
pasiones y desgracias.

Regresará del llanto
adonde fue llevada
con su desierta mesa
con su ruinosa cama.

Florecerán los besos
sobre las almohadas.
Y en torno de los cuerpos
elevará la sábana
su intensa enredadera
nocturna, perfumada.

El odio se amortigua
detrás de la ventana.

Será la garra suave.
Dejadme la esperanza.

Miguel Hernandez, poeta e combatente progressista na Guerra de Espanha, ingloriamente falecido a 28 de Março de 1942, há 76 anos e sempre actual.

Martinho Júnior | Luanda 

…Houve um processo de luta contra o colonialismo e o "apartheid" que só terminou no início da década de 90 do século passado e nesse sentido, desvirtuar os instrumentos do poder de estado em Angola, que estavam implicados arduamente nessa luta, a quem veio beneficiar?...

É evidente que nesse sentido a destruição da Segurança de Estado, foi a plataforma para o surgimento e o crescimento da"somalização" protagonizada por Savimbi entre 1992 e 2002!...

É que os oficiais condenados no processo 76/86, por um fantasmagórico "golpe de estado sem efusão de sangue" e sem que alguma vez fosse apontado um chefe para tão infausto acontecimento, foram os que mais combateram em Angola o tráfico de diamantes e, com o seu nocivo afastamento, quem lucrou, quem tem vindo a lucrar e como têm lucrado?...

Os diamantes acabaram por ser um “cavalo de Tróia” que contaminou os que se prendiam, entre 1992 e 2002, à barricada do petróleo, até chegarem à conclusão em 2017 de que, só com a diversificação se poderia levar por diante a construção em paz da pátria de Agostinho Neto!

Por conseguinte descrevo com toda a responsabilidade a saga dos impactos do capitalismo neoliberal em Angola, tanto no que diz respeito ao choque, como em relação ao quadro de terapias!...

Obrigação ética, moral e histórica dum "camelo" que "só" perfaz 32 anos de travessia de deserto e vai beber à história todo o caudal disponível para entender as plataformas do presente, as plataformas contemporâneas, de forma a melhor propor uma geoestratégia de desenvolvimento sustentável a fim de assumir e garantir o futuro!...

É necessário sermos responsáveis perante a história e assumir com dignidade a liberdade que almejamos para todos nós no âmbito duma lógica com sentido de vida que alimente a paz, a independência, a soberania, o aprofundamento da democracia e a luta longa contra o subdesenvolvimento em benefício dos povos de todo o mundo!...

Martinho Júnior - Luanda, 30 de Março de 2018.

Foto: quedas de Tázua, no rio Cuango, um dos mais ricos fluxos produtivos de diamantes aluviais de Angola; entre 1992 e 2002 fez parte do “eixo” da “somalização” e hoje é uma das bacias mais críticas no contexto angolano e regional.
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