domingo, 6 de maio de 2018

EMPATE A ZERO NO DERBI DE LISBOA FAZ DO FC PORTO CAMPEÃO ANTES DA HORA

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FOI PERDOADO UM PENALTI AO BENFICA EM ALVALADE. O VAR NÃO VIU?

O facto de se ser benfiquista ou de outro qualquer clube desportivo não invalida que vejamos o futebol tal qual ele acontece e houve um penalti por marcar ao Benfica a razar os primeiros 20 minutos do encontro. Foi estranho o chamado VAR (vídeo arbitro) não ter visto. Deduz-se que foi para não matar logo ali a águia que vendeu (dispensou) jogadores cruciais desfalcando a equipa. Rui Vitória nunca o disse mas assim dificilmente seria pentacampeão. Todos o encarnados fizeram os possíveis e os impossíveis para levar o Benfica ao penta… Assim era muito difícil. Depois ainda mais com as lesões ocorridas e Jonas fez a falta crucial para o “não-penta”. Mesmo assim foi feito um bom trabalho, mas o FC Porto foi mais homogéneo, mais constante, mais estável. Mereceu ser campeão.

Quanto ao VAR, voltamos ao mesmo, agravadamente. Como foi possível ele não ver o tal penalti contra o Benfica? É que nos monitores não existem desculpas. Critérios errados por parte do VAR retiram a credibilidade àquela nova modalidade de visionamento e reposição da verdade desportiva. Afinal será mais um árbitro em que não podemos confiar. Porque acontece assim é objecto de justificáveis desconfianças e o VAR não está ali a fazer falta alguma. É só mais um… a falhar.

Segue-se a análise do jogo via Notícias ao Minuto e depois um trabalho apresentado no Expresso em que sobressai Sérgio Conceição. Merecidamente ele. Sigam para o campeão do norte de Portugal, que ainda agora está em festa, mais logo continuará a festa e amanhã será tempo das grandes ressacas de entusiasmo, de alegria, de excessos de felicidade e de… álcool comemorativo. Parabéns e juízo, felizes tripeiros (PG).

Um por um: Dérbi sem golos e sem... 'brilhantismo'

Sporting e Benfica terminaram o dérbi de Lisboa sem golos (0-0), em jogo referente à 33.ª jornada da I Liga.

Odérbi entre Sporting e Benfica terminou com um empate (0-0), entregando o título de campeão nacional ao FC Porto. Apesar da intensidade, faltou eficácia às duas equipas, que não conseguiram concretizar as oportunidades registadas.

Na primeira parte, o Benfica esteve por cima no encontro, com excelentes ocasiões para marcar, mas valeu Rui Patrício a evitar o 'pior'. Já o Sporting, mostrava dificuldades em reagir à superioridade dos encarnados, principalmente, em conseguir ‘furar’ o muro montado com Fejsa, Samaris e Pizzi, no meio-campo.

No segundo tempo, os leões entraram mais organizados e a conseguir adaptar-se à estratégia de Rui Vitória. Com um jogo mais aberto e equilibrado, voltou a falhar a eficácia nas oportunidades criadas pelas duas equipas para desatar o nó do empate, que acabou por se manter até ao apito final.

Confira, à lupa, a exibição dos protagonistas: 

Sporting

Rui Patrício: Neste dérbi, foi ‘São Patrício’. Perante as oportunidades criadas pelo Benfica, o guarda-redes leonino fez várias defesas ‘gigantes’, impedindo que o adversário marcasse.

Piccini: Discreto e assertivo. Cumpriu o seu papel, mas podia ter ajudado mais no capítulo ofensivo.

Coates: O patrão da defesa leonina esteve à sua semelhança, com uma boa organização defensiva.

Mathieu: Tal como Coates, o central francês esteve bem no seu papel, não comprometendo a defesa dos leões, sempre que chamado à ação.

Coentrão: Apesar de ter protagonizado dois remates para o Sporting – um deles com perigo -, deixou um pouco a ‘desejar’ no capítulo defensivo, dando espaço, do lado esquerdo, para o Benfica explorar aquela ala.

William Carvalho: Regressado de lesão, o médio leonino não convenceu. Foi claramente um sinal menos.

Battaglia: Tem sido um hábito as boas exibições de Battaglia. O argentino deu muita luta no meio-campo, seguro de si mesmo.

Bryan: Surgiu no lugar de Acuña, mas sem grande destaque. O costa-riquenho esteve um pouco ‘fora do jogo’.

Gelson Martins: Voltou a ser o ‘espalha brasas’ do costume. Agitou e tentou dar mais dinâmica ao jogo.

Bruno Fernandes: Não foi a noite de maior inspiração de Bruno Fernandes. É verdade que o português não sabe ‘jogar mal’, porém, não conseguiu impor o seu jogo.

Bas Dost: Protagonizou a melhor oportunidade para o Sporting, em cima do intervalo, mas não conseguiu concretizar da melhor forma.

Acuña: O argentino entrou para a saída de William Carvalho (63’) e trouxe mais equilíbrio e dinâmica à equipa, mexendo no jogo.

Misic: Entrou bem (83’), porém, não esteve em campo tempo suficiente para fazer a diferença.

Lumor: Entrou aos 90 minutos, não tendo tempo para acrescentar nada ao jogo. 

Benfica

Bruno Varela: Com menos trabalho do que Rui Patrício, Bruno Varela também esteve bem na partida. Concentrado em impedir as investidas leoninas.

Grimaldo: Cumpriu bem a tarefa defensiva, sem comprometer a equipa.

Rúben Dias: Esteve bem na partida mas continua com algum excesso de ‘agressividade’ na abordagem a alguns lances. Podia ter visto o cartão vermelho.

Jardel: Regressou à titularidade numa noite tranquila. Falhou, apenas, no lance de Bas Dost, em cima do intervalo.

Douglas: Surgiu no lugar do lesionado André Almeida, ofensivamente registou uma exibição bastante positiva, mas falhou no capítulo defensivo.

Fejsa: Sinal mais do Benfica. O jogador concentrou-se, sobretudo, em impedir que o Sporting saísse a jogar.

Samaris: O grego apareceu, a espaços, na tarefa ofensiva das águias. Manteve uma exibição constante.

Pizzi: Continua sem ‘convencer’, esta temporada, sem conseguir acrescentar nada de especial ao jogo.

Zivkovic: Tentou fazer a diferença no jogo, principalmente, em velocidade. Tentou criar oportunidades para oferecer o golo ao Benfica.

Rafa: Registou uma exibição positiva, com uma forte dinâmica e intensidade. Tal como Fejsa, foi um dos destaques do Benfica.

Jiménez: Esteve ‘apagado’, não conseguiu ‘explodir’ como necessário.

Salvio: Contrariamente aos últimos jogos, o jogador ‘saltou do banco’ mas não conseguiu melhorar o capítulo da eficácia.

Jonas: Regressou de lesão, mas não teve tempo para fazer a diferença.

Cervi: Entrou muito perto do apito final, sem tempo para impor o seu jogo.

Andreia Brites Dias | Notícias ao Minuto | Foto: Global Imagens


FC PORTO JÁ É CAMPEÃO 2017/18

O homem que derrotou o mundo

Agora que é campeão e que pode discutir a continuidade nos seus próprios termos, é tempo de recuperar e refletir sobre o que se disse e se escreveu a propósito deste treinador

Fomos todos particularmente preconceituosos nos adjetivos que pusemos a Sérgio Conceição quando se tornou evidente de que seria ele, e não Marco Silva, o sucessor de Nuno Espírito Santo no Porto.

Não foi por mal.

Na realidade, foi sempre assim.

Na bola costumamos irremediavelmente praticar aquilo que na lógica se chama generalização precipitada, ou seja, concluir rapidamente que fulano é assim e assado, porque fez precisamente isto e aquilo e mais um par de botas.

No caso de Sérgio, ainda assim, havia algumas atenuantes para as análises estouvadas que se escreveram, incluindo as minhas - o homem tem, de facto, o sangue quente e há vários episódios efervescentes que o provam. Como qualquer corporativista devidamente doutrinado, irei generalizar uma vez mais sobre o que se disse a partir daquela quinta-feira, 8 de junho de 2017, dia da oficialização.

A saber:

Sérgio era difícil de aturar e chateara-se com os presidentes da Olhanense, da Académica, do Guimarães e do Brago, e isso era muito.

Sérgio tinha jogado pelas melhores equipas e nos melhores estádios e havia inclusivamente um estádio com o nome dele em Coimbra, o que não era para todos - ah, e marcara três golos à Alemanha no Euro2000, o que é para ainda menos.

Depois, Sérgio era portista; bom, Sérgio fez-se portista, porque nasceu numa família pobre e numa vizinhança e numa aldeia profundamente sportinguistas, mas isso passou-lhe quando assinou pelo FC Porto pela primeira vez, em 1996. No dia seguinte a tornar-se oficiosamente portista, o pai morreu num acidente de moto, na moto em que costumava levá-lo aos treinos quando era puto - pouco depois, faleceu a mãe e a orfandade enrobusteceu-lhe o caráter e a rebeldia. Nesse momento, falou-se então, Sérgio ganhou o direito a dizer que tudo o que conquistou, foi à conta dele. O que era verdade.

Mas também era verdade que Sérgio, por ter mau feitio, mau perder, garra, por se chatear por dá cá aquela palha e por ser rebelde, não aguentava muito tempo no mesmo sítio.

Ora, o Porto, sem dinheiro e sem títulos há não sei quantos anos, estava mesmo a pedi-las quando foi contratar um tipo destes, só carisma e pouco mais, ainda por cima sabendo ele que não era a primeira opção do seu presidente favorito.

Só que no meio deste chorrilho de certezas irresistíveis, esquecemo-nos de alguns pormenores, a começar por este: Sérgio Paulo Marceneiro Conceição. Três nomes bíblicos e uma profissão amigada à do pai de Cristo não são um acaso, mas um sinal.

Pois então, Sérgio, como um carpinteiro de habilidades sobrenaturais, pegou em meros toros de madeira que já ninguém queria, ou que queriam à força, e transformou-os em obras de arte tosca, sim, mas irresistivelmente eficaz. E, então, apareceram Marega a marcar golos em série como se fosse um ponta de lança prodigioso - que não é -, Danilo a subir no terreno feito médio de condução - que também não é - e Brahimi a defender as costas de Telles em jeito de sacrifício - que não fazia, antes de Sérgio aparecer na vida dele.

Chegámos todos à conclusão de que Sérgio Conceição era um mestre motivacional, ainda que por estas bandas já cá houvesse um de semelhantes características. E quando ele errou, também todos lhe anunciámos prematuramente o fim. Aconteceu quando o Porto perdeu contra o Besiktas ou contra o Paços de Ferreira ou contra o Liverpool, e, sobretudo, quando o caso-Casillas se tornou tema de conversa, servindo de paradigma para o treinador dito conflituoso e über rigoroso.

Na altura, Conceição não quis abrir exceções e arriscou o pescoço, pois o espanhol era (e é) factualmente o jogador com maior currículo que alguma vez pisara um pedacinho de relva em Portugal; mais importante do que isso, Casillas era bem melhor do que José Sá.

Mas Sérgio lá provou que estávamos todos errados, demonstrando-nos que era muito mais do que um xamã da estirpe macho lusitano. Vimos isso na forma como mexeu na equipa nos jogos contra os grandes para a Liga e na forma como mexeu com todas as conferências de imprensa em que participou.

Agora que se sagrou campeão, discute-se a sua continuidade no Porto. Não porque alguém o ponha em causa, mas porque ele é um rebelde de causas. Tendo ganho esta, poderá escolher outra, nos seus próprios termos. Também conquistou esse direito.

PEDRO CANDEIAS | Expresso

Tática e estratégia: o modelo de Sérgio Conceição que deu o campeonato ao FC Porto

A atacar, a defender e a transitar - o analista de futebol Tiago Teixeira explica como é que o FC Porto de Sérgio Conceição jogou e conquistou a Liga 2017/18

Desde o primeiro jogo oficial desta época (vitória por 4-0 contra o Estoril, no estádio do Dragão) que Sérgio Conceição demonstrou qual o modelo de jogo que queria implementar no seu FC Porto, e de que maneira esse modelo podia potenciar as características individuais dos jogadores que dispunha.

Vamos por partes.

MOMENTO DEFENSIVO

Organizado em 4-4-2, foi durante toda a época um FC Porto bastante competente no momento defensivo, tanto a nível individual (muitos duelos ganhos) como a nível coletivo, não permitindo aos seus adversários criar muitas oportunidades de golo durante os 90 minutos.

Em bloco baixo ou médio, a equipa de Sérgio Conceição apresentou-se com as linhas bastante juntas, coordenadas e posicionadas para orientar a construção do adversário para os corredores laterais.

A 1ª linha de pressão é composta pelos dois avançados, sempre posicionados em diagonal para não deixar o médio defensivo adversário receber a bola nas suas costas. A linha média tem os dois médios centro também na diagonal para diminuir o espaço entre linhas e proteger o espaço à frente dos dois centrais, e os dois extremos sempre articulados com os médios, preocupados em fechar o corredor central quando a bola se encontrava no lado oposto.

Em bloco alto, isto é, quando quis condicionar a primeira fase de construção do adversário, foi sempre um FC Porto muito agressivo e muito competente na maneira como pressionou.

Numa primeira linha pressão, os dois avançados sempre a pressionarem os dois centrais adversários e um dos médios a acompanhar o médio adversário que recuava para receber a bola perto dos centrais, para que este não recebesse a bola com espaço.

Mais atrás, uma linha de três (o médio defensivo e os dois extremos) posicionada no corredor central, sendo que os dois extremos se encontravam sempre preparados para pressionar os laterais adversários caso a bola chegasse a eles.

MOMENTO OFENSIVO

Não se pode dizer que tenha sido um FC Porto muito criativo no seu processo ofensivo durante a presente época, mas é inegável que na maior parte dos jogos os portistas foram extremamente fortes naquilo que o seu treinador definiu para o momento ofensivo.

Uma capacidade tremenda para conquistar o espaço nas costas da linha defensiva adversária através dos movimentos de rutura da dupla de avançados e a muita presença e agressividade em zonas de finalização para corresponder aos cruzamentos foram, juntamente com as bolas paradas, as grandes armas do FC Porto a nível ofensivo.

A ideia de Sérgio Conceição passou sempre por ter os laterais muito projetados de modo a darem largura e profundidade ao ataque do Porto e com isso permitir que os extremos se posicionassem no corredor central para receber a bola entre linhas e servir os movimentos de rutura dos avançados, como aconteceu neste lance que serve de exemplo.

Alex Telles a dar largura no corredor lateral esquerdo e Brahimi posicionado no espaço entre os defesas e os médios adversários. Assim que Brahimi recebeu a bola e se virou para a baliza adversária apareceu logo o movimento de rutura de Marega, que recebeu a bola já nas costas da linha defensiva adversária.

Mesmo nas situações em que Brahimi recebia a bola ainda com os médios adversários pela frente, a procura dos movimentos de rutura dos avançados é uma constante. No lance que serve de exemplo, apesar de Brahimi ainda ter à sua frente a linha média e a linha defensiva adversária, procurou logo servir Marega nas costas dos defesas do Marítimo.

Também em transição foi um Porto demolidor sempre que houve espaço nas costas da linha defensiva adversária. Brahimi foi sempre a principal referência para conduzir as transições (qualidade em condução e perceção do momento para soltar a bola).

Recebia a bola e conduzia para depois servir os movimentos de rutura dos avançados nas costas da linha defensiva do adversário.

Com o adversário num bloco mais baixo, o FC Porto foi sempre uma equipa muito perigosa através dos cruzamentos. O posicionamento mais interior dos extremos (principalmente Brahimi) permitiu várias vezes que os laterais (principalmente Alex Telles) recebessem a bola com espaço e tempo suficiente para cruzar. Além da qualidade de execução de quem cruzava, a ideia de Sérgio Conceição passou sempre por ter vários jogadores agressivos e fortes nos duelos aéreos (Soares, Marega, Abubakar) em zonas de finalização, o que acabou por se revelar determinante para a marcação de vários golos através de cruzamentos.

A dimensão física esteve muito presente no futebol praticado pelo FC Porto durante a época e apesar de alguns acidentes de percurso (houve jogos em que faltou mais criatividade e inteligência em vez de tanta velocidade e força), não há como negar que o FC Porto foi bastante competente dentro do estilo de jogo que Sérgio Conceição definiu como identidade.

Posto isto, parabéns ao Futebol Clube do Porto pela conquista do campeonato!

*TIAGO TEIXEIRA, ANALISTA DE FUTEBOL E CRIADOR DO BLOGUE DOMÍNIO TÁTICO | Expresso |Imagem: Gualter Fatia
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