Filipe Alves*, opinião | Diário de Notícias
A vitória de Miguel Albuquerque nas eleições na Madeira, ficando a um deputado apenas da maioria absoluta, insere-se na realidade específica da região autónoma, pelo que qualquer ilação que se possa retirar para o todo nacional deve ser encarada com cautela. É prematuro concluir que, em nome da estabilidade, nas eleições de 18 de maio o resultado será um reforço da votação na AD. Mas há uma conclusão que, muito provavelmente, poderemos retirar para o contexto nacional, sem correr o risco de dar um passo maior que a perna: as questões relacionadas com temas de natureza ética ou jurídica podem ser mais ou menos relevantes, consoante as preocupações do eleitorado em determinado momento histórico, mas frequentemente não são determinantes.
Quer isto dizer que, no contexto nacional, o que o desfecho das eleições da Madeira nos confirma é que, muito provavelmente, o PS e a restante oposição terão de ter algo mais a apresentar do que simplesmente as questões que ficaram por esclarecer no caso da empresa familiar do primeiro-ministro.
A fazer fé nas últimas sondagens,
o trabalho realizado pelo Governo liderado por Luís Montenegro é bem visto por
uma parte significativa do eleitorado, pelo que, para se afirmar como
alternativa credível, o PS terá de, entre outras coisas, apresentar soluções em
áreas como a saúde, o acesso à habitação e os salários baixos que se praticam
P.S. - Voltando à Madeira, o outro vencedor das eleições deste domingo foi o Juntos Pelo Povo (JPP), que conseguiu ficar em segundo lugar, com 21% dos votos, superando o PS (15,6%). O CDS, com 3%, teve uma importante prova de vida, ao ir a votos sozinho, assegurando assim o regresso ao governo como parceiro do PSD. Já o Chega caiu de 9% nas últimas eleições para 5,5%. A bandeira do combate à corrupção parece não ser suficiente para convencer o eleitorado.
* Diretor do Diário de Notícias
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