domingo, 11 de setembro de 2011

Egipto promete justiça rápida depois de ataque à embaixada de Israel no Cairo




Rita Siza – Público

Suspeitos da violência serão presentes a tribunal de emergência, diz junta militar que governa o país

O Egipto anunciou medidas expeditas para prender e punir os responsáveis pela violência contra a embaixada israelita no Cairo na madrugada de sábado, que causou três mortos e mais de mil feridos, obrigou à declaração do estado de alerta e levou Israel a retirar o seu pessoal diplomático do país.

Numa comunicação televisiva, o ministro da Informação, Osama Hassan Heikal, informou que os indivíduos envolvidos nos motins e no ataque à embaixada israelita serão encaminhados para um tribunal de emergência para questões de segurança. Afirmou ainda que as autoridades aplicariam “todos os artigos da lei de emergência para garantir a segurança” e que cumpriria as convenções internacionais para a protecção das missões diplomáticas.

A declaração oficial foi feita depois de uma reunião de crise do primeiro-ministro Essam Sharaf com o marechal Mohamed Hussein Tantawi, que lidera o conselho militar que governa o Egipto desde a demissão do Presidente Hosni Mubarak, a 11 de Fevereiro. De acordo com a televisão estatal, Sharaf colocou o seu cargo à disposição, mas os líderes militares recusaram a sua resignação. “O país viveu um dia difícil que provocou dor e preocupação em toda a população. Não deixaremos que o comportamento de alguns ameace a revolução egípcia”, sublinhou o ministro da Informação.

A investida contra a embaixada israelita — a segunda em menos de um mês — aconteceu depois de uma manifestação que voltou a reunir milhares de pessoas na Praça Tahrir, na noite de sexta-feira. À noite, grupos de manifestantes dirigiram-se para a embaixada de Israel, destruindo a barreira de cimento que serve de protecção ao edifício, queimando pneus e arremessando pedras contra a polícia, que disparou para o ar e usou gás lacrimogéneo para dispersar o protesto.

Um grupo conseguiu entrar nos escritórios dos serviços consulares, atirando a bandeira de Israel e centenas de documentos pela janela. Alguns membros da representação diplomática israelita ficaram encurralados lá dentro.

Os manifestantes exigiam o encerramento da embaixada, o fim das exportações de gás para Israel e a anulação do acordo de paz entre os dois países, assinado em 1979.

Telavive quer manter paz

A tensão e ressentimento contra Israel está em crescendo no Egipto após a morte de cinco soldados egípcios numa “acção defensiva” do Exército judaico na região de fronteira, em resposta a uma incursão de militantes palestinianos que fez oito vítimas civis.

Activistas políticos e líderes partidários condenaram a violência, mas alguns disseram concordar com as posições anti-Israel dos manifestantes.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ao conselho militar do Egipto que estava disponível para ajudar a resolver a situação, mas lembrou que o Governo do Egipto tem de “honrar as obrigações internacionais” e assegurar a protecção das embaixadas no seu país.Vários outros países condenaram o ataque de sexta-feira, como o Reino Unido, a Alemanha ou o Canadá.

Ao início da noite, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, procurou acalmar os ânimos, garantindo que apesar de “sérios”, os incidentes no Cairo não punham em causa o compromisso de paz assumido pelos dois países há 32 anos. Também a líder da oposição, Tzipi Livni, considerou que “a paz entre Israel e o Egipto é de interesse estratégico para os dois países e precisa de ser preservada”.

Num discurso na televisão, Netanyahu agradeceu a “acção decisiva” da polícia do Cairo na assistência aos seus funcionários diplomáticos, e garantiu que o seu embaixador Yitzhak Levanon está preparado para regressar ao Egipto “mal seja possível”.

O líder israelita reafirmou o interesse do seu Governo na reabilitação das relações diplomáticas com o Egipto e também com a Turquia, arrefecidas por causa de um raide militar israelita a uma flotilha dirigida a Gaza, no qual morreram nove cidadãos turcos.

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