terça-feira, 18 de outubro de 2011

Um mês depois "Ocupar Wall Street" aguarda momento certo para apresentar exigências




RTP

Um mês depois do início do protesto "Ocupar Wall Street" no centro financeiro de Nova Iorque, alguns participantes querem avançar com um "caderno de reivindicações", mas os manifestantes ouvidos pela Agência Lusa consideram que é cedo de mais.

"É melhor não ter reivindicações nesta altura. Não digo nunca, mas sim neste momento. Estamos a reunir energia muito rapidamente e a ganhar mais apoio", disse à Agência Lusa Jason Ahmati, jovem estudante que acompanha o protesto desde o início e que tem sido um dos ativistas mais destacados nas manifestações e assembleias no Parque Zucotti.

"Crescendo, podemos chegar a uma posição em que dizemos `sim, somos os 99 por cento`, encontrar unidade e solidariedade, apresentar as nossas exigências e aí teremos as pessoas necessárias para as apoiar", adianta, sentado em cima de uma mesa, junto à biblioteca improvisada na base do Ocupar Wall Street.

A falta de exigências específicas tem sido uma das críticas mais apontadas ao movimento.

Grupos de manifestantes já se começaram a organizar, por exemplo no Grupo de Trabalho para as Reivindicações, que há quase duas semanas se reúne para preparar um caderno de encargos a apresentar às autoridades políticas locais e federais, em áreas como o Emprego e Direitos Civis.

Para Jason Ahmati, esta iniciativa é natural, dado o caráter "orgânico" do movimento, e deve ser ajudada a crescer, embora seja cedo para exigências.

"Era difícil imaginar isto há um mês, tudo o que aconteceu, todo o apoio, toda a energia incrível aqui", diz o jovem ativista anti-guerra, natural da Califórnia, em Nova Iorque desde julho e no Ocupar Wall Street desde a primeira hora.

O primeiro mês do protesto, que sobreviveu na sexta-feira à primeira tentativa da câmara e do proprietário do parque para lhe por fim, está a ser vivido como apenas um dia mais no Parque: debates ao ar livre, grupos de percussão e um sem-número de pequenas iniciativas de protesto.

Para Bob Ballard, músico natural de Boston, também é "prematuro" fazer exigências e os manifestantes devem concentrar-se em "afirmar a consciência social em todo o mundo".

"O movimento juntou as pessoas, iniciou uma conversa, trouxe um novo paradigma do que é realmente importante para os seres humanos, edificando sobre o que aconteceu no Médio Oriente", disse à Lusa o músico natural de Boston.

Autor de uma música de solidariedade para com os manifestantes egípcios, chamada "O Fim do Medo", Ballard diz ter recebido convites para ir tocá-la ao Cairo, e está agora a organizar uma `tournée` internacional de músicos para ir até ao Médio Oriente.

"Estamos a mudar o contexto para os seres humanos, de definir-nos como entidades materialistas que se afirmam por aquilo que possuem para darmos valor uns aos outros pela nossa própria contribuição para a sociedade", adianta o músico de 47 anos, que mantém em paralelo uma organização não governamental de apoio a sem-abrigo.

Junto a uma fila de manifestantes com cartazes na mão com diferentes mensagens contra bancos, políticos e até o presidente Obama, uma professora do Estado do Minnesota segurava, num dia frio de sol, um guarda chuva onde colou um papel dizendo "Só uma Coisa: Justiça".

Para Cathy, o movimento deve ter um "equilíbrio" entre valores como a Justiça e objetivos específicos, mas é importante que o movimento comece a "melhorar a vida das pessoas", e devia começar a lutar por uma coisa de cada vez.

"Na nossa zona [Minnesota] temos muitos estudantes universitários. Podíamos por exemplo lutar por melhor financiamento para os seus cursos, isso teria um impacto imediato", disse à Agência Lusa a professora de 49 anos, que estava de passagem por Nova Iorque a visitar família e "não podia deixar de vir dar apoio" ao movimento.

Um mês depois do início dos protestos, "há muito mais consciência, as pessoas já não se sentem sozinhas, estão frustradas em todo o mundo com as injustiças e agora sabem que há muitas outras pessoas que sentem da mesma forma e que talvez vá haver mudanças".

*Foto EPA

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