quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Portugal – Educação: ISSO, AGORA, NÃO INTERESSA NADA





O Paulo Guinote, em quatro textos (aqui, aqui, aqui e aqui), demonstrou que os argumentos demográficos que tornam desnecessários mais professores estão errados. Tudo começou com mais uma declaração infeliz do Primeiro-Ministro, logo secundado por Miguel Relvas e reforçado por Carlos Abreu Amorim, ainda com o apoio de insurgentes e outros marialvas defensores da reconversão, da emigração, da mobilidade como valores absolutos, contra as mariquices daqueles que se preocupam com a Educação e que, por isso, são simplesmente acusados de corporativismo. Um clássico, enfim.

Até ao momento, ninguém se insurgiu contra o estudo feito pelo Paulo Guinote (e gostaria de reforçar a palavra estudo), talvez porque decidiram, prudentemente, que o silêncio é a melhor defesa, depois de, imprudentemente, terem perdido tempo a escrever sobre temas que desconhecem, talvez aproveitando as preciosas informações de Michael Seufert, insurgente deputado do CDS que tanto tem perorado sobre Educação. Mais importante do que isso é, sem dúvida, exprimir saudades de Salazar.

Não tendo muito mais a acrescentar, remeto para outros textos que já escrevi (aqui, aqui e aqui), apenas para lembrar que, seja como for, o argumento demográfico é e será sempre insuficiente, porque as decisões sobre a necessidade de contratar mais ou menos professores vão e devem ir além disso, o que não é o mesmo que afirmar que é obrigatório garantir emprego a qualquer preço a todos aqueles que tenham formação para ser professor.

Em Portugal, decide-se, na maior parte das vezes, porque se decide que é preciso decidir alguma coisa. Com frequência, essas decisões assentam em critérios errados ou simplistas, o que vem a dar no mesmo. Há reflexões, contributos e estudos mais do que suficientes sobre Educação, continuamente ignorados e/ou ultrapassados por critérios alheios à vida das escolas. Enquanto isso acontecer, qualquer decisão sobre a necessidade de mais ou menos professores está inquinada e terá efeitos negativos sobre o futuro da Educação, mas isso, agora, não interessa nada, como diria Teresa Guilherme, numa frase que resume a filosofia política de quem tem andado pelo governo nos últimos anos.


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