quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E ENTÃO QUANDO É QUE CHEGA A MINHA VEZ?




Orlando Castro*, jornalista – Alto Hama*

O Governo português, liderado por Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, já nomeou 1.682 pessoas desde que assumiu funções em Junho de 2011.

Nunca mais chega a minha vez. Depois de ter estado filiado no PS, inscrevi-me no PSD, no CDS/PP, no PCC (Partido Comunista Chinês) e na Maçonaria… mas nada! É preciso ter galo!

Aliás, correspondendo às indicações para emigrar de Pedro Martins, secretário de Estado do Emprego, corroboradas pelo sumo pontífice do PSD, até me filei no MPLA. Não sei, sinceramente, o que mais poderei fazer.

Embora sabendo que o governo português, na sua ânsia e sofreguidão de instituir um regime esclavagista no reino lusitano, deita mão a tudo, custe o que custar, quero fazer parte dessa casta superior.

Até me proponho, vejam lá, tornar a minha coluna vertebral amovível, abdicar dos tomates (que com a idade começam a ter pouca utilidade) e começar a pensar pela cabeça dos chefes.

Pedro Martins, o secretário de Estado do Emprego que em matéria de… emprego se especializou em trabalhar como professor catedrático de economia aplicada há meia dúzia de anos (desde 2004 no Queen Mary College, Universidade de Londres), sabe potes e potes do que se passa no seu país de acolhimento político.

Prova disso é que vai resolver a crise dos 800 mil desempregados com a sábia fórmula, certamente baseada nos ensinamentos científicos conseguidos nas mais prestigiadas universidades, de liberalização dos despedimentos, enterrando ou cremando a "regra" que, apenas supostamente, protegia os trabalhadores mais antigos sempre que ocorrem processos de rescisão por extinção do posto de trabalho.

Apesar de ter andado muito tempo a queimar as pestanas lá por fora, Pedro Silva Martins, sabe que em Portugal para se ser despedido é só preciso pensar pela própria cabeça, ter coluna vertebral e não ter cartão do partido.

Sei que os que usam a cabeça certa e têm coluna vertebral são, regra geral, os trabalhadores mais velhos, mais antigos. E é por isso que os donos dos postos de trabalho, quase sempre gente alérgica ao trabalho e que herdou as empresas, não gosta deles. Essa é quase sempre a razão principal.

Pedro Martins diz, do alto dos seus trinta e tal anos de... vida e certamente baseado na experiência dos outros, que, no caso do "despedimento individual com fundamento em motivos objectivos" existem dois grandes problemas que o Governo pretende resolver.

"Por um lado, a operacionalidade do despedimento por extinção do posto de trabalho" é posta em causa pois "vigora actualmente a regra last in, first out [o último a entrar na empresa deve ser o primeiro a sair], por força da qual o empregador deve seleccionar os trabalhadores que serão atingidos pelo despedimento de acordo com a sua antiguidade", explicou.

Para o secretário de Estado que, mais uma vez, olha para a lei mas esquece a realidade, isto está errado pois protege trabalhadores mais antigos que nem sempre são os "melhores" e fragiliza quem tem um vínculo recente, mesmo que seja muito competente.

É verdade que os mais antigos nem sempre são os melhores. Tal como é verdade que nem sempre os mais novos são mais competentes. No país de acolhimento governativo de Pedro Martins, a "competência" é directamente proporcional à subserviência e à filiação partidária. Mas disso não se fala.

"Esta regra contraria os objectivos do próprio despedimento por extinção do posto de trabalho, assente por via de regra numa situação de dificuldades económicas da empresa, na qual é conveniente que os trabalhadores que não são despedidos sejam aqueles que dão o seu melhor contributo à viabilidade da empresa", disse com aquele ar de quem é perito dos peritos.

Por dizer ficou, como convém, que muitos empresários privados ou públicos, tal como governantes, preferem ser assassinados pelo elogio do que salvos pela crítica; que entre um génio e um néscio com o cartão do partido que governa, escolhem sempre o… néscio.

* Orlando Castro, jornalista angolano-português - O poder das ideias acima das ideias de poder, porque não se é Jornalista (digo eu) seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregado.

Título anterior do autor, compilado em Página Global: E QUE TAL DESPEDIR TAMBÉM ALGUNS PATRÕES?

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