quinta-feira, 8 de março de 2012

Guiné-Bisaau: Carlos Gomes Júnior diz que segunda volta prejudica economia do país

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FP - Lusa

Bissau, 08 mar (Lusa) -- Carlos Gomes Júnior afirmou-se hoje "cada vez mais confiante" na vitória nas eleições presidenciais da Guiné-Bissau e disse que uma segunda volta pode acarretar prejuízos, por coincidir com a campanha do caju, o principal produto do país.

Num dia passado em Bissau, o candidato do maior partido do país, o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), apresentou o manifesto de candidatura, sob o lema "A certeza de um futuro melhor, uma convicção cimentada no trabalho", e reuniu-se com mulheres e empresários.

"Desde Gabu, Bafatá, S. Domingos, Varela, Bissau, estamos cada vez mais confiantes, porque em todo o lado por onde temos passado há o reconhecimento do trabalho que temos feito até aqui", disse o candidato para uma plateia composta essencialmente por mulheres, aproveitando o dia dedicado ao sexo feminino.

Segundo Carlos Gomes Júnior, "só não vê quem não quer" o desenvolvimento da Guiné-Bissau nos últimos anos, com o país a atingir atualmente um crescimento de 5,3 por cento, superior ao da região do oeste africano onde está inserido.

"Sentimo-nos orgulhosos", afirmou o até agora primeiro-ministro, acrescentando que a Guiné-Bissau pode agora "começar a pensar noutros problemas de desenvolvimento".

Ainda às mulheres disse não ter dúvidas de que irá ganhar as eleições no dia 18 e explicou que devem votar no único candidato (ele) que no boletim de voto usa "sumbia", um gorro utilizado por alguns africanos e que era também usado por Amílcar Cabral, o fundador do partido.

"Enquanto Presidente da República, usarei a minha magistratura de influência para dar cada vez mais condições para promover o fator género", garantiu.

E prometeu também, logo a seguir, aos empresários com os quais se reuniu, que será "um Presidente de todos os guineenses, um Presidente dialogante".

Num grande discurso, em português, lembrou o trabalho que fez enquanto primeiro-ministro para estabilizar a economia do país, disse-se orgulhoso dos resultados e elogiou "a classe empresarial forte", sem a qual não seria possível que a Guiné-Bissau fosse hoje "uma referência".

Carlos Gomes Júnior admitiu que há ainda muito por fazer no país e deixou um aviso para uma sala quase cheia de empresários: "Se formos à segunda volta isto pode acarretar prejuízos para os empresários. Toda a gente sabe que o ciclo do caju é curto, mas que tem um impacto muito grande na nossa economia. Em apenas três meses de campanha [no ano passado] conseguiu-se criar um fundo com 20 milhões de dólares".

O candidato a Presidente falou ainda das boas perspetivas de investimentos no país, como a construção de um porto de águas profundas, a exploração de bauxite no sul do país e a ligação por via-férrea à Guiné-Conacri e ao Mali.

A candidatura de Carlos Gomes Júnior tem vindo a pedir uma vitória expressiva nas eleições presidenciais de dia 18, para que não seja necessária uma segunda volta. A partir de sexta-feira o candidato estará em campanha no arquipélago dos Bijagós.

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