domingo, 29 de abril de 2012

CONVERGÊNCIA DEMOCRÁTICA, O CAMINHO PARA MAIS UM SONHO TIMORENSE

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António Veríssimo

Primeiro foi o deputado Arsénio Bano, da Fretilin, que declarou no Facebook que a Fretilin estava aberta a fazer alianças com todos os partidos timorenses, incluindo o CNRT de Xanana Gusmão, depois, passado dois dias, Mari Alkatiri faz referência à disponibilidade da Fretilin para fazer alianças pós eleições legislativas com outros partidos, de modo a encontrarem a maioria que lhes possibilite ser governo.

A reação não foi pacífica no que diz respeito aos que ainda se lembram da falta de honestidade do governo de Xanana Gusmão e também das suas tropelias e dos seus métodos de não olhar a meios para atingir determinados fins que nem por sombras são os melhores.

“Quando a esmola é demais o pobre deve desconfiar”, um velho adágio que, como veremos, se aplica à abordagem do tema que vem a seguir e que em Página Global começámos a pretender esmiuçar para entendermos e trazermos aqui à colação. Com bons fígados podemos dizer que vamos abordar o que podemos considerar o sonho timorense: a convergência democrática que permita a concretização da democracia, da justiça, do progresso e do bem-estar de todos os timorenses.

Convergência Democrática

Se é sonho, se é pesadelo ou até imaginação fértil é aquilo que mais tarde descobriremos. Por agora compete-nos divulgar o que com algum otimismo procurámos investigar. As fontes que consultámos dizem-nos que está na forja um alargado entendimento entre o recém eleito presidente da República de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, o atual primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o secretário-geral de maior partido da oposição e ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, e o ainfa presidente da República, José Ramos Horta. Esse alargado entendimento poderá vir a chamar-se Convergência Democrática e inclui ainda os líderes dos principais partidos políticos timorenses. Fernando La Sama Araújo, do Partido Democrático (PD), Zacarias da Costa, do Partido Social Democrático (PSD), para além de outras relevantes figuras da cena política timorense, caso de José Luís Guterres, entre outros.

Esta Convergência Democrática destinar-se-ia a aliar-se em uníssono pelos interesses de Timor-Leste e colocar o país nos carris, visando corrigir os desvios até agora verificados a nível de melhorar a gestão e as diversas políticas de um futuro governo (em principio CNRT-FRETILIN) dos partidos partidos naturalmente mais votados e que decerto, juntos, obterão uma vasta maioria nas próximas eleições legislativas. Acresce ainda a votação do PD e do PSD, que garantiriam uma maioria mais que estável e absolutamente representativa.

A legitimidade de um governo assim constituído é absoluta. Ainda mais quando uma das fontes de informação contactadas nos diz que a perspetiva seria a de Taur Matan Ruak na Presidência da República (já eleito), José Ramos Horta em primeiro-ministro (se a Fretilin e o CNRT atingirem a maioria dos votos em 7 de Julho próximo, o que deve acontecer), pastas ministeriais relevantes para Xanana Gusmão (que não quer largar a pasta da Defesa e Administração Interna) e para Mari Alkatiri, também para La Sama Araújo e Zacarias da Costa, outras a nível ministerial para figuras da Fretilin do CNRT e de Secretarias de Estado para os seus partidos políticos, PD e PSD.

Um Sonho Timorense

Com boa vontade e uma grande dose de amnésia podia aqui ser inscrito tudo cor-de-rosa, em conformidade com aquilo que conseguimos apurar de declarações das nossas fontes de informação, porém, importa sermos realistas (mas não pessimistas) e não tomar por certo meras conversas sobre alguns “desabafos” de figuras predominantes da política timorense. Se corresponder à realidade o que afirmam que os lideres timorenses estão forjar, um governo de Convergência Democrática, e que os próprios líderes vão dar uma volta de 180 graus nas suas políticas e na governação futura, que vão governar exclusivamente para o povo timorense… Oh, meus queridos amigos e ex-adversários, mas isso é aquilo que todos gostaríamos de ver, principalmente os timorenses que de tantos milhões têm visto zero-zero, fome e miséria. Isso a par de uns quantos senhores que enriqueceram num ápice sem se saber como. Ou melhor: sabendo como mas não lhes podendo chegar porque a máfia tem tentáculos por quase todos os lados.

A acontecer a tal Convergência Democrática então mais um sonho timorense seria possível concretizar… Mas, lá está: Quando a esmola é demais o pobre deve desconfiar. Por conseguinte o melhor será guardar em carteira fechada a sete chaves aquilo que as nossas fontes de informação nos adiantaram por palavras mas sem documentação. Não que devamos duvidar das suas informações porque elas próprias só têm por base “conversa”. O que não há dúvida é que tudo parece bom demais para que realmente corresponda 100 por cento à realidade, ou até às intenções tão radicalmente diferentes, por exemplo, de Xanana Gusmão e de Mari Alkatiri. É que um diz que quer bem à sua maneira mas de modos diferentes… E nunca se entenderam. Antes pelo contrário, têm se digladiado. Incluindo com algum risco de vida para Mari Alkatiri no ano da desgraça de 2006/7, após o golpe de estado de Gusmão.

E então é agora que estes dois “gorilas” do espectro político-partidário timorense se vão entender? E Ramos Horta, é agora que vai estar de acordo com tudo e com todos e todos e tudo com ele? Isto para não falar em Zacarias da Costa e La Sama. Nem para falar dos militantes e quadros dos partidos políticos de cada um deles.

Dizem-nos as nossas fontes que quem está muito empenhado em concretizar esta Convergência Democrática é o PR Taur Matan Ruak, que não acha nada que se deva por enquanto entregar de bandeja a gerações muito mais novas todos os poderes por via da sua inexperiência e possível ingenuidade. Que isso se faça gradualmente, diz Taur. Certo.

Rejeitando pessimismos devemos deixar bem evidente que a felicidade dos timorenses e dos amigos que amam Timor-Leste exultariam com a concretização de mais este sonho timorense. Também diziam que a independência era um sonho impossível e não era, não foi. Façam figas.

O que for soará. Até pode acontecer que algum ou alguns dos que andam a forjar a Convergência Democrática passem a dizer mais algumas coisas que ajudem a montar este puzzle. Oxalá. Façam figas.

Para acabar a meu modo: Convergência Democrática, yes. Não são homens não são nada se não conseguirem tornar este sonho realidade, e bem, e bem. Não para andarem às turras!

Nota: É evidente que não devem ser esquecidos os erros cometidos por este governo de Xanana Gusmão no que diz respeito aos prejuízos causados aos timorenses por via de roubos que os têm transportado para carências de todo inadmissíveis e inexplicáveis, depois de tantos milhões gastos… para quase nada. Mas isso é outra “causa” que a Justiça deve saber enfrentar.

Depois de Escrito

Por razões compreensíveis temos muitos comentários da área de Timor-Leste que nunca são assinados e que constam como provenientes de Anónimos. Muitas vezes sabemos de quem se trata mas, compreensivelmente, nunca referimos as identidades. É o caso do comentário que juntamos a seguir. Creio que esta “operação de charme e de passividade convergente” foi “vendida” a um dos nossos elementos do coletivo PG com o propósito de disfarçar o que está encoberto num iceberg chamado Xanana Gusmão-CNRT… e uma quanta máfia de suas relações. Fiquem todos muito atentos e acreditem piamente naquilo que é dito neste comentário “anónimo” que se segue. Tomem também atenção ao que Ramos Horta já disse e vai dizer... (AV)

Anónimo disse...
Posso assegurar com toda a certeza de que não há, nunca houve nem nunca haverá a intenção de se criar um Governo de Convergência Nacional. Quem diz isso está a mentir e apenas quer criar confusão. Há muita mentira a circular e esta é uma delas.

Destaque Página Global

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5 comentários:

Anónimo disse...

Posso assegurar com toda a certeza de que não há, nunca houve nem nunca haverá a intenção de se criar um Governo de Convergência Nacional. Quem diz isso está a mentir e apenas quer criar confusão. Há muita mentira a circular e está é uma delas.

Anónimo disse...

Isso bem queria o Horta e o Xanana. Concordo com o comentario previo. Rumores que circulam no meio politico Timorense.

Anónimo disse...

Ato de desespero da Fretilin para não ficar no ostracismo

Anónimo disse...

“Ato de desespero da Fretilin para não ficar no ostracismo”.
Que individuo de grande inteliegência! Se todos os leste-timorenses tiverem a mesma inteligência que deste anónimo, o país estaria arrumado. E faria da ocupação barbárica a mais melhor coisa que a humanidade já conhece.

Anónimo disse...

Esta dita convergência democrática, que é mais um boato rumor e acção publicitária para promover Ramos horta a primeiro-ministro como aquele outro boato de há dias atrás em que o mesmo RH foi convidado para mediar o conflito na Guiné.
A ser verdade esta convergência seria um adiar "explosivo" da paz podere e coabitação impossível entre os verdadeiros Timorenses que querem fazer o país "democrático, livre e rico" e aqueles que até aqui em nome de " Timor Democrático teem tomado a liberdade de enriquecer".....