sexta-feira, 20 de abril de 2012

Guiné-Bissau: Líderes muçulmanos apelam ao diálogo para ultrapassar crise no país



Mussá Baldé, da Agência Lusa

Bissau, 20 abr (Lusa) - Líderes da comunidade muçulmana da Guiné-Bissau exortaram os políticos e os militares do país a seguirem a via do diálogo como forma de se ultrapassar a crise instalada com o golpe de Estado do passado dia 12.

Em declarações à Agência Lusa para comentar o momento conturbado que a Guiné-Bissau vive, cinco dignitários muçulmanos apelaram às partes a dialogarem embora alguns não concordem com as ameaças de sanções internacionais ou com a vinda de uma força estrangeira.

Tcherno Embalo, presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos (CSAI), defendeu que o diálogo deve ser "a arma principal" para a resolução da crise político-militar no país, mas considerou que a comunidade internacional deve "apoiar a Guiné-Bissau dentro da verdade".

"Isto é minha opinião pessoal, não da minha organização, sou contra a vinda de uma força estrangeira, porque não estamos em guerra. É preciso que a comunidade internacional saiba que deve apoiar a Guiné-Bissau mas dentro da verdade", afirmou Tcherno Embalo, um conhecido clérigo no bairro militar, subúrbios de Bissau.

Adul Carimo Djaló, líder do Conselho Nacional Islâmico (CNI) disse, por sua vez, que a sua organização está "muito preocupada" com as pessoas que estão a deixar as suas casas, sobretudo em Bissau, para irem para o interior do país com receio de violência.

"Exortamos as partes a buscarem o dialogo, o bom senso, a legalidade e a compreensão para que se possa ultrapassar mais esta crise no nosso país", afirmou Carimo Djaló, pedindo os políticos para que "coloquem os interesses da Nação acima de tudo o resto".

O chefe religioso Mamadu Lamine Sanhá (mais conhecido por El-Haj Conhadjé) defendeu que "há muito que a comunidade internacional devia intervir na Guiné-Bissau", antes mesmo das eleições presidenciais de março último.

No entanto, Lamine Sanhá sustentou que as partes devem dialogar antes mesmo de uma possível chegada da comunidade internacional, porque, salientou, "qualquer desentendimento acaba sempre numa mesa de diálogo".

Addulay Bulli Cissé, chefe religioso em Caliquir (subúrbios de Bissau)m defendeu também o diálogo mas disse que "a vontade da maioria deve ser respeitada", lembrando que "é assim a democracia".

"Se a maioria optar por aquele é ele que deve ser chefe, não o contrário. Apelamos que haja respeito pela vontade da maioria", afirmou Bulli Cissé, destacando ainda que se a comunidade internacional reage desta forma "é porque sabe onde é que está a verdade".

Já o professor corânico Infali Coté, presidente da Associação Juvenil para a Reinserção Social (Ajures) defendeu que a solução para a crise deve passar "por ajuda divina, desde que os homens peçam o apoio a Deus".

"Temos de ter uma abertura de espírito e pedir ajuda de Deus. As vezes entre nós não encontramos as soluções rapidamente, mas pedindo à Deus as soluções aparecem", afirmou.

Infali Coté disse, contudo, que reza para que não seja preciso a vinda de qualquer força estrangeira.

"Oxalá que não tenhamos essa necessidade", concluiu Coté.

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