quarta-feira, 25 de abril de 2012

Imprensa de Cabo Verde destaca data como "síntese das lutas dos povos...




... das colónias e da metrópole"

JSD - Lusa

Cidade da Praia, 25 abr (Lusa) - A imprensa cabo-verdiana destaca hoje o 38.º aniversário do "25 de abril" (de 1974) em Portugal, data que o analista cabo-verdiano Corsino Tolentino define como "síntese e vitória das lutas comuns dos povos das colónias e da metrópole".

A edição online do A Semana centra a notícia na mistura de culturas e é na agência Inforpress que Corsino Tolentino, membro da Academia das Ciências de Lisboa, lembra a "belíssima coincidência" da também conhecida por "Revolução dos Cravos" e o Dia Mundial da Libertação dos Escravos, assinalados no mesmo dia.

"O 25 de Abril é um património comum, porque representa a síntese e a vitória das lutas comuns dos povos das colónias e da metrópole", afirmou o também diplomata, acrescentando que a revolução acabou por tornar-se um "estimulador" que contribuiu para acelerar os processos de libertação não pela via armada, mas sim pela negociação.

"A influência foi recíproca, não apenas no sentido de dar corpo à libertação nacional, mas também à existência de Estados de Direito respeitáveis e ao progresso da democracia. Estamos longe de chegar a democracias perfeitas, mas estamos a caminhar para lá", pontuou o analista político.

No seu entender, as lutas nas ex-províncias ultramarinas também contribuíram para o surgimento do movimento que pôs termo à ditadura de 48 anos que então se vivia em Portugal pela mão de António Oliveira Salazar.

"O que aconteceu em Portugal no dia 25 de abril de 1974 foi uma surpresa agradável", afirmou Corsino Tolentino, lembrando que o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAICG) recebeu a notícia com um misto de surpresa, alegria e desconfiança, tendo em conta a característica do golpe que se foi definindo com o tempo até as liberdades fundamentais se consolidarem.

Quando se deu o 25 de Abril, Corsino Tolentino encontrava-se na Bélgica, onde tinha regressado depois de deixar as zonas libertadas da Guiné-Bissau para retomar os contactos com antigos colegas na Universidade de Louvain e com as comunidades emigradas cabo-verdianas, nomeadamente na Holanda, Luxemburgo e França.

Por seu lado, o A Semana destaca hoje a evocação do "25 de abril" feita num espetáculo musical que decorreu terça-feira na Associação Cabo-Verdiana (ACV), em Lisboa, centrada na "fusão de sentimentos de mornas e fados, do crioulo e do português".

As vozes de Cesária Évora e Amália Rodrigues, Mariza e Tito Paris, Mayra Andrade e Pedro Moutinho soaram num sarau cantado ao vivo por Titina, traduzida numa retrospetiva intitulada "A Saudade - De Lisboa às Ilhas de Cabo Verde no Fado e na Morna", dois géneros musicais que se aproximam pelo sentimento.

"As músicas fundiram o crioulo e o português e os arranjos punham duetos em que o fadista cantava crioulo e o mornista cantava português", lê-se na edição online do A Semana.

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