quarta-feira, 4 de Julho de 2012

TIMOR-LESTE QUER GASODUTO E VAI CONSTRUIR BASE DE ABASTECIMENTO



Macauhub, com foto

O governo de Timor-Leste acredita que conseguirá fazer prevalecer a costa sul do país como o melhor destino para o novo gasoduto que partirá do campo petrolífero Greater Sunrise, partilhado com a Austrália.

O secretário de Estado dos Recursos Naturais, Alfredo Pires, disse à macauhub que “já foram feitos vários estudos de viabilidade” e que “os resultados mostram que o gasoduto para Timor-Leste custa mil milhões de dólares [americanos] e para a Austrália custa 1,8 mil milhões”.

O objectivo é também construir uma base de abastecimento de mil hectares na zona sul do país, que “em dez ou 15 anos crie 40 mil postos de trabalho”.

“A Austrália já tem um gasoduto e para nós faz sentido e é justo que agora tenhamos este. Ninguém perderá dinheiro. Estamos a discutir esta questão e a fazer estudos comparativos”, aponta Pires.

O governante garante que algumas das questões levantadas pela Austrália, que poderiam ser problemáticas para a opção Timor-Leste, já foram rebatidas pelos estudos apresentados pelo Governo.

Em termos de distância, Alfredo Pires contabiliza 150 quilómetros de gasoduto até à costa timorense [230 se forem evitadas as zonas geologicamente mais complicadas] e 530 para a costa australiana.

“Temos a costa sul cartografada e escolhemos uma rota para o gasoduto. Temos profundidades de 2800 metros e o máximo pode ser 3300 metros, com as actuais tecnologias. Fizemos estes estudos de viabilidade”, assegura o secretário de Estado.

Em Maio, por ocasião da celebração dos dez anos da independência do país, o governo timorense decidiu apresentar uma pequena amostra do gasoduto que espera trazer até ao sul país – e fê-lo mesmo diante do Palácio do Governo.

“Trouxemos um pedacinho, dissemos ‘está aqui’, para confirmar a nossa posição, mostrar a tecnologia e também para mostrar ao povo do que é que estamos a falar. Sempre levámos com pressões agora é a nossa vez de mandar as pressões para o outro lado. Estamos prontos.”

Para Alfredo Pires, este é o “investimento ideal” para aplicar o capital acumulado no Fundo do Petróleo – o saldo do fundo era em Abril deste ano de 10,54 mil milhões de dólares.

“Um investimento no gasoduto tem um retorno fixo de sete a oito por cento durante 40 anos. O que posso dizer é que a opção de Timor-Leste é técnica e comercialmente viável. Estamos em discussões mas para nós já não há outro caminho”, reforça.

Um dos grandes projectos de Timor para os próximos anos é a construção de uma base de apoio à exploração energética na costa sul do país, na zona conhecida por Tacimane.

A base de abastecimento – modelo aplicado noutros países com exploração petrolífera – ocupará os distritos do Suai, Betano e Beaco.

“O Suai vai ser a base de apoio logístico para actividades petrolíferas, o Betano vai ser para indústrias petroquímicas e Viqueque e Beaco é onde estará o gasoduto do Greater Sunrise. São três pontos numa distância de 160 quilómetros”, explica Alfredo Pires.

“Para a base de abastecimento, o Parlamento já aprovou 100 milhões de dólares e para a auto-estrada 45 milhões. Agora estamos a falar com as populações, estamos a adquirir os terrenos como deve ser”, acrescenta Pires. (macauhub)

1 comentário:

Anónimo disse...

Caro Alfredo Pires,

Finalmente Timor toma uma decisão acertada, em vez de lançar o risco todo do investimento para a empresa Australiana, está na hora de mostrar que o governo de Timor acredita em Timor e no seu povo.
Sendo o fundo petrolifero investido no gasoduto, de certeza que o gasoduto vem para Timor.
Haja alguém com tomates, para tomar a decisão. Deixem-se de conversa fiada e avancem, o povo agradece.

Beijinhos da Querida Lucrécia