domingo, 12 de agosto de 2012

“APOCALIPSE NOW”! – IV




Martinho Júnior, Luanda

“Cessem os egoísmos, cessem as hegemonias, cessem a insensibilidade, a irresponsabilidade e o engano. Amanhã será tarde demais para fazer aquilo que devíamos ter feito há muito tempo”… - Discurso de Fidel Castro na Conferência da ONU para Meio Ambiente – ECO-92, há 20 anos!

7 – Conforme disse, a situação está a deteriorar-se mais e mais, a um nível que se aproxima aos momentos mais críticos do período da “Guerra Fria”, mas com um grau de imprevisibilidade maior e com potencialidades ainda mais catastróficas… (“Obama eleva as apostas militares: confrontação nas fronteiras com a China e a Rússia” – - James Petras – Pravda – http://port.pravda.ru/science/26-12-2011/32665-obama_confrontacoes-0/).

Concorre para isso por um lado, o facto dos contendores estarem a pautar por acções com ingredientes religiosos, fundamentalistas e por tabela até terroristas, explorando as contradições entre judeus e árabes, ou entre sunistas e xiitas, por outro o facto das forças que estão frente a frente serem potências nucleares declaradas umas (componentes da NATO, CSTO, China, Índia e Paquistão), não declarada outra (Israel), com possibilidades de o ser (Irão) e por outro ainda, haver manifesta presença de Forças Especiais e dos Serviços de Inteligência de todos os envolvidos numa situação que em terra como no mar (potências incluídas) pode conduzir à inexistência de fronteiras, tal o intrincado das peças envolvidas de parte a parte no jogo de tensões e conflitos em cadeia. (“The war on Ira: the deployment of thousands of US troops to Israel, the integration of US-Israeli Command structures” – Michel Chossudovsky – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28503).

É em função desse tipo de ingredientes, que evoluem sobre os depósitos milenares de petróleo e gás em terra e no mar, que me parece que a situação está a ultrapassar os confrontos típicos da Guerra Fria, assim como as sucessivas guerras conduzidas pelos Estados Unidos e seus aliados nos Balcãs, no Iraque e no “Af-Paq”, numa escalada que conduzirá, degrau a degrau, ao extremamente perigoso envolvimento de Israel e do Irão.

Os ingredientes aliás, particularmente a actuação enquadrada de alguns dos grupos da Al Qaeda por parte das alianças entre ocidentais e a monarquias arábicas sunitas, prognosticam um ponto de não retorno, com a caricatura das “operações humanitárias”! (“Humanitarian Military Intervention in Syria? Who is Behind the Atrocities?” – Michel Chossudovsky – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32117).

A presente situação recorre a doutrinas militares, de inteligência, de “terrorismo” manipulado e “contra terrorismo” que tiveram o seu curso durante a Guerra Fria, mais as que têm vindo a ser aplicadas desde há 20 anos a esta parte tirando partido das novas tecnologias desde então adquiridas. (“El império mundial de la violência contrainsurgente” – Gilberto López y Rivas – La Jornada – http://www.jornada.unam.mx/2012/03/02/index.php?section=opinion&article=022a1pol).

8 – A presença dos considerados terroristas do Al Qaeda na Líbia e agora na Síria, que ilustra um dos sinais preocupantes que acima assinalo, é vista assim por Thierry Meyssan (“L’Armée Syrienne libré est commandée par le gouvernement militaire de Tripoli” – Thierry Meyssan Réseaux Voltaire – http://www.voltairenet.org/L-Armee-syrienne-libre-est):

“Au cours des derniers mois, certains journaux arabes, favorables à l’administration el-Assad, ont évoqué l’infiltration en Syrie de 600 à 1 500 combattants du Groupe islamique combattant en Libye (GICL) renommé depuis novembre 2007 Al Qaida en Libye. Fin novembre, la presse libyenne a relaté la tentative de la milice de Zintan d’arrêter Abdelhakim Belhaj, compagnon d’Oussama ben Laden, chef historique d’Al Qaida en Libye, devenu gouverneur militaire de Tripoli par la grâce de l’OTAN. La scène a eu lieu à l’aéroport de Tripoli, alors qu’il partait en Turquie. Enfin, des journaux turcs ont évoqué la présence de M. Belhaj à la frontière turco-syrienne.

Ces imputations se heurtent à l’incrédulité de tous ceux pour qui Al Qaida et l’OTAN sont des ennemis irréductibles entre lesquels aucune coopération n’est possible. Au contraire, elles confortent la thèse que je défends depuis les attentats du 11 septembre 2001, selon laquelle les combattants étiquetés Al Qaida sont des mercenaires utilisés par la CIA ».

A constatação de Thierry Meyssan é tanto mais preocupante quanto no difuso campo contrário há outros tantos rotulados de terroristas, como por exemplo os grupos do Hezbollah, que têm uma presença extremamente activa em toda a região, com experiência de combate de tal ordem que no sul do Líbano conseguiram enfrentar e até suster as forças de Israel (« 2006 Lebanon war » - Wikipedia – http://en.wikipedia.org/wiki/2006_Lebanon_War).

O Global Research em diversos artigos confirma Thierry Meyssan, salientando o papel da Al Qaeda no Exército Livre da Síria (« Al Qaeda Directs Free Syrian Army in Controlled Demolition of Syria” – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32177).

9 – As questões que se prendem ao nuclear estão bem presentes no cadinho do Mediterrâneo Oriental e do continente Euro-Asiático em toda a sua dimensão, com riscos acrescidos na imensa região afectada pelas tensões, conflitos e guerras.

O companheiro Rui Peralta numa das suas últimas intervenções (« A ampla cidade » - 30 de Julho de 2012 – Página Global – http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/07/a-ampla-cidade_30.html), considerava em síntese:

“No fundo o mundo move-se no sentido de uma proliferação generalizada e pouco há a fazer em relação a isso. É ingénuo pensar que um acordo tácito (como o que existiu entre USA / URSS e India / Paquistão) seja suficiente para evitar os problemas decorrentes da proliferação. É que esta é uma consequência das dinâmicas da crise sistémica global e vai gerar dinâmicas intrínsecas ao processo de proliferação e suas implicações geoestratégicas e geopolíticas. Ou seja no actual quadro näo há solução e como ainda näo existe outro quadro, as coisas vão andar por si, até todos os elementos do problema assentarem, um pouco como se faz com as poeiras nucleares. Até um dia…”

As dinâmicas a que se refere Rui Peralta, encontram possibilidades de proliferação num quadro estimulado pela lógica capitalista e alguns dos alertas fê-lo o Comandante Fidel de Castro em várias das suas intervenções, uma delas há mais de 13 anos, a 28 de Junho de 1999, na Primeira Sessão de Trabalho da Cimeira de Chefes de Estado e de Governo de América-Latina e do Caribe-União Europeia, no Río de Janeiro, Brasil, (http://pt.cubadebate.cu/opinioes/2011/09/08/fidel-castro-aonde-nos-conduziria-nova-e-insustentavel-doutrina-da-nato/), quando frente a frente aos Europeus membros da NATO, olhos nos olhos, Fidel expôs:

“Há uma questão política de absoluta importância, que não posso deixar de colocar sobre o novo conceito estratégico da NATO. Referir-me-ei a quatro parágrafos.

Um: Com o propósito de fomentar a paz e a estabilidade na Europa e num contexto mais amplo, os aliados europeus aumentam a sua capacidade para a acção, incluindo o aumento do seu poderio militar.

Dois: A segurança da Aliança segue sujeita a uma ampla variedade de riscos militares. [...] Entre esses riscos estão a incerteza e a instabilidade na região euro-atlántica e nos seus arredores, e a possibilidade de crises regionais na periferia de Aliança.

Três: Contar-se-á com um maior número de elementos de força aos níveis de preparação adequados para efectuar operações prolongadas, quer dentro do território da Aliança ou fora dele.

Quatro: É mais provável que as possíveis ameaças à segurança da Aliança saiam de conflitos regionais, étnicos ou outras crises fora do território da Aliança, bem como a proliferação das armas de destruição massiva e os seus responsáveis.

Gostaria de fazer três brevíssimas reflexões e perguntas.

Um: Gostaria de sermos esclarecidos, se for possível, se os países da América-Latina e do Caribe estão ou não incluídos dentro da periferia euro-atlántica definida pela NATO.

Dois: A União Europeia, depois de muitos debates, apoiou uma declaração desta Cimeira que diz: esta associação estratégica baseia-se no absoluto respeito ao direito internacional e nos propósitos e princípios contidos na Carta das Nações Unidas, os princípios da não intervenção, o respeito à soberania, à igualdade entre Estados e à autodeterminação.

Isto significa que os Estados Unidos da América também se compromete a respeitar os princípios contidos nesta declaração dos seus aliados? Qual será a atitude da Europa se os Estados Unidos decide pela sua própria conta começar lançar bombas e mísseis com qualquer pretexto contra qualquer um dos países da América-Latina e do Caribe aqui reunidos?

Três: Todo o mundo sabe que, por exemplo, Israel possui centos de armas nucleares feitas com determinada ajuda ocidental, sobre o qual se tem feito um estranho e hermético silêncio.

Significaria isto que qualquer dia a NATO, partindo do ponto quatro anteriormente colocado, em virtude duma proliferação clandestina não só de armas de destruição massiva, senão também de uma produção massiva dessas armas, poderia lançar milhares de bombas sobre Jerusalém, Tel Avive, cidades israelenses e palestinas, destruir sistemas eléctricos, indústrias, estradas e todos os meios essenciais de vida desses povos, matando directamente dezenas de milhares de civis inocentes e ameaçando a existência do resto da população? Poderia ser esta a solução civilizada de semelhantes problemas? Poder-se-ia garantir que não conduziria a um conflito nuclear? Aonde nos conduziria a nova e insustentável doutrina da NATO?

Depois de ter exprimido apenas uma mínima ideia sobre este delicado tema, não tenho nada mais que dizer. Peço-lhes desculpas.”

10 – A NATO parece estar a responder às questões colocadas então por Fidel de Castro, com o tipo de intervenções na Líbia, na Síria, em direcção ao Irão e com sua impressiva presença naval, que se acentuará ciclicamente no Mediterrâneo Oriental recorrendo a Forças Especiais e unidades de inteligência, intimamente associadas a grupos que incluem componentes da Al Qaeda! (“The march to war: Iran and the strategic encirclement of Syria and Lebanon” – Mahdi Darius Nazemroaya – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=28018).

Há uma escalada que poderá chegar ao emprego do nuclear, um risco que não pode ser excluído (“Putin’s geopolitical chess game with Washington in Syria and Eurásia” – F. William Engdahl – Global Research – http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32019).

Sinais da evidência de riscos de conflito nuclear foram dados na prática pela Rússia, de acordo com Thierry Meyssan (“Tiros de aviso russos” – Réseaux Voltaire – http://www.voltairenet.org/Tiros-de-Aviso-Russos):

… “O dia de quinta-feira 7 de Junho foi rico em acontecimentos . Enquanto Ban Ki-moon e Navi Pillay, respectivamente Secretário-geral e Alto-comissário para os Direitos do homem, apresentavam a sua acusação contra a Síria diante da Assembleia geral da ONU, Moscovo procedia a dois tiros de mísseis balísticos intercontinentais.

O coronel Vadim Koval, porta-voz do RSVN admitiu o teste de um Topol —lançado de um silo perto do Cáspio— , mas não confirmou o de um Boulava a partir de um submarino no Mediterrâneo .

No entanto o disparo foi observado em todo o Próximo-Oriente, de Israel à Arménia, e não existe nenhuma outra arma conhecida que possa deixar tais rastos no céu.

A mensagem é clara: Moscovo está pronto para a guerra mundial, se a OTAN e o CCG não se conformarem às obrigações internacionais, como as definidas pelo plano Annan, e persistam em alimentar o terrorismo”….

Gravura: Mundo Acopalíptico – criado por Vladimir Manyhuin.

*Pode ler todas as anteriores partes de “APOCALIPSE NOW!” em Martinho Júnior

2 comentários:

Anónimo disse...

Banderas de al Qaida ondean sobre zonas de Siria en manos rebeldes

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=154525

Anónimo disse...

"Freedom Fighters": The Foot Soldiers of the American Empire


Since the end of World War II, the Anglo-American Empire has covertly supported the deployment of foreign and domestic "foot soldiers", including terrorists and paramilitary brigades to bring about regime change and further its agenda of World domination.



One of the earlier examples of such a modus operandi, still widely ignored, is Gladio, "NATO's European stay-behind army", active during the Cold War. Controlled by the CIA and Britain's MI6, Gladio members orchestrated terrorist attacks in Western Europe, which were blamed on Communist entities.

Gladio was falsely presented to key European state officials as a stand-by secret army ready to counter a possible communist take over. The ultimate goal of Gladio was to demonize the Communist and Socialist parties and encourage European citizens to endorse their governments' commitment to "National security".

http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=32371

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