segunda-feira, 22 de outubro de 2012

JOVENS ANGOLANOS DÃO 3 MESES AO PRESIDENTE PARA MOSTRAR RESULTADOS

 

 
Jovens revolucionários angolanos que nos últimos dois anos protagonizaram inéditas manifestações, estipularam uma espécie de moratória ao executivo angolano, antes de voltarem as ruas.
 
Muitas manifestações pacíficas terminaram em detenções, espancamentos e raptos. As concentrações de jovens contaram com a solidariedade de vários setores da sociedade civil, tendo alguns dos seus rostos sonantes também sofrido agressões.

Os jovens angolanos deram cem dias ao novo governo para cumprir as suas promessas eleitorais, nomeadamente para a juventude.

Emprego, melhor distribuição das riquezas nacionais e respeito pela liberdade de expressão e de imprensa são as grandes reclamações da juventude angolana, para além das reivindicações sobre a longevidade do poder de José Eduardo dos Santos, entretanto eleito pela primeira vez no escrutínio de agosto último.

Jovens da UNITA criticam programa do governo

Alias, diálogo com a juventude para conter as manifestações é uma fórmula lançada pelo próprio presidente angolano, depois de muito tempo de silêncio face as contestações.
 
Lembramos o que o Presidente angolano disse neste contexto: "Em Angola tem havido manifestações de jovens que procuram exprimir determinada vontade e interesses. É evidente que procuramos enquadrar isso no interesse geral."
 
José Eduardo dos Santos garantiu ainda: "Temos programas específicos direcionados para a juventude, que incluem também a formação."

O apelo ao diálogo feito pelo Presidente já mereceu críticas da juventude do maior partido da oposição, a UNITA. Nfuka Muzemba, o seu responsável e atual deputado, diz que muitas das iniciativas que entraram em vigor nos últimos tempos não mereceram consenso.
 
Um dos exemplos são os vários programas económicos vistos como eleitoralistas pela juventude da UNITA, segundo Nfuka Muzemba os jovens ficaram surpreendidos até pelas formas e modelos de aquisição, não participaram. O líder da juventude deste partido vai mais longe e critica o o programa do governo para os jovens: "O projeto Angola Jovem falhou porque a juventude não participou."
 
Juventude do MPLA opta pela filosofia

E a JMPLA, a juventude do MPLA, partido que governa angola há 37 anos, é mais apaziguador. Fernando Daniel, membro da juventude do MPLA, justifica que não interessa a proveniência, mas a população jovem deve aprofundar os esforços para ver Angola melhor.
 
Fernando Daniel prefere optar por um discurso mais filosófico e histórico: "A grande construção do país está exatamente na revolução inovada que encarna a espiritualidade do jovem de hoje. É um jovem novo. Este país está onde está porque dependeu da juventude, independentemente da sua filiação, mas sim da juventude angolana."
 
Lipoaspiração no governo?

Mas o esforço do executivo para cumprir as promessas feitas aos jovens pode cair em “saco roto”, também por causa dos gastos que tem consigo próprio.

São mais de 250 postos ministeriais, o que equivale o mesmo número de viaturas de luxo, mordomias para as famílias e empregados dos dirigentes nomeados. Serão milhões de dólares a serem gastos nos próximos cinco anos.

Reginaldo Silva é analista político e sugere alguma contenção de gastos ou austeridade para satisfazer a maioria da população. Ele explica, através da gordura, o que isso representa: "Temos um aparelho governamental ainda mais gordo, como se costuma dizer. Com mais 50 secretários de Estado temos mais gordura em termos de gastos públicos, esperemos que esta gordura tenha músculos e nervos e que sirva para ajudar o governo a resolver os graves problemas que o país tem."

Autor: Manuel Vieira (Luanda) - Edição: Nádia Issufo/António Rocha

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