quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PORTUGUESES VÃO ACEITAR DOMÍNIO DOS SAQUEADORES DO PORTUGAL PERDIDO?

 

IRS SOBE EM MÉDIA 34,6%
 
Ana Sofia Santos e João Silvestre - Expresso
 
Novo pacote de Vítor Gaspar, em alternativa à solução TSU, prevê sobretaxa no IRS e revisão dos escalões do imposto. Funcionários públicos e pensionistas veem reposto um subsídio mas podem acabar por perdê-lo com o agravamento fiscal.
 
O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, anuncia neste momento um agravamento brutal da fatura do IRS, um dos maiores aumentos de impostos em Portugal. O número de escalões vai encolher para cinco e a taxa máxima ultrapassará 50%. Esperam-se consequências para a generalidade dos portugueses que pagam IRS.
 
Além do novo desenho da tabela geral do IRS, o Governo vai também aplicar uma sobretaxa de imposto de 4%. As duas medidas vão servir para compensar o aumento da Taxa Social Única, a solução que foi abandonada na sequência da chuva de críticas de todos os quadrantes da sociedade, mas também para ajudar a levar o défice até 4,5% no próximo ano.
 
Estas mexidas vão aumentar a taxa média efetiva de IRS dos atuais 9,8% para 13,2%, o que significa que o agravamento da taxa média é de 34,6%.
 
No caso dos funcionários públicos será reposto um dos subsídios, enquanto aos pensionistas e reformados será devolvido um pouco mais do que uma desta prestação. O dinheiro reposto será depois retirado via IRS. O saldo final deverá significar que trabalhadores do Estado e pensionistas ficarão sem dois subsídios e quem trabalha no setor privado perderá cerca de um. A graduação final em cada caso dependerá do nível de rendimento da cada família e do desenho das diferentes medidas.
 
Uma certeza existe. O agravamento fiscal será superior à simples compensação da solução TSU embora, convenha recordar, que a mexida na TSU trazia associada também alterações ao nível do IRS. Este imposto é o mais penalizado neste novo pacote de Vítor Gaspar mas não é o único a ter agravamentos.
 
No que toca ao património, vão subir os impostos sobre os imóveis de alto rendimento (com valor patrimonial tributário acima de um milhão de euros) a começar a aplicar já este ano, assim como vai aumentar a tributação de outros bens de luxo (carros de alta cilindrada e barcos de recreio), do tabaco e das transações financeiras.
 
No que toca à taxa liberatória que incide sobre os dividendos, mas também sobre os juros das poupanças dos portugueses guardadas, por exemplo, em contas a prazo ficará, como já tinha sido anunciado, nos 26,5% (a tocar as taxas máximas aplicadas na União Europeia).
 
Carga fiscal subiu mais para a classe média
 
Ana Sofia Santos
 
Estudo da Deloitte, que compara anos de 2000 e 2012, mostra que impostos aumentaram, sobretudo, para quem ganha menos.
 
A classe média foi a mais fustigada com aumentos de impostos, nos últimos 12 anos. Segundo um estudo da Deloitte, entre 2000 e 2012, um casal, ambos trabalhadores, com um rendimento anual bruto de €35 mil passou de uma carga fiscal de 5,87% para 12,03%.
 
Um solteiro que ganhasse €17500 era tributado em 1,68%, quando este ano lhe são exigidos 10,64%. Tendo em conta cenários semelhantes (as mesmas despesas de saúde, por exemplo), um casal com €70 mil brutos pagava 20,43% e agora 23,46%, enquanto um solteiro neste patamar de rendimento manteve uma taxa de cerca de 30%.
 
"Continua a não haver equidade", diz Bettencourt Picanço
 
Carolina Reis - Expresso
 
Para o sindicalista, as medidas acabadas de anunciar por Vitor Gaspar são preocupantes para os trabalhadores.
 
Bettencourt Picanço, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, disse ao Expresso que considera que o Governo não seguiu a indicação do Tribunal Constitucional de que deveria haver maior equidade entre funcionários do setor público e do privado.
 
"Continua a não haver equidade, porque os trabalhadores da Função Pública perdem um subsídio e não estão isentos da sobretaxa de IRS".
 
Para o sindicalista, as medidas acabadas de anunciar por Vitor Gaspar são preocupantes para os trabalhadores. "Não conseguimos perceber como vai ser feita a devolução de um subsídio para os funcionários públicos", salienta.
 
*O título nos Compactos de Notícias são de autoria PG
 
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