quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Portugal: INCLASSIFICÁVEIS DESMANDOS

 


 
 
Fernando Dacosta – Jornal i, opinião
 
A SIC pôs-nos no sapatinho um desassombrado trabalho de investigação feito pelo jornalista Pedro Coelho sobre o BPN. As ondulações da quadra não lhe deram, porém, a receptividade merecida, necessitada. Numa primeira parte, o programa revelou os saques feitos àquela instituição por dirigentes seus, empresários, ex-ministros, ex-deputados; numa segunda, os saques dos governantes aos governados através de confiscos de subsídios, ordenados, pensões, direitos generalizados – por causa de tão inclassificáveis desmandos. Rui Tavares sintetiza: Oliveira Costa, director do banco, fez empréstimos a si próprio de 15 milhões; à filha Iolanda, de 3,4 milhões; ao braço-direito, Luís Caprichoso, de um milhão. Uma empresa de Duarte Lima (PSD) levantou 49 milhões; o ex-dirigente do mesmo partido Arlindo Rui, 75 milhões; Joaquim Coimbra (igualmente do PSD), 11 milhões; Almerindo Duarte, 23 milhões. No mundo do futebol, Aprígio dos Santos movimentou 140 milhões; empresa ligada a Dias Loureiro, 90 milhões – dinheiro que, por haver sido nacionalizado o BPN, os contribuintes têm de pagar. Só os juros anuais de um empréstimo de mais de 3 mil milhões atingem 200 milhões. Cerca de 500 importantes clientes recusam, entretanto, amortizar dívidas. Comissões parlamentares (duas), inquéritos policiais (20), processos judiciais (15 arguidos), não condenaram até agora ninguém. Apenas a comunicação social parece (ainda) funcionar neste reino de feudos e impunidades.
 
A cratera do BPN ronda 7 mil milhões de euros, o dobro do corte que o governo fará em 2013.
 
Escreve à quinta-feira


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