segunda-feira, 27 de maio de 2013

Crise do Euro. Esquerda europeia arranca com manifesto contra mais austeridade



Margarida Bon de Sousa  – Jornal i

Petição pretende juntar milhares de assinaturas contra a aprovação do Pacto para a Competitividade e Convergência

A esquerda europeia está-se a organizar contra a aprovação do Pacto para a Competitividade e Convergência pelo Conselho da Europa no final de Junho. Um vasto conjunto de deputados, economistas e sindicalistas de vários países europeus considera que a nova resolução “é a extensão, a toda a Europa, das políticas de crise que causaram um desemprego massivo em Espanha, Grécia e Portugal.

Omovimento foi lançado este mês em França, na Alemanha, na Aústria e em Itália, e é assinado pelo Fórum 21, filiados na esquerda do SPD alemão e do PSÖ austríaco, por membros do ATTAC, formado em 1998 depois do crash financeiro no Extremo-Oriente e ainda economistas e sindicalistas de toda a Europa.

“Este pacto mais não é do que um dumping salarial, a destruição das conquistas sociais e a extensão das privatizações”, pode ler-se no site da internet onde foi alojada uma petição a defender a construção de uma outra Europa, “contra a continuação da austeridade”.

Troika para todos Segundo os organizadores, as instâncias comunitárias querem que todos os Estados-membros façam “reformas estruturais” concebidas pela Comissão. Primeiramente, as medidas incidirão sobre os aspectos financeiros, mas se um país se recusar a cooperar, serão aplicadas sanções e penalizações.

“A desastrosa política de cortes, como a que foi posta em prática na Grécia, Espanha e Portugal, demonstra o que deve ser entendido como reformas estruturais, dizem. “Ou seja, cortes nos benefícios sociais, em particular o aumento da idade de reforma, a destruição de inúmeros acordos colectivos e a privatização de sectores como o da água, o da educação e o da energia.

Contra a Comissão Os subscritores da petição recusam liminarmente o novo projecto de Bruxelas e pedem aos governos de esquerda, nomeadamente a François Hollande, aos eleitos nos parlamentos nacionais e aos deputados europeus para que criem rapidamente alianças contra esta política neo-liberal. E que votem contra no Conselho da Europa. “Há uma grande necessidade de uma viragem para uma Europa democrática, social e ecológica, para o maior número de pessoas”, referem.

Na petição, considera-se que as políticas adoptadas nos últimos anos não respondem à crise e têm contribuído para um aumento recorde do desemprego na União, para 26 milhões de pessoas.

Em Espanha e Grécia, refere também, a taxa de desemprego entre os jovens já chegou aos 60%. E na maior parte desses países, os salários reais estão a cair desde há vários anos.

A União Europeia, lê-se ainda, está a reagir à crise financeira e económica com uma política de rigor muito pesada em termos de consequências e inaceitável. Os responsáveis são conhecidos. “A maioria dos chefes de Estado e do governo, os laboratórios de ideias, alguns media, as organizações patronais, a indústria financeira, o BCE e a Comissão Europeia. E as decisões são sempre as mesmas: redução da despesa pública, mais privatizações, congelamento e redução de salários, redução dos direitos e protecção dos trabalhadores e da protecção social. E as consequências são dramáticas: os despedimentos e o encerramento de empresas continuam e mantêm-se na ordem do dia”.

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