quinta-feira, 6 de junho de 2013

Angola: Petição classifica acusações contra Rafael Marques de "politicamente motivadas"



EL – MLL - Lusa

Luanda, 06 jun (Lusa) - Representantes de 16 organizações de defesa dos direitos humanos, angolanas e estrangeiras, enviaram hoje ao Procurador Geral da República de Angola uma petição em que classificam como "politicamente motivados" os ataques e acusações feitos ao ativista angolano Rafael Marques.

No texto da petição, a que a Lusa teve acesso, os representantes de 16 organizações não-governamentais (ONG) manifestam-se "preocupados" com as recentes ações judiciais intentadas contra Rafael Marques, na sequência da publicação do seu livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola", publicado em Portugal, em 2011.

No livro, Rafael Marques acusou de "crimes contra a humanidade" os generais Hélder Vieira Dias, mais conhecido como "Kopelipa", ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente angolano; Carlos Vaal da Silva, inspetor-geral do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas (FAA); Armando Neto, governador de Benguela e ex-Chefe do Estado-Maior General das FAA; Adriano Makevela, chefe da Direção Principal de Preparação de Tropas e Ensino das FAA.

João de Matos, ex-Chefe do Estado-Maior General das FAA; Luís Faceira, ex-chefe do Estado-Maior do Exército das FAA; António Faceira, ex-chefe da Divisão de Comandos; António dos Santos França "Ndalu", ex-Chefe do Estado Maior-General das FAA, e Paulo Lara são outros nomes apontados pelo ativista angolano.

Publicado em Portugal em setembro de 2011, o livro resultou de uma investigação iniciada em 2004 e documenta casos de homicídio e tortura contra os habitantes na região diamantífera das Lundas.

No documento, os signatários instam o PGR angolano, general João Maria de Sousa, a garantir que Angola respeite os "compromissos internacionais assumidos sobre os direitos humanos e o combate à corrupção, arquivando as acusações e pondo termo ao processo" contra Rafael Marques.

O ativista angolano foi alvo de queixas-crime por difamação, quer em Portugal quer em Angola, e na petição conclui-se que tais ações "parecem ser parte de um padrão de criminalização do jornalismo de investigação em Angola", conforme observou recentemente a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, durante a sua recente visita a Angola, destacam os subscritores do documento.

Além de apelarem ao arquivamento das acusações, os signatários pedem ao general João Maria de Sousa que "instaure uma investigação completa sobre as graves acusações de abusos de direitos humanos nas áreas diamantíferas das Lundas".

A petição é assinada pelos representantes da Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) e Associação Mãos Livres e OMUNGA, de Angola.

São ainda subscritores a Article 19, Comité para a Proteção dos Jornalistas, Corruption Watch UK, EG Justice, Freedom House, Global Witness, Media Legal Defence Initiative, National Endowment for Democracy, Fédération internationale des Ligues des Droits de l'Homme (FIDH) & Organisation Mondiale Contre la Torture (OMCT), Rencontre pour la paix et les droits de l'homme (RPDH), Sherpa, Transparência Internacional e World Movement for Democracy.

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