sábado, 13 de julho de 2013

Moçambique: OPERADORES PRIVADOS CORTARAM FORNECIMENTO DE ÁGUA




O País (mz)

Zona Sul: Cerca de 98% dos operadores privados suspenderam o fornecimento de água

Os pequenos operadores privados de abasteci­mento de água não re­cuaram. Concretizaram o seu aviso, emitido última terça-feira, de suspensão do fornecimento de água em todas as zonas sob sua jurisdição. Ontem, cerca de 98 por cento destes pequenos empreendedores haviam aderi­do à causa. Os seus sistemas es­tavam paralisados e não havia água nos bairros. O caos havia se instalado em quase todas as zonas periurbanas da cidade de Maputo e da região conhecida como Grande Maputo.

O nosso jornal efectuou uma ronda nas primeiras horas do dia e constatou um cenário dra­mático: senhoras percorriam distâncias à procura do precioso líquido.

Na cidade de Maputo, visitá­mos os bairros de Laulane, Ma­goanine, Mahlazine, Benfica, Bagamoio, 25 de Junho, entre outros e o cenário era o mesmo: não jorrava água nas torneiras.

“É lamentável o que nos estão a fazer. Desde às 05h00 da ma­nhã que a água não sai”, lamen­tava uma senhora, identificada pelo nome de Lúcia Simbine, residente do bairro T3, no muni­cípio da Matola. Diz que não se surpreendeu muito com a situa­ção porque já havia recebido um aviso, em comunicado, por parte do seu fornecedor, daí ter-se pre­cavido, enchendo seus tambo­res. Mas trata-se, aos seus olhos, duma precaução temporária, porque não vai conseguir gerir a situação por muitos dias. Por isso, Simbine mostrou-se agasta­da com o cenário.

Quem foi colhida de surpre­sa foi Ester Novela, residente da Zona Verde, município da Matola. Explicou ao nosso jor­nal que ela, tal como o marido, não acompanham os noticiários porque estão na faculdade, no curso nocturno, e nem tiveram a oportunidade de ter o comuni­cado da Aforamo. “Não estou a perceber o que está a acontecer. Saí às 05h00 da manhã, surpre­endi-me quando abri a torneira e não saiu água. Meu marido foi trabalhar sem fazer banho. Não entendo o que se está a passar”, lamenta, acrescentando que “fui à casa do meu fornecedor, mas está com portões trancados. Fi­quei a saber que está com medo das populações...”.

Alternativamente, os morado­res da Zona Verde e T3 recorre­ram à água dos poços. O nosso jornal presenciou um cenário dramático nas primeiras horas de ontem, numa das famílias que possui poço. Centenas de mulheres, numa longa fila, es­tavam à espera da sua vez para tirar um bidão de água.

Cenário caótico registou, igualmente, em bairros tais como Ndlavela, Khongolote, São Dâmaso, entre outros no municí­pio da Matola. Na cidade de Ma­puto, a paralisação estendeu-se aos bairros Benfica, Mahlazine, Magoanine, parte de Laulane e Ferroviário, Mahotas, Baga­moio, 25 de Junho, entre vários.

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