segunda-feira, 18 de julho de 2016

O “BANHO” VENCEU ELEIÇÕES EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, UM PAÍS CHAMADO TROVOADA

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Escrito anteriormente e previsão evidente de alguns são-tomenses: “Quem der mais banho vence as eleições.” “Banho” é a compra de votos pelos candidatos ou seus apoiantes com dinheiro para isso, “coisa que não falta à família Trovoada, que é afinal a dona do país”. Disseram-nos.

Evaristo (Trovoada) Carvalho é o novo presidente de São Tomé e Príncipe. Não que em seu nome tenha registado oficialmente o nome de Trovoada mas é sabido que é um incondicional elemento da família que há anos e anos é das de maiores influências no país. Evaristo venceu as eleições, é presidente da República a par do primeiro-ministro Patrice Trovoada, filho do “velho Trovoada”. O quadro que alguns são-tomenses expõem é de um país presidido e governado pela mesma família, com “uma oposição enfraquecida, praticamente anémica”. Tiveram “mais dinheiro, distribuíram mais banho, compraram mais votos, e agora São Tomé e Príncipe é um país a que podem também chamar Trovoada”.

Da TSF retiramos texto alusivo às eleições no país que o futuro mais ou menos próximo confirmará se vai passar a chamar-se Trovoada. Por via do “banho” é inevitável que a democracia saiu a perder e que ali poderá não ser mais que uma palavra sem sentido, a não ser um único: “palhaçada”. Esse é o sentimento dos que defendem a democracia de facto, incluindo alguns opositores. O futuro comprovará os receios dos são-tomenses e dos que se interessam pela democracia e pelo país, contra a "ditadura Trovoada" que já pronunciam e temem. (PG)

75 anos e pai de 25 filhos: São Tomé tem novo Presidente

Evaristo Carvalho foi eleito à primeira volta Presidente de São Tomé e Príncipe e já promete "coligação" com o partido no poder - que é o seu partido.

Apoiante desde sempre da família Trovoada, Evaristo Carvalho chegou no domingo à Presidência de São Tomé e Príncipe, com uma vitória na primeira volta nas eleições.

Aos 75 anos e pai de 25 filhos, Evaristo Carvalho é um histórico da política são-tomense, tendo sido, por duas ocasiões, primeiro-ministro em governos de iniciativa presidencial, com o apoio de Miguel Trovoada (o primeiro Presidente democraticamente eleito) e depois através do seu filho, Patrice Trovoada, quando este decidiu concorrer às Presidenciais de há dez anos.

Técnico de agricultura, Evaristo Carvalho começou por ser um quadro do partido único - Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe - Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) - após a independência e até ao início do multipartidarismo, na década de 1990.

Ao lado de Miguel Trovoada, de quem foi chefe de gabinete quando este foi Presidente da República, Evaristo Carvalho tem sido um dos apoiantes de sempre da Ação Democrática Independente (ADI), partido do atual primeiro-ministro, Patrice Trovoada.

"A coabitação [entre a Presidência e o Governo] tem sido difícil. Nos 25 anos da nossa democracia, houve 18 primeiros-ministros", afirmou, em entrevista recente à Lusa, o novo Presidente, que se afirma como um defensor da estabilidade: "Eu quero contribuir para que [Patrice Trovoada] acabe o seu mandato".

O novo Presidente insistiu, durante a campanha, que o seu principal objetivo é "ajudar o Governo a governar bem", procurando dar ao país "coerência política".

Vem aí uma coligação

O vencedor das eleições presidenciais de domingo de São Tomé e Príncipe, Evaristo Carvalho, mostrou-se satisfeito com a vitória e considerou que ter sido apoiado pelo partido governamental permitirá uma "coligação em prol do país".

"Estou satisfeito e desde o início que considerava que eu iria ser vitorioso. É uma vitória para São Tomé e Príncipe, uma vitória para o povo de São Tomé e Príncipe", afirmou Evaristo Carvalho, que agradeceu o apoio da Ação Democrática Independente (ADI), no poder.

"É uma vitória para o meu partido, para os meus companheiros de partido, a quem agradeço muito o apoio e a confiança. Podem confiar em mim porque eu vou exercer a função de Presidente da República com toda a seriedade, toda a lealdade e sempre contribuindo para o avanço de São Tomé e Príncipe", disse aos jornalistas, pouco depois de terem sido anunciados os resultados, ainda provisórios das eleições de domingo, em que foi eleito Presidente à primeira volta.

Evaristo Carvalho promete ser um "Presidente colaborador, conselheiro", mas também um "Presidente fiscal, sempre atento para que tudo corra dentro da normalidade".

O facto de ser da mesma cor partidária que o Governo irá ajudar à gestão do país: "É uma coligação de dirigentes que têm o mesmo pensamento, têm o mesmo programa e facilmente podem fazer entendimento e diálogo para que se trabalhe de facto em prol do país, em prol da juventude, em prol das crianças são-tomenses e em prol de toda a população".

Quanto às críticas de um risco de um poder absoluto nas mãos da ADI, Evaristo Carvalho salientou que "não é uma coisa nova" e "acontece em toda a parte do mundo" a "concentração de poderes".

"Não há ditadura", acrescentou.

Evaristo Carvalho obteve 50,1 por cento dos votos, contra 24,8 por cento de Manuel Pinto da Costa, atual Presidente, que concorria a um segundo mandato, e 24,1 por cento de Maria das Neves (apoiada pelos partidos da oposição parlamentar).

TSF

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