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domingo, 24 de julho de 2016

Portugal. O CANTO DO CISNE. PASSOS ABANDONA A POLÍTICA



João de SousaJornal Tornado, editorial

Para se dedicar à mentira despudorada em full-time. Desorientado, perdeu o contacto com a realidade. Hoje, além de alegar que o actual Governo "trucidou" 60 mil empregos veio ainda dar sugestões sobre como deveriam ser as reuniões da maioria

Passos Coelho e o actual PPD/PSD viraram caso de estudo. Radicalizado à direita, ressabiado por não governar, em pânico pela perspectiva, mais que provável, do seu próprio “desemprego a prazo”, Passos “esbraceja” qual náufrago na iminência de se afogar.

É verdade que Passos nunca teve especial apego pela verdade nem, tão-pouco, revelou quaisquer vestígios de pudor na moderação do verbo, do recurso à demagogia desmedida ou mesmo à aldrabice pura e simples. Neo-liberal da direita radical, Passos “dobra” os factos, a realidade, a racionalidade, na exacta medida do que lhe parece conveniente à prossecução do seu projecto pessoal. Porque, de acordo com a sua própria biografia, Passos é obcecado por Passos. Sabe que é um “perdedor” nato. Tem consciência de que é ignorante e que, por isso, jamais será bem sucedido numa sociedade que premeie o mérito.

Esta figura da nossa cena política sabe que não tem qualidades nem formação para justificar, por mérito próprio, o direito a um infinitesimal raio de luz na ribalta e que a única forma de conservar aquele que, por erro crasso de paralaxe, acabou por lhe cair no colo, é mentindo e fugindo para a frente.

O líder do Governo que em quatro anos de legislatura não conseguiu um único Orçamento de Estado constitucional, que falhou todas as previsões e metas, que jamais produziu um OE que bastasse ao exercício anual das contas públicas, tendo sempre de apresentar Orçamentos Rectificativos; esta figura que tolerou um vice irrevogável em cuja mão teve de comer para se manter à frente do governo, que não hesitou em falsificar os números do desemprego através dos programas de formação, estágios, sub-emprego, precariedade e contratos a prazo, teve hoje o enorme topete de afirmar que o actual governo, e a economia do país, perderam 60 mil postos de trabalho nos últimos seis meses.

Passos sabe muito bem que estes supostos 60 mil empregos correspondem às “medidas”, tão inúteis quanto excepcionais, adoptadas pelo seu Governo para disfarçar os reais números do desemprego. Passos está consciente de que as 60 mil pessoas não estavam empregadas, mas simplesmente “entretidas”, até às eleições, para não constarem dos cadernos dos centros de emprego e das estatísticas do INE. E sabe ainda que, uma vez terminadas tais pseudo formações, estágios e outros entretenimentos, estas iriam reaparecer nos supra referidos cadernos e estatísticas do desemprego. Mas decidiu fazer de conta que não sabe.

E, vai daí, toca a dilatar a Fé e o Império, que é como quem diz a mentira desesperada, arrogando-se mesmo –vanitas vanitatum – o “direito” de, em tom paternalista, “dar conselhos” ao Governo que lhe sucedeu.

Este homem já não está cá connosco. A sua memória de curto-prazo sumiu no mesmo vórtice que as suas convicções neo-liberais ultra direitistas, que conduziram à “nacionalização” de monopólios naturais –  como a REN e a EDP – a favor do Estado Chinês, sempre que vêm à baila os “apoios” estatais a empresas privadas de educação. Ele sabe que vai precisar de “mentores”, “tutores”, “protectores” e “padrinhos” num futuro mais próximo que longínquo e, qual esquilo, vai armazenado as suas nozes para o inexorável “rainy day”.

Se Passos tivesse ficado por aqui seria já ridículo quanto baste. Mas nem pensar. De Massamá para o mundo, Passos decidiu ainda intrometer-se na vida interna dos partidos da maioria parlamentar que nos governa. Para tal não se acanhou em apresentar sugestões sobre como deveriam processar-se as reuniões da maioria e os objectivos que deveriam, no seu entender de falhado, nortear tais reuniões. Isto é, regressar às políticas de subserviência ao dictat da Comissão Europeia e do BCE.

Posto isto, sugiro que alguém lhe empreste um espelho, uma Constituição e um álbum, comparado, de recortes dos jornais do tempo do seu governo com as metas que aceitou, e falhou, e os sacrifícios que, em vão, impôs a milhões de Portugueses.


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