segunda-feira, 25 de julho de 2016

Timor-Leste. DESENVOLVIMENTO NACIONAL: DO SER AO TER

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Roger Rafael Soares, Díli - opinião

Desde 2007, o Governo assumiu o compromisso de investir em políticas públicas que garantissem um maior acesso à educação, à saúde, que protegessem os mais pobres e os mais vulneráveis, que promovessem a igualdade de género, bem como o desenvolvimento do capital humano, entre outras, tendo em vista o progresso do país em matéria de desenvolvimento humano. E foi e tem sido cumprido até ao presente momento, pelo que a atuação do Governo tem primado pelo desenvolvimento nacional e pelo bem comum. E prova disso, é hoje o registo do crescimento do índice de desenvolvimento humano de Timor-Leste, comprovado pelos relatórios de Instituições Nacionais e Internacionais. Também é verdade que ainda nos debatemos com as persistentes desigualdades e desafios para que esse desenvolvimento seja mais coeso, equitativo e sustentável.

E é nesse quadro que a educação é um dos instrumentos capazes de reduzir a pobreza e de combater as desigualdades sociais e económicas.  

O investimento na formação de recursos humanos em áreas estratégicas para a promoção do desenvolvimento de Timor-Leste, nomeadamente, a título de exemplo, o envio de 75 estudantes bolseiros pelo Ministério da Educação para Portugal, Cabo Verde e Cuba, para frequentarem cursos de docência de ensino básico e secundário, será uma resposta ao atual desafio que enfrentamos em matéria de carência de formados nessas áreas, como referiu o Ministro da Educação. Áreas essas que são e serão sempre cruciais para aquisição de conhecimento científico, bem como para a preparação dos timorenses para o exercício da cidadania. Isto significa que os desafios que enfrentamos, exigem respostas e mecanismos de atuação específicos e adequados. Este investimento na formação dos timorenses por via de concessão de bolsas de estudos, o qual tem em consideração a opção de cursos de acordo com a maior funcionalidade e empregabilidade em Timor-Leste, é um sinal de retorno do investimento em educação no futuro para o desenvolvimento do país. Por sua vez, esses estudantes que beneficiam dessas bolsas devem-se esforçar em desenvolver o domínio da Língua Portuguesa, pois ainda é um desafio. E ultrapassar esse desafio parte essencialmente da dedicação e esforço de cada estudante, quanto a isso é inquestionável. Além do mais, esses estudantes beneficiários de bolsas de estudo para estudarem nos países de expressão de Língua Portuguesa usufruem de mais vantagens em adquirir o domínio, oral e escrito, da Língua - em relação aos estudantes que estão em Timor dadas as carências -, por estarem inseridos num contexto sociolinguístico português. Mas ainda assim, verifica-se um baixo domínio da Língua Portuguesa por alguns diplomados quando regressam para Timor-Leste. Portanto, o esforço e a dedicação por cada timorense na aquisição da Língua Portuguesa são essenciais.

Se por um lado estamos a investir no desenvolvimento do capital humano, na formação superior, como um projeto nacional de forte impacto positivo no progresso e desenvolvimento da nossa Nação, também teremos de reconhecer a necessidade de inserção dos diplomados, após a conclusão dos seus cursos, no mercado de trabalho. Ano após ano formam-se muitos timorenses, um número muito superior em relação ao número de postos de trabalho, significa isto que é necessário um acompanhamento de políticas e mecanismos de criação de emprego.

Nesse âmbito, considero que a coordenação entre o governo, a Comissão da Função Pública, as Instituições de Ensino Superior, o SEFOPE e as empresas, em matéria de políticas de criação de emprego, são um estímulo à empregabilidade dos jovens no mercado de trabalho, desenvolvida por critérios. Mas também considero pertinente a promoção do empreendedorismo, por se tratar de um dos mecanismos fomentadores do desenvolvimento da economia e inovação. Ser empreendedor é aquele indivíduo que aposta na sua ideia ou projeto, desafiando os riscos e assumindo responsabilidades, contribuindo para gerar valor económico. Portanto, não podemos apenas esperar pela intervenção do Governo e Entidades relevantes, é também crucial a intervenção de cada timorense, dado que a concorrência e a competitividade são um facto, e, por conseguinte, o mérito, as capacidades e produtividade de cada profissional são elementos determinantes no mercado de trabalho. O mérito de cada profissional faz a diferença. 


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