quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Angola. Congresso MPLA. Lukoki diz que partido paga “impopularidade” de José Eduardo dos Santos



Enquanto o partido “não se dissociar” do presidente, “não poderá reconquistar e conservar as suas características de vanguarda”.

O dirigente histórico do MPLA Ambrósio Lukoki, que por iniciativa pessoal se demitiu do Comité Central do partido que governa o país há 40 anos, disse que Angola não precisa de dirigentes “postiços”, mas sim de ética. O político fez estas afirmações ontem durante a conferência de imprensa que serviu explicar a sua saída no Comité Central.

“Não temos necessidades de dirigentes postiços. O país tem necessidades de constância, de autoridade e de ética. É preciso que tenhamos discursos e palavras de gravidade através dos quais se dá sentido a acção do partido e das perspectivas de que tudo deve marchar muito depressa”, disse o político, citado pela LAC.

Para Ambrósio Lukoki, enquanto José Eduardo dos Santos continuar a liderar o MPLA, o partido continuará marcado pela impopularidade.

“O presidente do partido e chefe do Estado, registando uma impopularidade recorde pela sua desinteligência, conota o partido e arrasta para a sua queda certa inocentes do MPLA. A impopularidade que está a granjear ao partido é o preço a pagar pelo MPLA , quanto à sua serenidade de instrumento ou trampolim ao engenheiro José Eduardo dos Santos para o seu absolutismo em tudo”, afirmou.

“Enquanto o partido MPLA não se dissociar do engenheiro José Eduardo dos Santos, não poderá reconquistar e conservar as suas características de vanguarda”, sublinhou.

O MPLA está a realizar neste momento o seu VII Congresso Ordinário. Ambrósio Lukoki diz que os temas não são discutidos com profundidade e os militantes são obrigados a aprovar posições sem nenhuma discussão. Este é um dos motivos apontado pelo militante que já foi membro do Bureau Político durante o mandato de Agostinho Neto.

“Cheguei a conclusão que estar no comité central já não tem sentido porque o comité central já não faz a sua função. Aos militantes são impostas posições que têm de aprovar sem a sua discussão”, revelou.

Rede Angola

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