terça-feira, 8 de novembro de 2016

A UNIDADE PROGRESSISTA EM TORNO DO MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO EM ÁFRICA




DECISIVA PARA AS INDEPENDÊNCIAS, ESTÁ NA BASE DA PAZ COM HARMONIA DAS POLÍTICAS DO PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

Os movimentos de libertação contra o colonialismo português procuraram sempre unidade de acção desde o dia 18 de Abril de 1961, quando em Casablanca, Marrocos (e com o apoio do Rei Mohamed V desse país), se constituiu a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP).

A vinda do Che para África reforçou a luta na parte austral do continente, pois determinou tacitamente dois pontos fortes da inteligência cubana, Dar es Salam e Brazzaville, numa linha que em 1965 reforçava os suportes da FRELIMO e do MPLA, tendo a 1ª coluna do Che a meia distância, a oeste do Lago Tanganika, o que reforçou tacitamente a acção militar no âmbito da CONCP em direcção à África Austral.

Por parte dos movimentos de libertação empenhados na luta contra o colonialismo português, a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), que teve em 1965 a sua segunda plenária em Dar es Salam, permitia a expressão dessa linha nos termos da libertação da África Central e Austral, antecipando outra organização que surgiria depois da independência, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e a Linha da Frente, anos mais tarde, contra o “apartheid”.

Na IIª Reunião da CONCP em Dar es Salam, a presidência rotativa da CONCP passou do MPLA para a FRELIMO.

Desconheço se houve a formulação secreta duma estratégia para além das concertações político-diplomáticas, mas as linhas tácitas são expressivas, por que faziam frente à internacional fascista a sul, conforme a expressão do acordo secreto ALCORA. (que surgiria em termos práticos 3 anos depois da passagem do Che por África, em 1968, quando os sul africanos reforçaram os dispositivos militares portugueses no Cuando Cubango).

Essas linhas tácitas decidiram a abertura da Frente Leste do MPLA tendo como rectaguarda a Zâmbia, algo que foi minado pela inteligência da internacional fascista, manipulando o presidente Kenneth Kaunda.

Durante a luta de libertação entre a FRELIMO e o MPLA assegurou-se algum apoio mútuo na frente militar, sobretudo no concernente a suprimentos pontuais no campo da logística, pois que isso se tornava exequível entre a Frente Leste de Angola e a Frente de Tete em Moçambique, dado que o desdobramento dos fornecimentos ocorria na Zâmbia.

Delegações da FRELIMO visitaram Angola e as do MPLA Moçambique. O Presidente Neto visitou Nachingweia e o MPLA esteve representado no IIº Congresso da FRELIMO.

A ambiguidade do presidente Kenneth Kaunda em relação ao MPLA e a dissidência de Daniel Chipenda (Revolta do Leste) em 1973, revelam que, para além dum pacto militar, os processos de inteligência da internacional fascista interligavam-se e no que ao colonialismo português dizia respeito, tornava-se num ambiente mais favorável à elasticidade da AGINTER PRESS, do que em relação à quadrícula obrigatória da PIDE/DGS (daí o poder de manobra de Jorge Jardim no Malawi primeiro e na Zâmbia, precisamente em 1973).

A presença diplomática em Kinshasa (António Monteiro, natural do Luena, Angola), foi também um enquadramento inteligente da internacional fascista e daí a deriva posterior da FNLA, a que aderiu o coronel Santos e Castro na batalha pela independência de Angola.

Em 1975, para assegurar a independência a CONCP, através dos Governos de Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo-Verde, desempenhou um papel de grande relevo.

Numa primeira fase tropas da Guiné (B), a que se juntaram as da Guiné (C) e do Congo (B), partiram para Angola para assegurar a defesa da faixa a sul de Luanda, ameaçada pela invasão sul-africana.

Para a faixa Norte, onde a ameaça partia das forças de Mobutu, do FLNA e dos mercenários, Moçambique despachou todos os seus BM 21 e aviões de transporte, os NORD ATLAS, assim como meios adicionais de artilharia e munições.

Estes meios mostraram-se importantes para a derrota em Quinfangondo da invasão conjunta do FLNA, Zaire e mercenários (Operação Iafeature da CIA contra Angola, sob mando de Henry Kissinger).


 Lembrar tudo isso hoje, 51 anos depois da passagem do Che por África e quando Angola comemora 41 anos de independência, é avaliar o sentido do Movimento de Libertação em África e das razões profundas da necessidade de paz em harmonia, pois a luta contra o subdesenvolvimento é a sequência lógica de todo esse colossal esforço em prol da libertação dos povos africanos nas amplas regiões Central e Austral do continente.

Para termos a noção das linhas tácitas progressistas que catapultaram o MPLA e a FRELIMO até às independências, no âmbito da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), que teve a sua segunda reunião ampla em 1965, recorde-se a expressão militar do acordo secreto ALCORA, cujos primeiros passos foram dados em Angola em 1968, o que viria a propiciar posteriormente a “Operação Savanah” das SADF contra Angola, na tentativa de colocar seus aliados (FNLA e UNITA), no poder em Luanda no dia 11 de Novembro de 1975.

Angola seria um presa dócil para a internacional fascista, ao nível do que foi o Zaíre com Mobutu no poder, se os seus planos tivessem vingado e provavelmente o seu território seria polvilhado de “bantustões”, tal como aconteceu com a Namíbia (Sudoeste Africano) ocupada e antes da batalha do Cuito Cuanavale (recorde-se: Namaland, Barterland, Damaraland, Kaokoveld, Ovamboland, Hereroland, Bushmanland, Kavangoland e Caprivi)…

**Fotos dum longo e decisivo percurso.

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