sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Corrupção lesou a economia moçambicana em cerca de cinco biliões de dólares entre 2002 e 2014



A corrupção lesa, em média, o Estado em 500 milhões de dólares por ano. Num estudo sobre os custos da corrupção para a economia de moçambique, o Centro de Integridade Pública concluiu que o valor agregado dos custos da corrupção, entre 2002 e 2014, situou-se entre 4.8 e 4.9 biliões de dólares americanos, o equivalente a cerca de 30 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2014.

No mesmo documento, a que “O País” teve acesso, a instituição concluiu que a corrupção pode ser maior e com valores consideravelmente nos casos, por si escolhidos como amostra, a exemplo das Alfândegas de Moçambique, Ematum, preços exagerados de importação de combustíveis líquidos, contratações nos sectores de telecomunicações e de construção/obras públicas.

Também na senda dos custos da corrupção para o Estado, o Gabinete de Combate à Corrupção denunciou, no relatório do primeiro semestre, o desvio de cerca de 80 milhões de dólares, dos quais apenas 14 milhões foram recuperados.

O CIP refere que esta realidade acabou pesando para consequências como perda de projectos de investimento avaliados em cerca de 90 milhões de dólares, em 2014, aumento dos custos de produção e prejuízos à actividade do sector privado, retracção do sector privado e das Pequenas e Médias Empresas a favor de empresas públicas e parcerias público-privadas, assim como para que o nome de Moçambique ficasse manchado enquanto destino de Investimento Directo Estrangeiro.

As saídas para Moçambique, segundo a instituição, passam por dinamizar o combate à corrupção, visando a mobilização de recursos fiscais domésticos adicionais, honrar os compromissos de melhorar os serviços sociais para todo o cidadão, dinamizar o sector privado doméstico, designadamente as Pequenas e Médias Empresas e, por fim, atrair mais investimento e de melhor qualidade. “Tudo isso passa, entre outros aspectos, por criar mecanismos para punir severamente e exemplarmente a grande corrupção”, conclui o Centro de Integridade Pública.


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