quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Ex-secretário para as Finanças de Hong Kong é candidato a chefe do Executivo


Hong Kong, China, 19 jan (Lusa) -- O antigo secretário para as Finanças de Hong Kong John Tsang anunciou hoje que vai concorrer às próximas eleições para chefe do Executivo, juntando-se na corrida a outros três candidatos, informou a imprensa local.

John Tsang anunciou formalmente a sua candidatura às eleições de 26 de março tendo como pano de fundo um cartaz com o slogan "Confiança, unidade e esperança".

"Se não houver confiança, se os residentes de Hong Kong não estiverem unidos, os nossos jovens não terão esperança no nosso futuro", disse numa conferência de imprensa, segundo o jornal South China Morning Post.

Tsang disse que Hong Kong enfrenta "tempos de grande incerteza" e afirmou não querer ver mais residentes a emigrarem.

O ex-secretário das Finanças, cuja renúncia ao cargo realizada em dezembro recebeu luz verde na segunda-feira, relacionou a atual situação na antiga colónica britânica com o ano de 1982, quando a sociedade de Hong Kong, segundo disse, enfrentou uma crise de confiança.

"Nessa altura, muitas pessoas queriam emigrar", disse. "Agora a emigração tornou-se o tema de conversa na cidade outra vez", afirmou.

Tsang disse não querer ouvir falar em "emigração" motivada pelo descontentamento social, razão que o inspirou a candidatar-se a líder da cidade.

O antigo secretário para as Finanças, que integrou os governos de dois chefes do Executivo, incluindo o do cessante CY Leung, considerou "correta" a política de habitação do ainda líder de Hong Kong e prometeu trabalhar para continuar a encontrar terrenos para construir casas e resolver o problema da falta de habitação.

Tsang deixou claro que não é adepto da ideia de independência, afirmando que os que a defendem "não sabem o que é Hong Kong, porque a China tem sido sempre o núcleo da identidade dos residentes da cidade".

Além disso, acrescentou que Hong Kong não seria o que é hoje se não fosse parte da China.

"Uma grande cidade tem um grande país (por detrás). Sem a Grã-Bretanha não haveria Londres. Sem os estados Unidos não haveria Nova Iorque. Hong Kong pode tornar-se melhor porque está a abraçar uma grande mãe pátria".

O anúncio de John Tsang surge dias depois de Carrie Lam, antiga número dois do governo de CY Leung, ter anunciado a sua candidatura formal ao cargo.

Regina Ip, antiga secretária para a Segurança e membro do Novo Partido Popular (New People's Party), o juiz na reforma Woo Kwok-hing, e Wu Sai-chuen, um ex-membro da Aliança Democrática para a Melhoria e Progresso de Hong Kong [DAB, na sigla inglesa], são os restantes três candidatos que formalizaram as candidaturas ao cargo.

O impopular líder da cidade, Leung Chun-ying, também conhecido por CY Leung, e considerado por muitos dos seus críticos como um "fantoche" de Pequim, disse a 09 de dezembro que deixaria o cargo em julho e não voltaria a concorrer ao lugar de chefe do Executivo.

Ao abrigo do atual sistema eleitoral, o líder do Governo de Hong Kong é selecionado por um colégio eleitoral de 1.200 membros representativos dos vários setores sociais.

Em 2014, Pequim avançou com uma proposta de reforma política que previa a introdução de voto universal para o líder do Governo, mas só depois de os candidatos (dois a três) serem pré-selecionados por uma comissão de 1.200 membros, vista como próxima de Pequim.

A proposta, que ainda em 2014 esteve na origem do movimento Occupy, que durante 79 dias bloqueou as ruas da cidade, foi rejeitada pelo Conselho Legislativo em junho de 2015.

O pacote de reforma política proposto por Pequim acabou por ser chumbado pelo voto contra dos democratas.

FV (DM) // FPA

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