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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

SOARES ‘PRÁQUI’, SOARES ‘PRÁLI’… UF! QUE FARTUM!




Mário Motta, Lisboa

Hoje, quarta-feira, 11 de janeiro, é o último dia do luto nacional decretado pelo governo em memória e homenagem a Mário Soares. Foram quatro dias de Mário Soares em dose excessiva, provavelmente nem o próprio, de si para si, concordaria. Quer parecer que não.

Nas rádios ouvimos (ainda se ouve) Soares, Soares, Soares. Nas televisões idem. Nos jornais o mesmo fartum. Os profissionais de comunicação social quase conseguiram fazer de um homem admirado e popular alguém indesejado que por quatro dias, constantemente, nos entrou (ainda entra) pela casa dentro sem ser convidado. Na morte de Mário Soares os média não encontraram meio-termo mas sim excesso a rasar o vómito. Quase ao estilo do anúncio e cobertura da morte do ditador Salazar.

Evidentemente que durante os quatro dias o tema esgotado levou os jornalistas a quase entrevistarem os animais de estimação dos plebeus e, principalmente, das figuras de Estado ou públicas. E houve até quem chamasse a Soares “pai da democracia” quando é sabido que Soares não se considerava nada disso e já antes havia declarado que era pai dos seus filhos e que aí parou. “Que vão chamar pai a outro”, respondeu Soares. Mesmo assim os excessivos não perderam a oportunidade para epitetar Soares de pai à força de uma democracia enfezada, muitas vezes vergonhosa por ser aproveitada para ser abandalhada por cromos nefastos como Cavaco Silva, Passos Coelho e outros do mesmo jaez.

A grandeza de Soares não precisava de tanto fartum de manifestações espúrias ao estilo de feira das vaidades. Pelas suas decisões e atitudes políticas positivas e negativas demonstrou ser dotado de capacidades e personalidade que não podíamos ignorar e muitas vezes havíamos de concordar, admirar e apoiar. Mas só isso. Muitos preferem recordar a grandeza de Soares pela resistência à ditadura salazarista mas passaram a ser seus contestatários após o 25 de Abril, com razão em muitos aspetos e sem razão noutros. A política é isso mesmo. E a democracia também… se houver tolerância e diálogo.

Uff! Até que enfim que o dia está a acabar e os excessos praticados e baseados em falsos pretextos soaristas da comunicação social também.

Até sempre, Mário Soares!

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