sexta-feira, 21 de abril de 2017

UMA SÍRIA A RETALHOS

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A Síria, um país com 185.180 km2 situado no Médio Oriente (Ásia do Sudoeste), é actualmente (desde a eclosão induzida da “Primavera Árabe” em 2011), uma manta de retalhos, um labirinto onde se multiplicam os agentes de caos e de terrorismo, que se cruzam com os mais diversos e sensíveis grupos étnicos e religiosos que povoam toda a região, alguns dos quais desde há milénios.

Os manifestantes, conduzidos por agitadores profissionais apoiados pelos ocidentais e seus aliados das monarquias arábicas wahabitas, “produziram” múltiplas “praças Maidan” em todas as cidades sírias praticamente em simultâneo em 2011 e 2012, institucionalizando a subversão a partir de então numa escalada que obrigou a passar do estágio civil para o estágio militar, pois uma parte do recrutamento, incluindo o recrutamento do Estado Islâmico e da Frente al-Nusra, ficaram assim garantidos a partir de rectaguardas múltiplas: Turquia, Israel, Jordânia e Iraque.

Por outro lado a injecção de mercenários nos vários instrumentos da subversão, podia-se então começar a fazer em função das necessidades e da evolução da situação militar, na medida em que também eram fornecidos os armamentos aferidos ao desenrolar das batalhas.

Apesar disso o governo do Partido Árabe Socialista Baath que tem à frente Bashar al-Assad, apoiado pela força-tarefa russa de geometria e sensibilidade variável, assim como pelo Irão e grupos afins que se encontram espalhados desde o Líbano até fronteira iraniana-síria, dominam no essencial do território, nas regiões mais densamente povoadas do país e nas cidades mais cosmopolitas e importantes, como Damasco, Alepo, Homs, Latakia, ou Tartus.

Essa população torna muito mais densamente povoada a parte ocidental síria que engloba a costa do Mediterrâneo Oriental, a cadeia montanhosa que se estende de norte a sul (Jebel an-Nusariyah) e os declives suaves a leste, cortados por alguns rios como o Orontes (que nasce a sul, no Vale de Beqaa, cruza o território com direcção sul-norte em paralelo à costa e entra na Turquia onde desagua em Samandag; possui 571 km de extensão) e o Eufrates, (o maior rio da Mesopotâmia com 650 km de extensão, nasce na Turquia e cruza com sentido noroeste-sudeste a Síria; no Iraque junta-se ao Tigre formando o Xátalárabe).

As forças armadas sírias, emanação do Partido Baath, vão ganhando terreno expulsando para os desertos a leste as mais diversas organizações rebeldes, todavia há ainda muitos escolhos no seu caminho, por que os terroristas possuem ainda fontes próprias de financiamento, dentro e fora do território sírio, recebendo treino e armamento praticamente das mesmas fontes e o seu “modus operandi” esteve sobretudo dimensionado para a guerrilha urbana, na disputa do miolo estratégico do país, mas está a ser redimensionado para uma escalada que pode levar a um conflito de posições, com uma superior capacidade militar.

As últimas iniciativas das Forças Armadas Sírias, alargaram os cordões de segurança em Damasco, Latakia, Alepo e Homs, reforçando as linhas de comunicação com Daraa, a sul, Palmira a leste e Deir es-Zog, a bordeste, localidade que poderá vir a ser conquistada em breve, sem contudo penetrar no Curdistão sírio, que faz fronteira com a Turquia, a norte.

Apostadas AS Forças Armadas Sírias numa ofensiva a norte, dão azo a que os Estados Unidos, a partir da Jordânia (fronteira sul da Síria) e com o “guarda-chuva” de Israel nos montes Golã, estejam a preparar em escalada as próximas acções do Exército Livre da Síria, que responde à Coalizão Nacional Síria, apoiada pela NATO e pelos seus aliados das monarquias arábicas.

A Coalizão Nacional Síria e o Exército Livre da Síria, são um vaso comunicante com organizações terroristas que incluem algumas fragmentadas franjas da Al-Qaeda e até do Estado Islâmico.

A Coalização Nacional Síria precisa de território mais amplo para melhor poder negociar e por isso o Pentágono escolheu a altura para o reforçar a partir da Jordânia e Iraque (na sequência da reconquista de Mossul), passando da fasquia do caos e do terrorismo, para uma confrontação “mais aberta” que inclui posições fixas e poderosos movimentos de tropas, que podem vir a incluir forças estado-unidenses e da NATO.

A situação está a evoluir para tornar a Síria num alvo de primeira grandeza para poderem utilizar as bombas nucleares de recente geração, as B61-12, cujos testes entraram em período final e em breve estarão prontas para a “nova campanha Trump”!

A Itália está a ser a rectaguarda remota da operação na Síria, com a materialização do papel do“Maritim Security Program“, lançado em 2001 por George W. Bush.

Retalhar (ou “balcanizar”, como queiram) a Síria, poderá abrir um corredor a leste no território onde poderão fluir poderosas confrontações alinhando com o actual governo da Síria, a Rússia e o Irão e com os fantoches sírios da Coalizão Nacional Síria, os Estados Unidos, a NATO, a Jordânia, Israel e as monarquias arábicas com a Arábia Saudita e o Qatar à cabeça!

Nessa altura poderá haver uma junção das guerras na Siria, com as  que estão em curso no Iémen, algo que poderá contaminar África, do Sudão à Somália!

A trajectória do recente ataque dos 59 mísseis estado-unidenses à base da aviação das Forças Armadas Sírias a sudeste de Homs, é um indicador das potencialidades do golpe terrestre ao serviço da Coalizão Nacional Síria a partir da Jordânia e do Iraque, num esforço militar que poderá procurar criar uma “capital provisória” em Daraa!

Mapas: Uma Síria a retalhos e a trajectória do recente ataque naval dos Estados Unidos à Síria, prelúdio da escalada que se está já a preparar.

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