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terça-feira, 13 de junho de 2017

Revolta da Amélia | “O COSTA E A GERINGONÇA QUE VÃO À MERDA!”



Feriado em Lisboa. Dia de Santo António (e ele não era nem é de Pádua). Não se come nem se bebe à fartazana. As sardinhas estão muito caras e o restante também. Os plebeus quase que nem ao preço do pão podem chegar. E sardinhas sem pão é como ter uma namorada que no corpo e na voz sai ao pai. Apesar da “crise” houve marchas em Lisboa. E arraiais. Escorreu por aí algum dinheiro para os que negociaram. Gente que também anda de cinto apertado. Viu-se isso nos bairros. Mas, senhor António Costa, senhores do PS, vocês andam a serrar presunto porque estão distraídos ou então fazem-no por desonestidade de vários tipos – entre as quais faltar à palavra, às promessas. Vocemecês já estão a ir demasiado para o centrão mas a governar a contar com o apoio de esquerda. Sabemos que os do malfadado arco da governação funcionam assim mas esta era a hora de perderem os vícios de deixarem de se abraçar aos que nos sugam até mais não poderem só porque deixamos de respirar de tanto sufoco.

Então e os offshores… Ah, este e aqueloutro pode ser, aqueles acolá é que não… Porra! Imaginem que uns quantos tipos roubam, assaltam bancos e etc. e depois vão metê-lo nos offshores. E é o que acontece, mais coisa menos coisa é assim. Mas vós, ditos socialistas, estão com fé no processo. Podem baldar-se com as massas para os offshores que nós indicamos. Que raio, isso é quase o papel do receptador nos crimes da plebe que abunda nas prisões. Os perrapados, já se vê.

Mas não é só nisto que o PS, e Costa, anda a meter os pés pelas mãos e a baralhar-se limpando os lábios quando defeca. Enunciar seria fastidioso e a boa-vontade em acreditar num PS à esquerda está a terminar. Vejam lá as multas para os que não têm dinheiro para pagarem os transportes. Valores de centenas de euros por causa da inexistência de um título de transporte que custa 2 euros? E já pensaram que os que não pagam é porque não têm emprego, não têm dinheiro, mas têm de se deslocar para ir a entrevistas, entregar currículos, labutar para encontrar emprego? E depois no primeiro mês, se encontrarem emprego, onde têm o dinheiro para comprar o passe de transporte? Vão a pé? Quilómetros e quilómetros? Pois. Isso é sempre muito fácil de dizer e aos burocratas de decidir porque andam em automóveis pagos por todos nós, com gasolina paga por todos nós, com motoristas pagos por todos nós. Que salvaguarda têm os desempregados? E os velhos com reformas de miséria mas que têm de andar em transportes públicos, ir a médicos, aos hospitais, fazer exames aqui e ali… Pois. Como ainda há dias dizia a senhora Amélia, idosa educada enquanto não lhe chega a mostarda ao nariz: “O Costa e a Geringonça que vão à merda, cada vez se estão a parecer mais com o Passos, o Portas e o Cavaco”.

Como diriam os plebeus que andam a ficar desiludidos: "Pois é, Costa. Aprende, que a vida custa, Costa. Ou isso, ou serás promovido a manjerico do arco da governação. E a luta continua também contra um PS que é do centro e da direita. Que só desonestamente se afirma socialista."

Senhor Costa, mire-se no exemplo do PS francês. Pois.

Adiante com o Expresso Curto, de Valdemar Cruz. A seguir, se continuar ler.

Pronto. Chega, por agora.

MM | PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Valdemar Cruz | Expresso

Enquanto Lisboa Dorme

Hoje é o dia! Eis chegado o momento de proclamar a gloriosa máxima dos idos de 1975 e outros quentes verões, quando bombas explodiam e matavam a Norte, onde, dizia-se, se trabalhava, enquanto no Sul se gastava o dinheiro. Está encontrada a deixa, porque é de dinheirinho que quero falar nesta manhã trabalhosa, chuvosa e de grandes trovoadas, a Norte, enquanto no sul lisboeta se faz gazeta. O dinheiro vem à colação a propósito de um acalorado debate ontem travado na Assembleia da República. Por isso, é este o momento em que apetecer dizer, não apenas por tique reacionário, que Lisboa anda mesmo a dormir. Entenda-se aqui Lisboa como metáfora do poder político sediado na capital e que não sabe, não pode, ou não quer lidar com esse monumento à livre iniciativa e ao capitalismo solidário – contradição nos termos? – que dá pelo nome de “off-shore”.

PSD e CDS atiraram-se ao Governo por, ao excluir o Uruguai e as ilhas de Man e de Jersey da lista negra de paraísos fiscais, ter cometido uma ilegalidade. Ripostou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais para dizer que aqueles partidos estão a criar “uma floresta de fantasias e falsidades”. Sobre o que está em causa neste debate, nada como ler o detalhado trabalho do Adriano Nobre com 15 perguntas capazes de dar resposta a algumas das questões essenciais sobre um tema que ao longo dos anos tem aproximado, mais do que distanciado, sucessivos governos com a participação do PSD, CDS e PS. Em causa estão paraísos de acesso restrito, onde nem a lei fiscal, nem as autoridades judiciárias ou a supervisão financeira entram, decidem, ou controlam o que quer que seja. São muitos e estão espalhados pelo mundo, como o mostra este trabalho da Economist Intelligence Unit.

São milhões, biliões de euros a circular em roda livre, ao ponto de, num estudo bem mais antigo daquela estrutura ligada à insuspeita The Economist, sintomaticamente intitulado “Lugares ao Sol”, se afirmar, após o sub-título “parasitas ou pioneiros?” que estes centros “são frequentemente retratados como parasitas financeiros que sobrevivem desviando impostos e outras receitas da economia ‘real’, oferecendo um paraíso para fraudes fiscais e lavagens de dinheiro. Em parte isto continua a acontecer – mas acontece de igual modo nas grandes economias”. Pois. Valha-nos Stº António, que não tem culpa nenhuma disto e só está à espera do S. João para tomarem juntos um copo com o S. Pedro. Até porque já perceberam que, não obstante estes ocasionais e trepidantes desaguisados, tudo vai continuar na mesma no que às “shores” que são “off” diga respeito. Porque Lisboa prefere continuar a dormir.

OUTRAS NOTÍCIAS

Onde não falta trepidação, é na TAP. Aí está mais um foco de conflito entre Governo e PSD a propósito da nomeação da Lacerda Machado para o Conselho de Administração (CA) da transportadora aérea, embora também CDS, PCP e Bloco coloquem as maiores das reservas à escolha feita. Entretanto são já conhecidos os doze elementos que compõem o CA da empresa. Pode conhecê-los aqui, num texto da Margarida Fiúza.

De turbulência, ainda, se trata quando se fala das (não) relações entre o empresário Mário Ferreira e a eurodeputada Ana Gomes, que o acusa da autoria de um negócio que constitui um “caso flagrante” de corrupção. Em causa está a compra pelo dono da Douro Azul do navio Atlântida ao Estado por €8,7 milhões para o vender pelo dobro do preço oito meses mais tarde. Mário Ferreira imputa à eurodeputada os crimes de ofensa e calúnia e o Parlamento Europeu terá de decidir se lhe levanta a imunidade.

Tempestuosa pode ser a revelação do Diário de Notícias, segundo o qual Rui Moreira não declarou ao Tribunal Constitucional interesses na Selminho. O jornal revela que o presidente da CM do Porto tinha uma participação indireta na imobiliária familiar, que já estava em litígio com o município quando o autarca foi eleito. No Gabinete de Moreira garante-se que todas as suas “declarações públicas são verdades inatacáveis”.

A Procuradoria-Geral da República, avança o Público, pretende restringir o acesso das secretas a dados de comunicações que envolvam crimes de corrupção, tráfico de influência, participação económica em negócio ou branqueamento.

LÁ FORA

No mundo de Trump, tudo pode acontecer. Como a inenarrável reunião do seu gabinete, transmitida durante a madrugada pelas televisões, com cenas que mais pareciam retiradas de um dos reality shows que o tornaram famoso, como dizia a Euronews. Na primeira reunião formal do seu gabinete aconteceu o que o presidente mais gosta: uma celebração dele próprio. Um após outro, os membros do Gabinete reunidos à volta da mesa desataram a manifestar o seu júbilo pelas excelsas qualidades de Trump. Isto faz lembrar qualquer coisa. Não? Mais lá para Oriente...

Não obstante a adulação, Trump ainda vai tendo de lidar com os tribunais, como o que agora veio dizer que a ordem executiva que visa proibir a entrada nos EUA de refugiados ou cidadãos oriundos de seis países muçulmanos viola a legislação sobre emigração. Trump vai continuar a recorrer, embora tenha perdido todos os recursos até agora interpostos.

E a filha de Trump? Ivanka Também é notícia. Os trabalhadores da fábrica de roupas em Subang, na Indonésia, queixam-se de salários tão baixos que não conseguem viver com os seus filhos. Falam de intimidações anti-sindicatos e de mulheres a quem são oferecidos bónus casos não utilizem tempo de descanso quando estão menstruadas. A reportagem está na edição norte-americana do The Guardian.

Centenas de pessoas foram detidas na Rússia por participarem em manifestações contra a corrupção. Sob o lema “exigimos resposta”, tinham sido convocadas para Moscovo, San Petersburgo e outras cidades pelo opositor de Putin, Alexei Navalni.

Richard and Mildred Loving (ela negra, ele branco) casaram-se em 1958. Um ano depois eram acusados de violar uma lei da Virgínia, nos EUA, que proibia casais inter-raciais de – para contornarem uma proibição local - irem casar-se num outro Estado e regressarem. Foram condenados a um ano de prisão. Depois de recorrerem de uma decisão do Supremo Tribunal da Virgínia, o Supremo Tribunal dos EUA decidiu por unanimidade que a proibição da Virgínia era inconstitucional. Abria-se assim a porta à legalização dos casamentos inter-raciais. Aquela decisão foi tomada no dia 12 de junho de 1967. Passaram ontem 50 anos, mas a discriminação não é ainda um fantasma do passado.

AS MANCHETES DE HOJE

Entrada de Lacerda na TAP põe fim a assessoria a António Costa – Público

Tribunal Constitucional Rui Moreira não declarou interesses na Selminho – DN

Transportes Governo dá perdão de 75% a multas em atraso - JN

Tribunal diz que Isaltino não pagou indemnização ao Estado – I

Bebés à Ronaldo custam 200 mil euros – Correio da Manhã

FRASES

“Quando alguns pensavam que o socialismo está morto, que já não tem carisma, verificamos um desempenho notável de um homem velho (Jeremy Corbin), levando atrás de si uma boa parte da juventude”. Ângelo Correia, empresário, ex-dirigente do PSD, no programa 360 da RTP3

“Corbin não é propriamente um marxista, mas introduziu no seu discurso elementos há muito abandonados pelo Partido Trabalhista e que correspondem ao sentir das pessoas”. Bernardino Soares, presidente da CM de Loures, eleito pela CDU, no programa 360 da RTP3

“Meti-nos nesta confusão, vou tirar-nos dela”. Theresa May, ex, atual ou futura primeira-ministra de Inglaterra

“Foi o eixo franco-alemão que construiu este euro e que desenhou o Tratado de Lisboa. A integração pensada por este eixo foi e continuará a ser aquela que acentua a sua própria centralidade e torna as periferias ainda mais periféricas”. Daniel Oliveira, comentador, no Expresso Diário

“Mesmo os que pensam que a Guerra dos Seis Dias (…) foi necessária porque Israel tinha de se defender, devem reconhecer que a ocupação e tudo o que sucedeu depois constituem um desastre absoluto. Não apenas para os palestinianos, mas também para os israelitas, seja do ponto de vista estratégico, seja do ponto de vista ético”. Daniel Barenboim, pianista e diretor de orquestra argentino-israelita, também com cidadania palestiniana e espanhola, em artigo de opinião no El País

O QUE ANDO A LER

“Porque é que não tens medo de te aproximares das pessoas?”

“Eu tenho”, respondi. “Mas é melhor do que estar sozinho”.

Este diálogo entre uma mãe e um filho acontece a três páginas do final de “Debaixo da Pele”, de David Machado, e traduz bem a atmosfera de um livro perturbante escrito por quem já nos dera “Índice Médio de Felicidade”, Prémio, em 2015, da União Europeia para a Literatura, adaptado ao cinema por Joaquim Leitão, com estreia prevista para este ano.

Terminei a leitura no fim-de-semana e raras vezes terei achado um título tão adequado, tão agarrado ao âmago de quanto ali, não apenas arranha, como penetra fundo na pele e alastra pelo corpo feito metáfora da vivência de uma rapariga como Júlia. Mesmo quando a julgamos ausente, assume uma presença avassaladora em toda esta história nascida de uma dor tão íntima, tão cruel, que se torna indizível. Júlia, 19 anos, é uma vítima de violência que opta por silenciar quanto lhe aconteceu. Vive na ilusão de ser esse o caminho para um esquecimento afinal impossível. Os pais veem-na cada vez mais distante. Desaparece do convívio com as amigas. O seu quarto transforma-se no seu universo. Distante de tudo e de todos. Até o dia em que já não aguenta as discussões de um casal residente no seu prédio e, sobretudo, não suporta mais a angústia contida no olhar de Catarina, a filha dos vizinhos. Júlia decide que tem de resgatar a criança daquele pesadelo. Salvá-la (ou raptá-la?) será como que uma forma de se salvar a si própria. Porém, demasiadas vezes, o que se supõe ser o caminho da salvação, desemboca em múltiplas encruzilhadas de perdição. O passado é um lugar aonde não se volta. O passado, porém, estará sempre presente no estranho e surpreendente percurso de vida de Júlia e Catarina, que vamos acompanhando ao longo de anos, narrado de uma forma singular por David Machado.

Chegou-me ontem às mãos o primeiro número de uma nova revista literária: “A Morte do Artista”. Com “periodicidade eventual”, um bom grafismo, uma bela capa, textos inéditos de vários autores portugueses, homenageia Mário de Carvalho, inclui fotografia e muita poesia. Está aberto o apetite para a leitura.

Por aqui se fica o seu Expresso Curto. Espero que tenha saído a seu gosto. Ao longo do dia vamos tendo mais para dar no sempre dinâmico sítio do Expresso.

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