quinta-feira, 7 de junho de 2018

Portugal | Costa abandona “geringonça” à esquerda e ruma à “traquitana” do CDS e PSD

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PS, zelador dos grandes empresários, não diz mas pensa: “os trabalhadores que se lixem. Contentem-se com migalhas!”

Se é verdade que até há alguns tempos o governo PS era da “geringonça”, com apoio de incidência parlamentar de partidos de esquerda, passou a ser da “traquitana” para agradar aos partidos de direita e ao grande patronato. Grosso modo é o que refere Jerónimo de Sousa pelo que nos é noticiado

Já há alguns meses que vem sendo cada vez mais flagrante o rumo do governo de Costa às políticas do Bloco Central que ele, mentindo, tem vindo a dizer disso não ser apologista. Pois, bem, o que será então este sistemático encosto às políticas de direita? E porque tanto vem mentindo e ludibriando os portugueses? Porque insiste em prosseguir as políticas de direita preconizadas pelo CDS e pelo PSD? Porque se encosta o Costa à direita e às conveniências e interesses dos grandes empresários? Na consertação social (não só) é o que vem estando à vista, tudo em grande para uns quantos e migalhas para os milhões que trabalham e produzem. Porque há dinheiro para bancos e banqueiros mas não há para os trabalhadores? Ou dirá Costa que veio aumentando as pensões, assim como o salário mínimo? Mas isso são migalhas, homem d'um raio! Não será nunca assim que a vergonhosa disparidade entre ricos e pobres encurtará até tomar proporções minimamente decentes, mais justas. Em que os portugueses, apesar de trabalharem no duro, não vêem ao fim do mês um vencimento que lhes permita viver com dignidade, sem estarem tão próximos da miséria. Ou mesmo em permanente e desesperante miséria!

A continuar assim, iludindo, mentindo aos portugueses, vai igualar ou até suplantar o grande aldrabão, o vigarista, Passos Coelho. Da “geringonça” à “traquitana” vai uma grande diferença, tanta quanto da miséria à opulência. Costa e o PS estão a dar os passos na estrada em que sempre estiveram, na estrada dos ricos, dos que até nem se sabe como enriquecem de um momento para o outro. Ou sabe-se, mas a justiça não quer saber, nem mesmo quando faz de conta que investiga e os “cerca” – o que regra geral dá em nada.

Francisco Assis disse no congresso que "Costa conseguiu anestesiar os partidos de esquerda". Não foi exatamente isso que aconteceu. O que aconteceu na realiadade é que António Costa e o PS têm vindo a mentir e a iludir sistemáticamente milhões de portugueses. O que para os Assis do PS será coisa pouca, tão enfeudados que estão à direita militando num socialismo de mentira que vem de longe no tempo.

A seguir, Jerónimo de Sousa, a dizer o que importa escutar e meditar, prosa no Notícias ao Minuto. Podemos estar em crer que quanto mais se aproximarem as eleições mais à direita estará o PS, os “socialistas” do capital, dos grandes patrões, dos grandes interesses de corporações empresariais que acabam por “absorver” tantos do PS, do PSD e do CDS. Sabemos porquê…

(MM | PG)

"Será mais vantajoso pagar a taxa do que pagar um salário digno"

Nas jornadas parlamentares do seu partido, Jerónimo de Sousa criticou o Governo e "os protagonistas do costume" pelas medidas apresentadas à concertação social.

Jerónimo de Sousa discursou nas jornadas parlamentares do PCP atacando Governo e os “protagonistas do costume” devido ao pacote de medidas que Costa apresentou à concertação social, que no entender do comunista, não servem para mais do que dar “uma ilusão de mudança”.

“O PS e o seu Governo não seguem o seu caminho, quando juntos com o PSD e CDS, agem para manter intocáveis para manter os interesses do grande capital nesta e noutras matérias. E do recente acordo de concertação com os protagonistas do costume e o explícito apoio do PSD confirmam-no”, começou por explicar, afirmando que não acredita no que se faz crer que foi o grande patronato a ir de encontro ao Governo e não o Governo “ao encontro das proteções das confederações do grande capital”.

Para Jerónimo de Sousa, o conteúdo do acordo mostra que foi o Governo a ceder a tais interesses. “Num passo de mágica dá-se a ideia de que tudo vai mudar, mas por baixo do manto de fantasia o que é essencial está lá e lá continua. Não mudou e o que se acrescentou para dar a ilusão de mudança é para ficar pior, como é o caso do alargamento do período experimental para 180 dias ou de criação de um novo banco de horas grupal reformulado”, denunciou o líder do PCP.

Esta concertação do Governo com o patronato tem, para Jerónimo de Sousa, o intuito de “manter a caducidade” de contratação coletiva e recusa a “introdução de um tratamento mais favorável ao trabalhador, continuando a anular “direitos laborais nucleares”.

No seu discurso, o líder comunista garantiu que o grande patronato não abre mão da precarização do trabalho com o propósito de pressionar as organizações de trabalhadores a aceitarem piores condições de trabalho e menos direitos em futuras convenções de trabalho. 

“Acena-se com a redução do tempo de duração dos contratos a prazo, mas levantando o resplandecente véu da ilusão. Lá está a intenção de duplicar o período experimental para seis meses. Seis meses de experiência, em experiência e numa posição de maior fragilidade é o que com maior probabilidade os jovens à procura do primeiro emprego podem esperar”, disse, continuando: “Apresenta-se como grande medida a criação da taxa penalizadora para empresas que passem certo nível de precariedade dito aceitável. Mas paga a taxa, essa espécie de licença ou de bula, a exploração do trabalho precário segue o seu caminho, agora legalizado, porque será mais vantajoso pagar a taxa do que pagar um salário digno e assegurar trabalho, reconhecendo direitos”.

O que Jerónimo não vê neste acordo são medidas que garantam “o justo princípio” de que um posto de trabalho permanente corresponde a um contrato de trabalho efetivo. Já em relação à desregulação dos horários, o político fez sobressair que “se fecham as portas de um lado e escancaram-se de outro, mantendo as chamadas adaptabilidades e o banco de horas, agora numa nova versão, que permite prolongar o horário por mais duas horas por dia, podendo atingir as 50 horas semanais, criando crescentes dificuldades à compatibilização da vida profissional com a vida pessoal e familiar”, concluiu, apelando à união e luta dos trabalhadores que culminará na manifestação nacional em Lisboa convocada pela CGTP, no próximo dia de 9 de junho.

Tiago Miguel Simões | Notícias ao Minuto | Imagem de Henricartoon
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