domingo, 6 de maio de 2012

Indonésia-Portugal: Nova câmara de comércio quer dinamizar relações



RBV - Lusa

Lisboa, 06 mai (Lusa) -- A Câmara de Comércio e Indústria Indonésia-Portugal nasce na segunda-feira, para aumentar as relações económicas e comerciais bilaterais, pouco antes da primeira visita à Indonésia do Presidente da República português, disse hoje o responsável pela nova organização.

"É fundamental existirem grupos associativos que promovam esta partilha de experiências e de contactos em prol de interesses comuns, para que nasçam oportunidades de negócio que potenciem as relações económicas bilaterais", afirmou à Lusa Luciano Coelho da Silva, presidente da comissão instaladora da câmara de comércio e cônsul honorário da Indonésia no Porto.

Luciano Coelho da Silva admitiu que, apesar de a organização já estar em funcionamento "informal", o lançamento oficial, na segunda-feira, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, se enquadra na visita que Aníbal Cavaco Silva fará este mês à Indonésia, bem como a Timor-Leste, Austrália e Singapura.

"A visita impulsionou uma série de dinâmicas que levam uma delegação empresarial extensa. É um momento que exige que não só se marque presença mas também se participe ativamente na dinâmica que vai arrancar", referiu.

A câmara de comércio nasce assim com o objetivo de partilhar informações sobre empresas e mercados dos dois países, prestar serviços de apoio empresarial, de ambiente de negócios e parcerias e organizar missões comerciais, para reforçar as relações comerciais.

Em 2011, segundo estatísticas oficiais portuguesas, Portugal exportou para a Indonésia cerca de 11 milhões de euros e importou 87 milhões de euros. No entanto, nos dois primeiros meses de 2012, as exportações portuguesas aumentaram 303,3 por cento, em comparação com igual período do ano anterior.

"A Indonésia é, sem dúvida, a par do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, uma das maiores potências emergentes. É o quarto maior país do mundo, em população, com cerca de 240 milhões de habitantes, é a terceira maior democracia mundial, é o maior país muçulmano do mundo, enfim, é um mercado que dificilmente Portugal pode ignorar", referiu Luciano Coelho da Silva

Em termos de setores, Luciano Coelho da Silva considerou que a relação comercial entre os dois países pode ganhar mais dinâmica em áreas como a energia - o setor petrolífero, do gás, e das energias renováveis -, o turismo, ou o desenvolvimento de infraestruturas, bem como as parcerias na área da investigação e da tecnologia.

"O mercado europeu, que se vai reduzindo, tem de ser imediatamente compensado com a nossa presença nestes mercados emergentes, onde existe mais população. É para aí que temos de nos virar. Se, há 500 anos, os nossos antepassados tinham o monopólio do comércio internacional, eu não vejo razão nenhuma para que os seus descendentes não retomem esse espírito de aventura", acrescentou.

Após 24 anos de interrupção devido à questão de Timor-Leste, Portugal e a Indonésia restabeleceram as relações diplomáticas em dezembro de 1999.

Luciano Coelho da Silva defendeu ainda o investimento na Indonésia como forma de as empresas portuguesas se expandirem na Ásia.

"As condições que temos em Jacarta, em termos de presença, não são muito dispendiosas e permitem fazer dali um centro de operações. E porque é o principal país, a Alemanha do Sudeste Asiático, permite ali criar um centro muito importante de expansão nos outros países da Ásia. Sobre isso, não tenho qualquer dúvida", concluiu Luciano Coelho da Silva.

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