quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Portugal: UM VAZIO CHAMADO PS



João Luís

Enquanto o povo lá vai pagando mais um desmando da tão “profissional e competente” banca privada; enquanto a crise se acentua apesar de todo o folclore propagandístico, com o desemprego a atingir a taxa real de 1,2 milhões de desempregados; enquanto mais de 52 mil idosos perderam o complemento solidário e na saúde e educação tudo piora, o Governo mesmo a banhos continua a impor a sua perversa política e o PS continua na sua acção mais ou menos circense.

As hostes de Costa e Seguro acusam-se mutuamente. Dizia no facebook um amigo virtual e com toda a lógica, mais ou menos o seguinte: Eurico Brilhante ilustre membro do Secretariado Nacional do PS rotula as propostas de António Costa como um vazio. Já A.J. Seguro afirma peremptório que Costa anda a copiar as propostas da direcção do partido. Ou seja, se as propostas apresentadas por António Costa são um vazio e simultaneamente cópia das propostas da direcção, logo, as propostas do Partido Socialista no seu todo, são um vazio.

No essencial, Costa e Seguro estão de acordo. No essencial, as vazias propostas de um e outro não resolvem os problemas dos desempregados, dos reformados, dos estudantes, dos trabalhadores, numa palavra do país.

No próximo dia 28 de Setembro para fecho em beleza da silly season teremos o fim (?) da paranóica aventura do PS e o inexistente cargo de candidato a primeiro-ministro.

E se isto não é uma guerra de galos com o intuito único de saber qual a facção que irá ocupar o poleiro achando-se, uns e outros a borrifar para o povo e o país, então não percebo e duvido que alguém perceba o que se passa nesta raquítica oposição.

A não ser assim, está mais que na hora de todos nós sabermos o que pensam e como vão actuar nas seguintes questões (e aqui socorro-me de outro amigo virtual): Tratado Orçamental; a questão da dívida; direitos dos trabalhadores e código laboral; a relação Europa-EUA; políticas europeias; pensões, reformas e benefícios em geral; privatizações; a precariedade no emprego; o desemprego; a emigração; retoma e plano económico; combate à corrupção e fraude fiscal; futuros alinhamentos políticos; a saúde e a escola pública; etc., etc., numa palavra que políticas? Tenciona o PS com Costa ou com Seguro continuar a ter uma linguagem mais ou menos de esquerda na oposição e governar à direita quando está no poder? Ou, finalmente, teremos um PS que procura entendimentos com o maior partido à sua esquerda, o PCP, e nesse sentido apresentar-se de facto como alternativa e não alternância?

Temo que assim não seja. Receio que tal como aconteceu em França com o surgimento de Hollande o tal que ia por a Sra. Merkel na ordem e que acabou de joelhos aos ditames da mesma, ou como diz o povo, entrada de leão e saída de sendeiro, provocando uma maior desilusão nos franceses e contribuindo e muito pelo crescimento da extrema-direita. 

Será muito mau para democracia que tal aconteça.

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