quinta-feira, 6 de julho de 2017

SEM PACHORRA PARA JUDAS E MENTECAPTOS

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Expresso Curto na hora da “ferrugem” almoçar… Os que realmente almoçam. A “ferrugem” são aqueles que produzem durante a vida de trabalho e de crueldade de exploração para chegarem à velhice e serem atirados para a continuidade de pior miséria. 

Esses são os que vulgarmente chamam “das obras”, são os das “fábricas”, são os que na realidade vergam a mola para encherem os alforges bancários e outros dos esclavagistas e vigaristas a que chamam entidades patronais. Que esses tais não são todos assim, que até há os que são amigos dos empregados. Pois há. Haverá? Onde? 90 para mim e 10 para ti? E menos até nessa proporção… Danem-se, quilhem-se!

Este é o Expresso Curto que vem a seguir. Os gajos estão todos peladinhos para fazerem tropelias ao governo de Costa, empolarem assuntos, fazer cabeças, e a seguir, se puderem, porem lá outra vez o Passos e o Cavaco Pide. Ou iguais. Ou piores. É o que se sente e o que se respira por aí. Por haver tanta sacanagem, tanto Judas a vender-se por 30 dinheiros e a ocuparem certos poleiros cruciais recheados de servilismo aos chefes mentecaptos e vigaristas. Por essas e outras é que estamos na fossa em que estamos. A coisa só vai lá com uma revolução de mentalidades, mesmo. De resto já não há pachorra.

Boa tarde e bom almoço, aos que almoçam. Para os outros nem há descaramento de desejar uma boa tarde porque se sabe que vão ter uma tarde e resto destas 24 horas que se pode considerar de “merda”.

Avante. Leiam o Curto do senhor Cadete, se continuarem a ler. Por aqui não há pachorra para mais Judas e mentecaptos. Pseudo doutos.

MM | PG

Bom dia este é o seu Expresso Curto

Miguel Cadete | Expresso

Vem aí a remodelação (e o que é que isso interessa?)

Em menos de quinze dias a segurança dos cidadãos portugueses viu-se seriamente abalada por dois casos: o incêndio de Pedrógão Grande e o roubo de armamento militar em Tancos. Trata-se de questões graves, pois colocam em causa o papel do Estado – e da esquerda à direita é consensual que a segurança do povo deve ser entregue ao Estado.

Ora, o apuramento das causas e responsabilidades deveria estar em primeiro lugar, mas a verdade é que a conversa logo escorregou para o combate político-partidário e hoje já é uma possível remodelação governamental que anima o debate.

Pode ser do calor do verão: foi também no quente mês de julho, mas de 2013, que Vítor Gaspar se demitiu quando assumiu que já não tinha condições para levar por diante o programa que lhe cabia no governo de Passos Coelho.

Desta vez, na mira, estão os ministros da Administração Interna e da Defesa do governo de António Costa. Mas não é certo que, caso o executivo fosse outro, liderado por outro primeiro-ministro, como, sei lá, Passos Coelho, os casos de Pedrógão e Tancos não tivessem acontecido como aconteceram.

Ainda que todo o mundo sonhe com a tal remodelação governamental, o momento é de pausa. O primeiro-ministro continua de férias – e discutir a sua oportunidade é apenas estúpido – e em sua substituição encontra-se Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros. E este já disse: “Os ministros não têm a absoluta nem a relativa confiança do Governo. O Governo como tal responde perante a Assembleia da República, os membros do Governo respondem perante o primeiro-ministro”.

Pode parecer inócuo mas o contrário também é ser verdade. Hoje, Rovisco Duarte, Chefe do Estado Maior do Exército, responde perante uma Comissão Parlamentar, E amanhã, às 16 horas, será a vez de Azeredo Lopes, ministro da Defesa.

No “Público”, Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista, também vem colocar água na fervura: “demissões têm muitas vezes consequências perversas”ainda que assuma ser este “o momento mais difícil do governo”.

A questão do roubo de armamento dos paióis de Tancos permanece, obviamente, nas capas dos jornais. Na manchete do “Diário de Notícias” pode ler-se que a autorização para obra na vedação demorou 73 dias. E, mais abaixo: “Exército levou um mês e dez dias a enviar declaração que confirmava ter orçamento para reparação essencial à segurança dos paióis. Ministro recebeu-a a 3 de maio e só autorizou a 5 de junho”.

O tema da segurança vulgarizou-se e conhece inúmeras variáveis na imprensa de hoje. No “Correio da Manhã” roga-se que acudam às notas e às barras de ouro guardadas em cofre no Carregado: “Alerta máximo na fábrica do dinheiro”. E explica-se que as “polícias e secretas admitem ataque com material roubado”.

Já o “Jornal de Notícias” revela, também na sua manchete, que “afegãos detidos no Porto são suspeitos de terrorismo”. Chegaram a Portugal em busca de asilo político mas traziam consigo fotos com armas de guerra na Síria.

A insegurança registada no incêndio de Pedrógrão Grande também vai às primeiras páginas. “Bloco faz violento ataque a Costa por ter adjudicado o SIRESP”, está escrito em parangonas no jornal “i”. Líder parlamentar do BE diz que o primeiro-ministro “não teve a coragem devida”. A proposta do BE para devolver ao Estado o SIRESP foi ontem rejeitada com o voto contra do PS.

E no “Diário de Notícias” também se aponta o dedo ao sistema de informações adquirido pelo Estado português: Conselho do SIRESP reuniu-se duas vezes em sete anos. Deviam ter sido 28”.

Pedrógão e Tancos não deviam voltar a suceder. O resto são distrações.

OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje, nas vésperas do G20, que se realiza em Hamburgo e onde Donald Trump se irá encontrar com Vladimir Putin, o Presidente dos Estados Unidos da América vai estar em Varsóvia. Será recebido com pompa e circunstância pelo governo polaco que também não suporta imigrantes, Angela Merkel, o liberalismo ou a integração europeia. Para sexta-feira, aguarda-se com alguma frieza o primeiro encontro entre Trump e Putin. Igualmente preocupante: o acordo de Paris pode também ser rasgado pela Rússia, Turquia, Arábia Saudita e Indonésia que assim se juntariam aos EUA. Remodelações à parte, este será provavelmente o assunto mais importante dos próximos dias.

Portugueses descobrem como vencer a malária. Cientistas do Instituto de Medicina Molecular provaram que uma alimentação com menos calorias diminui grandemente o risco de morte.

Na Venezuela, apoiantes de Nicolas Maduro invadiram o Parlamento e fizeram 13 feridos.

Fábio Coentrão vai jogar um ano no Sporting, por empréstimo do Real Madrid. O contrato, que permite ao jogador receber dois milhões por ano, não prevê opção de compra para o clube de Alvalade.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a luta contra a pena de morte permanece um combate atual, 150 anos depois da abolição da lei em Portugal. Na Europa, a Bielorrússia é o único país em que existe pena capital.

Começa hoje em Algés o festival NOS Alive. O cabeça de cartaz é The Weeknd, que se tornou conhecido através da canção “Can’t Feel My Face”, com referências óbvias ao uso de cocaína. Quem não gostar, tem muito por onde escolher, ao todo são mais de 100 atuações num recinto pejado de espectadores estrangeiros (mais de vinte mil, segundo a organização). Ryan Adams é uma das melhores opções a ter em conta. Caso ainda não tenha bilhete, saiba que já esgotaram. Pode sempre acompanhar a reportagem em permanência no site da BLITZ. Saiba tudo aqui.

FRASES

“Sempre fui feito de Sporting”. Fábio Coentrão, ex-jogador do Benfica, depois de assinar pelo Sporting, nos jornais desportivos

“Trocar o Benfica pelo Sporting? Isso nunca”. Eduardo Salvio, jogador do Benfica, no Twitter

“Temos, felizmente, pessoa certa À frente do país”. Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista o “Público”

“Ouvi gemidos e vi um menino agarrado a uma cancela”. Alzira Tinoco, depois de ter encontrado, a 900 metros de casa, a criança que estava desparecida na Póvoa de Lanhoso

“Tecnologia cria empregos, mas também perdedores claros”. David Autor e Anna Salomons, economistas, no “Jornal de Negócios”

O QUE ANDO A LER

Comecei a ler a histriónica, cómica e, ao mesmo tempo, diabólica autobiografia de Rita Lee, cantora brasileira que nasceu em São Paulo já lá vão 69 primaveras. O livro acaba de ser publicado em Portugal (Contraponto, junho de 2017), depois de ter sido um enorme êxito de vendas no Brasil. Rita Lee ficou conhecida como cantora, no grupo Os Mutantes e, sobretudo, devido a uma mui preenchida carreira a solo (mais de uma vintena de álbuns e muitas canções de sucesso onde já se percebe a sua verve enquanto autora das letras), mas também como atriz de novelas, ativista, apresentadora de televisão (o programa “Saia Justa” conquistou alguns fãs em Portugal bem como o “Sai Debaixo”) e, claro, escritora.

“Uma Autobiografia” prova que é difícil encontrar um português que escreva na língua de Camões com o divertimento, colorido, desenvoltura e, antes de tudo o mais, desassombro com que o faz Rita Lee. O livro, publicado no Brasil durante o ano passado, já foi apresentado na Revista do Expresso por Plínio Fraga e é tudo o que se espera de tão animada personagem e ainda mais qualquer coisa.

Um mero exemplo, retirado da vigésima página, enquanto Rita Lee percorre os seus dias de meninice, na casa da Rua Joaquim Távora, em Vila Mariana, onde coabitava com três irmãs, a madrinha, o pai Charles e a mãe Chesa:

“Um dia a máquina de costura Singer de Chesa engasgou e veio um técnico da firma. Me contaram que eu brincava no chão da copa enquanto minha mãe mostrava pro cara onde a coisa estava enguiçada. O telefone tocou, ela saiu para atender. Quando voltou, me encontrou sozinha no mesmo lugar, olhando petrificada para o cabo de uma chave de fendas enfiada fundo na minha vagina, de onde escorria uma gosma vermelha. O filho da puta do técnico fez aquilo e sumiu do mapa. Foi o grito alucinante da minha mãe que me tirou do torpor e, vendo ela se desesperar, eu abri o mó berreiro também. Não lembro de ter sentido dor, nem do que aconteceu de seguida, certamente deletei esse capítulo. Só sei que desse dia em diante as mulheres olhavam para mim como a pequena órfã. A dor delas certamente foi muito, mas muito maior do que a minha.” Isto é Rita Lee.

Também publicado por estes dias, mas para celebrar os oito décadas de rádio estatal em Portugal, encontramos nas livrarias “Cento e Onze Discos Portugueses – a Música na Rádio Pública”. Trata-se de um livro organizado por Nuno Reis, Henrique Amaro e Luís Oliveira (radialistas da Antena 3) com chancela da Afrontamento, onde se percorre alguma história da música portuguesa das últimas oito décadas. Resulta, como é costume e devido nestas ocasiões, numa celebração da música portuguesa ainda que desequilibrada e, por vezes, de critério duvidoso.

A primeira entrada, assinada por N, ex-editor da EMI e também ele radialista), é dedicada ao disco “Marcha de Alfama / Marcha da Mouraria”, publicado em 1936 pela Columbia/Valentim de Carvalho, que pretendia certamente capitalizar a popularidade da corista e atriz Beatriz Costa. A prosa de David Ferreira é exemplar, pois enquanto conhecedor, é capaz de transmitir a importância histórica, ou seja musical mas também política e sociológica, da gravação em causa, justificando a pertinência da escolha. O mesmo não se pode dizer de muitas outras entradas.

Ora porque assumem um discurso autocontemplativo de interesse muito reduzido, ora porque não têm absolutamente nada a dizer. Não vale muito a pena discutir as escolhas de uma lista. No final de contas, trata-se na maior parte dos casos de opções por demais subjetivas, mas deve-se resguardar um serviço mínimo capaz de fornecer uma perspectiva histórica.

Não é o caso, talvez devido a alguns critérios pouco funcionais (só é elegível um disco por artista, os escribas são obrigatoriamente oriundos do meio radiofónico) que foram escolhidos ou por puro desconhecimento.

Apesar de algumas entradas em que é fornecida informação contextualizada, senão mesmo inédita, outras são de maior inutilidade e incapazes de dar a entender a importância da rádio na divulgação da música sobretudo popular.

O desequilíbrio ou a perda de oportunidade, em muitas ocasiões, para desenterrar discos fora do radar, sobretudo de tempos mais remotos, é, porém, contrabalançada por um alinhamento em que Max “contracena” com os Capitão Fausto (última entrada), os UHF com Madalena Iglésias, e Tony de Matos com Carlos Paredes. Os Táxi não estão presentes mas há lugar para Samuel Úria e B Fachada. Enfim, uma festa da música portuguesa que podia ser mais bem composta.
Por hoje é tudo. Amanhã estará por aqui Ricardo Costa, certamente munido de outra visão da história da música portuguesa, para servir mais um Expresso Curto. Acompanhe toda a atualidade no Expresso Online. Logo mais, lá pelas 18 horas, chega o Expresso Diário.

Tenha um bom dia!

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