sábado, 28 de dezembro de 2019

Portugal | "Governo não diz nada da sangria de profissionais" que vai para privados


PCP acusa António Costa de fugir a várias questões sobre o SNS, durante a sua mensagem de Natal.

O PCP reagiu à mensagem de Natal de António Costa, transmitida pelas televisões, na noite de quarta-feira, dia 25 de dezembro.

Apesar de o primeiro-ministro ter dedicado a mensagem de Natal deste ano ao "compromisso" do Governo de reforçar orçamentalmente a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o PCP, através de Jorge Pires, acusou António Costa de ter omitido problemas estruturais do país.

"As políticas do Governo estão muito dependentes das suas opções políticas, nomeadamente em relação à obsessão pelo défice zero ou mesmo pelo excedente orçamental. Essas opções políticas acabam por limitar a resposta do Governo aos problemas que se colocam ao país" em matéria de serviços públicos, sustentou.


Jorge Pires afirmou depois que o primeiro-ministro, na sua mensagem, "não disse nada sobre a inaceitável proposta de aumento de 0,3% para os trabalhadores da administração pública ou sobre o aumento das pensões e reformas, nem disse nada sobre os direitos dos trabalhadores".

"São questão importantíssimas para a vida dos portugueses relativamente às quais o primeiro-ministro não disse absolutamente nada. Mesmo sobre a saúde, podemos dizer que aquilo que foi anunciado - e que já vinha sendo anunciado desde a entrega da proposta de Orçamento do Estado - fica muito longe face às necessidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", advertiu.

O membro da Comissão Política do PCP referiu que nos 800 milhões de euros para investimentos na saúde mencionados por António Costa não e esclarece se essa verba "é apenas a integração daquilo que constituiu a suborçamentação em 2019 - razão pela qual importa esperar pela execução orçamental deste ano - e se há uma parte desse montante que se destina ao pagamento de dívida acumulada".

"Ao longo dos dez últimos anos, a suborçamentação rondou os 13%, sempre acima dos mil milhões de euros. Queremos por isso saber se esse dinheiro é apenas a integração da suborçamentação no Orçamento do Estado para 2020 e se uma parte vai para pagar dívida. É preciso apurar o que resta para melhorar a qualidade do SNS", justificou.

E Jorge Pires vai mais longe. "O Governo não diz nada relativamente à sangria de profissionais que vão para os grupos privados e, a avaliar pelas políticas que têm vindo a ser seguidas, vão certamente continuar a licenciar unidades privadas por todo o país que depois vêm ao serviço público buscar os profissionais que necessitam", disse.

Além desta omissão, Jorge Pires diz que o Chefe de Governo "fala muito na contratação de cerca de 8 mil profissionais em dois anos", mas não fala no número de profissionais que vão sair entretanto.

"Fica por saber que estudos é que o Governo tem sobre aquelas saídas que são evidentes e que resultam da demografia médica que levam a pensar que há muita gente que chega ao limite de idade e sai do serviço público. Por exemplo, quantos profissionais vão sair durante estes dois anos. Qual é a estimativa do Governo quanto às idas a emigração? Como é que vão tornar o SNS mais atrativo para fixar os profissionais para poder dar resposta aos problemas que estão colocados? E sobre isto o Governo também não diz nada", acusou.

O comunista recordou ainda que "não basta colocar dinheiro no SNS", defende que "é preciso tomar medidas de organização dos serviços, é necessário tomar medidas de gestão, é preciso combater a promiscuidade entre o público e o privado que tem existido ao longo dos anos no SNS, é preciso combater este caminho que tem sido seguido, que foi o de transformar o SNS numa plataforma de drenagem de dinheiro para os grupos privados".

"Cerca de 40% do orçamento já vai para os grupos privados e, portanto, é preciso acabar com esta situação, é preciso acabar com o processo de privatização que tem vindo a ser seguido e sobre essas questões o PM não disse nada e próprio Orçamento do Estado não nos faz descansar", concluiu.

Antes do PCP, o CDS, o BE, o Chega! reagiram à mensagem de Natal de António Costa, lançando duras críticas ao discurso do primeiro-ministro.

Apesar do PSD ainda não ter reagido, o candidato à presidência do partido Luís Montenegro já usou da palavra para criticar o discurso do governante considerando-o "uma confissão de fracasso e incapacidade". 

Notícias ao Minuto | Imagem: © Global Imagens

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