quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Bissau | Milhares de apoiantes de Sissoco Embaló foram à sua tomada de posse simbólica


O povo juntou-se em frente à Presidência da Guiné-Bissau, onde decorre a passagem de poderes entre o Presidente cessante, José Mário Vaz, e o major-general, dado pela comissão eleitoral como vencedor das presidenciais.

Umaro Sissoco Embaló tomou hoje posse simbolicamente como Presidente do país, numa cerimónia que decorreu numa unidade hoteleira em Bissau.

A cerimónia acontece quando o Supremo Tribunal de Justiça do país analisa um recurso de contencioso eleitoral interposto pela candidatura de Domingos Simões Pereira, que alega graves irregularidades no processo.

Sem a presença de membros do Governo e dos partidos que representam a maioria parlamentar, estiveram naquela cerimónia o Presidente cessante, José Mário Vaz, o primeiro e segundo vice-presidentes do parlamento, respetivamente Nuno Nabian e Satú Camará.

Ausentes estiveram também o representante do Supremo Tribunal de Justiça e a maior parte dos elementos da comunidade internacional residente em Bissau, estando apenas presentes os embaixadores da Gâmbia e do Senegal.

Presente na cerimónia esteve também o general António Indjai, antigo chefe do Estado-Major General das Forças Armadas, apontado como responsável pelo golpe de Estado de 2012.


À porta do hotel, onde decorreu o ato, milhares de apoiantes esperam o fim da cerimónia para se dirigirem à Presidência da República, onde decorreu a passagem de poderes entre José Mário Vaz e Umaro Sissoco Embaló, que acenaram depois à população da varanda do Palácio da Presidência.

Todo o ato está a ser acompanhado pelas forças de segurança, bem como por elementos da Ecomib, forças de interposição da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que garantem a segurança dos líderes guineenses.

Nas ruas próximas do Palácio da Presidência os apoiantes de Umaro Sissoco Embaló tentam chegar à Praça dos Heróis Nacionais para celebrar o ato.

No final desta cerimónia, o Presidente cessante abandonou o Palácio da Presidência.

O primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, considerou hoje que esta tomada de posse simbólica é "um golpe de Estado com o patrocínio do Presidente cessante do país.

O presidente do parlamento guineense, Cipriano Cassamá, que conforme a lei do país é quem concede a posse ao Presidente eleito, demarcou-se da cerimónia, alegando aguardar pela decisão do tribunal.

Plataforma | Lusa | Imagem: Sissoco Embalo  |  EPA/Andre Kosters

Sem comentários:

Mais lidas da semana