quarta-feira, 3 de junho de 2020

Portugal | Subviver, é disso que se trata


Futexpresso… Quer dizer: Curto do Expresso comprido em futebol. A desgraça supera o covid-19 e os reis dos milhões, das falcatruas e outras mafiosidades regressam aos relvados da alta e da pequena finança, comprando e vendendo jogadores inspirados no alegadamente já ido mercado de escravos.

Hoje há futebol em Portugal e, ao que parece, assim vai acontecer pela União Europeia. Que é desporto, dizem. Sim, será, moderno e doentio. Alienante e alcoviteiro. Prescindível no formato atual. Mas que não, ripostam os interessados nos milhares e nos milhões de euros. Os políticos de topo, mais os que o querem ser e andam a bajular nas calhas, estão de acordo. O povoléu merece o futebol. Ver, ler, pensar e falar de futebol. Embrutecer. Estupidificar-se. Para não perder tempo a falar de coisas sérias, acerca das suas subvidas. Afinal existem para depois votarem, fazerem número e fazerem de conta que vivem em democracia, em sociedades justas, humanas, em que as pessoas estão primeiro, assim como a natureza, o respeito pelas liberdades e pelas verdades. Isso e muito mais.

Neste futexpresso longo em futebol irá depois disso desembocar no racismo que dura e perdura nos EUA. Na revolta dos sempre destinados a serem sacrificados enquanto respiram, os negros, os não supremos brancos… Aqui no PG há muita matéria e opiniões sobre o tema. Pesquise. Vamos adiante.

Adiante é o fim da abertura habitual que fazemos em antecipação ao Curto de quase todos os dias (aos fins-de-semana é, por vezes, muito falho).

Fiquem bem. Protejam-se. Anda por aí muita gentinha a julgar que o pior do covid já passou. Esquecida de que o muito pior pode ainda voltar e que depois é que se vai chegar à conclusão que a senhora de Fátima nada poderá fazer de milagres, que não há golos nem fintas que valham a nossa lastimosa subvida.. E etc., mais e etc..

Pedro Lima assina o Curto em formato comprido no relvado do Expresso. Chama-lhe ópio, e bem. Vá nessa. Que se danem as más-línguas e os medrosos(as) do covid e das sociedades justas e verdadeiramente democráticas, de que regra geral os jornalistas nem sabem, nem falam. Exceto alguns. Aqueles a que o Ricardo Salgado não conseguiu comprar "serviços" - que estamos para saber quem são... Porque é segredo, está visto. E entretanto, presume-se, lá andam esses a venderem-se por aqui e por ali. Mas quem e a quem? Segredo?

Andam milhões ao sabor duns quantos, como bolas de ping-pong. Ora bolas! Subviver, é disso que se trata, no passado, no presente, e no futuro que manhosamente preparam aos plebeus, aos escravos da modernidade.

Dispense a atenção devida ao Curto. Bom dia?

FS | PG

 

O regresso do ópio – e do ódio – do povo

Pedro Lima | Expresso

Bom dia.

Hoje regressa o futebol versão pandemia Covid-19. Este é, por isso, para muita gente, um dia de festa, mesmo que ‘confinado’, sem ninguém nas bancadas dos estádios.

Serão 90 jogos a disputar em 10 jornadas até 26 de julho (pode ver aqui o calendário dos jogos). Regressa a paixão e o fervor clubístico mas fica de fora a emoção de estar no estádio ou em grandes ‘aglomerações’ a ver os jogos. E também ficam de fora as provocações, os insultos e as lamentáveis cenas de violência a que nos habituámos nos estádios ou nas suas imediações (embora mesmo com o futebol parado durante o confinamento a violência não tenha parado entre membros de claques).

Se o futebol é muitas vezes apelidado de ‘ópio do povo’, também é um fator de ódio irracional que há muito tempo devia estar a ser combatido. Pelo contrário, é até incentivado por dirigentes e claques, contando com a inação do poder político, que vai assobiando para o lado sem tomar medidas duras para afastar quem está ali a mais. É um problema que terá tendência a arrastar-se indefinidamente até que um dia venhamos a ter outra vez motivos para lamentar. Tem de ser combatido de forma concertada: pelo governo, os próprios clubes, a sociedade civil, em especial os adeptos normais - aqueles que não podem aceitar que a violência continue porque correm o risco de ser vítimas dela.

Pois bem, a má notícia é que há sinais de que as declarações inflamadas estão de regresso – na realidade não chegaram verdadeiramente a desaparecer. Houve recados dados pelos presidentes do Porto e do Benfica em entrevistas desta semana. E no Sporting a absolvição do antigo presidente Bruno de Carvalho no caso dos ataques a Alcochete deu alento aos que contestam a atual direção. Nada de novo, portanto.

O pontapé de saída é dado às 19h com o Portimonense- Gil Vicente. E logo a seguir, às 21h15, o primeiro grande jogo desta 25ª jornada, o Famalicão-Porto, em que os portistas vão defender a liderança contra a equipa-revelação desta Liga (o Porto tem 60 pontos, mais um que o Benfica). Na quinta-feira há Benfica-Tondela e Guimarães-Sporting e na sexta Santa Clara-Braga.

O grande teste a esta ‘nova normalidade’ será o Famalicão-Porto. O treinador do Porto, Sérgio Conceição, diz que os estádios sem público são “como uma salada sem azeite, sal e vinagre. Mas se tivermos fome temos de comer na mesma”. Mas a claque portista Super Dragões já fez saber que estará em Famalicão. O diretor nacional da Polícia de Segurança Pública e o ministro da Administração Interna comentaram o assunto – o primeiro disse que a claque não está impedida de se deslocar a Famalicão mas há regras a cumprir e o ministro pediu precisamente que essas regras sejam cumpridas.

A diretora-geral de Saúde também pediu cuidado na forma como vão ser vistos e comemorados os golos porque há aí um vírus à solta: “Mantenham o distanciamento. Sejam exuberantes mas longe dos outros”, disse Graça Freitas.

Já os presidentes dos clubes dizem que “o melhor apoio que os adeptos lhes podem dar agora é manterem-se seguros”. Mas o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, insiste que se abra os estádios aos adeptos e dá o exemplo dos concertos que houve na segunda e terça no Campo Pequeno, em Lisboa. Esteve lá muita gente, incluindo o primeiro-ministro e o presidente da República. Porque é que não se pode fazer o mesmo no futebol?

Mas se hoje é dia de festa para muita gente, há também uma larga camada da população que repudia, e com razão, o peso deste desporto em Portugal. Contestam nomeadamente o destaque que lhe é dado nas televisões quando, basta ver por estes dias, era importante dedicarmos mais tempo a discutir o estado dos nossos hospitais e dos cuidados de saúde. Ou a educação. Ou os transportes públicos…

Este regresso do futebol pode não se ficar pela Liga portuguesa, porque é possível que o futebol de topo regresse a Portugal já em agosto: Lisboa é cada vez mais uma hipótese para receber a final da Liga dos Campeões – algo que o presidente da República veio ontem à noite reforçar, quando disse “tenho uma vaga sensação de que ainda poderemos em agosto ter uma boa notícia em termos de futebol internacional em Portugal”.

O VÍRUS DO ÓDIO NA AMÉRICA

Por estes dias ‘ódio’ é também uma palavra muito presente nos Estados Unidos, mas a uma dimensão bem mais preocupante, no rescaldo da morte de George Floyd às mãos de um polícia, em Minneapolis. Ontem o dia foi marcado por manifestações anti-racistas a nível global. Há quase 50 cidades sob recolher obrigatório nos EUA e os protestos têm-se feito sentir em mais de 70 cidades, com cenas de violência da parte da polícia e dos manifestantes que mereceram condenação de quem pede manifestações pacíficas.

Donald Trump fez-se fotografar com uma Bíblia na mão em frente a uma igreja numa encenação considerada desconcertante e que alguns líderes religiosos repudiaram. E mantém as ameaças de fazer avançar o Exército. Que impactos terão estes eventos na forma como os americanos vão votar mais lá para o final do ano? É a questão que se coloca.

Isto enquanto o novo coronavírus vai fazendo o seu caminho, não só nos EUA como também no Brasil: nas últimas 24 horas estes dois países tiveram mais de 1000 mortes.

OUTROS ASSUNTOS

Evolução da pandemia As taxas de crescimento dos infetados e óbitos por Covid-19 em Portugal estavam ontem ambas abaixo de 1%. E o número de novos casos foi o menor dos últimos oito dias – a região de Lisboa volta a destacar-se pela negativa, com 81% dos 195 novos infetados.

Amostras O INEM recolheu desde sábado amostras para testagem de covid-19 em mais de 2.000 trabalhadores de empresas da zona de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo no concelho de Azambuja.

Desemprego A taxa de desemprego subiu ligeiramente em Portugal em abril, para 6,3%. Mas a taxa de subutilização do trabalho - que abrange pessoas sem trabalho, mas que não são contabilizadas como desempregadas -, atingiu 13,3% (em março estava em 12,4%). É um sinal da inevitável subida que aí vem.

Lay-off O Governo deixou cair o lay-off simplificado: agora só as empresas que não puderem ainda abrir por restrições legais poderão manter este regime já que para as restantes haverá um pacote de medidas de apoio diferenciado em função da quebra de faturação.

Recuperação As respostas ao inquérito feito pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo Banco de Portugal às empresas portuguesas revelam uma nova melhoria da atividade na segunda quinzena de maio, confirmando os sinais de recuperação evidenciados no inquérito da primeira metade do mês.

Linhas de crédito As empresas portuguesas já receberam 3,58 mil milhões de euros de um total de 6 mil milhões de euros de linhas de crédito criadas para as apoiar durante a pandemia.

Dia de Portugal As comemorações do 10 de junho no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, só vão contar com oito pessoas. D. José Tolentino de Mendonça foi escolhido para presidir à comissão organizadora da edição deste ano.

Fronteiras O ministro da Administração Interna considera que “não faz sentido reatar a fronteira terrestre enquanto em Espanha existir uma situação epidemiológica que exige acompanhamento e enquanto existir uma quarentena interna”. As fronteiras deverão por isso continuar fechadas até ao final do mês.

Processo O presidente da EDP recusou responder em tribunal esta terça-feira após ter colocado em causa a imparcialidade do juiz Carlos Alexandre. António Mexia, arguido no caso das rendas excessivas da EDP, fez questão de lembrar que o caso está há oito anos em investigação.

FRASES

“Relativamente ao 10 de Junho, é como eu achei que devia ser o 25 de Abril, como eu achei que devia ser o 1.º de Maio. E como é organizado pelo presidente da República, deve ser assim” – Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República

“Temos de estar todos preparados para um crescimento do número de insolvências nos próximos tempos” – Pedro Siza Vieira, ministro da Economia

“Relativamente ao distanciamento social, o ideal são os dois metros. Mesmo se estiverem a assistir pela televisão em espaços fechados, não devem esquecer esta regra e outra, muito importante, que é a partilha de objetos como copos ou garrafas – não fazer isso, de todo” – Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, sobre os adeptos de futebol

O QUE ANDO A LER

“Portanto, tu queres ser escritor” - esta é uma frase recorrente no novo livro de João Tordo, “Manual de sobrevivência de um escritor – ou o pouco que sei sobre aquilo que faço”. O escritor conta como desde pequeno se interessou pelas letras e também como lidou com o que parece ser uma inevitabilidade: “a infelicidade está na raiz da literatura”; “sei que tenho, desde criança, essa necessidade imperiosa (quase mais forte do que a própria vida) de, através da linguagem, minimizar os estragos que a realidade provocou em mim”.

Destinado a quem é ou quer ser escritor, mas também a leitores curiosos, o livro acaba por se transformar numa viagem ao mundo da escrita e de muitos escritores que marcaram João Tordo. “Um escritor é uma estranha e improvável mistura de tradição coletiva e patologia individual, de uma ferida aberta, muito particular, e do caminho que outros, antes de si, lograram explorar e que ele vai percorrendo com paciência e humildade”, afirma.

O QUE ANDO A OUVIR

Aí está o regresso dos Clã, muito celebrado, com o disco “Véspera”. São 10 canções, algumas a contarem com colaborações de peso nas letras: Sérgio Godinho, Samuel Úria ou ainda Capicua, esta última na canção “Armário”, que é um dos pontos altos do disco. A mensagem é bastante atual: “Eu sinto falta de ar/Preciso sair/Eu tenho falta de ar/Eu quero sair/Não dá pra respirar/Eu quero sair” – canta-nos Manuela Azevedo. Talvez esta seja uma das canções que ficarão associadas para sempre a estes tempos de pandemia.

Tenha uma excelente quarta-feira, na nossa companhia, em www.expresso.pt, onde encontra o que de mais relevante acontece em Portugal e no mundo, enquanto aguardamos pelo fim da pandemia e do ódio que se vai espalhando pelo mundo.

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