sábado, 30 de Abril de 2011

RAPIDINHAS DO MARTINHO – 08




MARTINHO JÚNIOR

EM ANGOLA PRECISA-SE MAIS SAÚDE E MENOS MERCENÁRIOS

A Saúde em Angola… ainda está doente!

Os Índices de Desenvolvimento Humano e as estatísticas da UNICEF continuam a não deixar margem para dúvidas, apesar de alguns avanços e das perspectivas optimistas de vários analistas e observadores.

Está doente por que até agora, para além das acumuladas sequelas que advêm do passado, há deficits de estratégia estrutural, organizacional e, sobretudo, apesar da ajuda de médicos e especialistas de vários países, (entre eles os de Cuba, da China e do Vietname), de deficits de ética, de vontade, de dignidade e de profissionalismo num sector em que é tão indispensável carácter, solidariedade, humildade, espírito de sacrifício, abnegação e humanismo.

O Estado, nove anos depois do calar das armas, está a fazer um esforço no sentido de se encontrarem superações na grande Luanda e em outras cidades do país, onde os problemas de estratégia começam a ser resolvidos.

Apesar daquilo que se vai tornando visível, palpável, há falta de rigor que começa em relação à fiscalidade das obras e na transparência de muitos orçamentos: quantas vezes foram prestadas contas ao nível público?

Faz parte da cultura democrática o rigor e a prestação de contas a todos os níveis de governação e esse procedimento deveria ser integrado nos grandes projectos que envolvem Reconciliação e Reconstrução Nacional!

Na Saúde, um ramo fundamental para a introdução a políticas que se correlacionam com o sentido de vida em benefício de todo o Povo Angolano, a não prestação de contas e a ausência de transparência, são factores adicionais que contribuem para obscurecer os critérios por que se tem regido o próprio Estado.

Novas estruturas, a ampliação de algumas mais antigas, reorganização de hospitais, reequipamento, aquisição de meios, apesar de tudo um aumento de atenção em relação aos investimentos e em relação ao funcionamento dos activos, estão em curso, o que começa a dar elementos do que será a grelha de serviços integrados, amplos e eficientes que um dia se poderão alcançar.

A parte mais fácil é a da edificação, a da aquisição de meios e do reequipamento, por que os impactos duma sociedade que pensa e age em função da lógica capitalista (embora o MPLA se proponha a um “socialismo democrático” que em muitos aspectos aguarda melhor clarificação), no quadro da saúde, resulta na proliferação duma mentalidade forjada sobretudo ao longo da década de 90 do século passado e da primeira década do século XXI que está longe (senão mesmo contraditória) do sentido da vida, da justiça social, da paz social…

Cinco novos hospitais estão na forja, os dirigentes apressam-se a anunciá-los, porém ninguém parece abordar a questão da qualidade humana que os vai guarnecer, quando na saúde há toda uma revolução a fazer: continua a haver solidariedade a menos e mercenarismo a mais na Saúde angolana e essa é a maior de todas as doenças que se podem diagnosticar no ramo.

Até prova em contrário e na ausência de quem aborde com justiça esta questão tão essencial, continua a subsistir “uma saúde mercenária em nome do mercado”!

Martinho Júnior - 29 de Abril de 2011

Foto: Médico cubano no Haiti – 19 de Março de 2011

Governo anuncia inauguração de cinco hospitais municipais


Luanda – A vice-governadora de Luanda para área social, Juvelina Imperial, anunciou hoje, quinta-feira, a entrada em funcionamento para breve, de mais cinco hospitais municipais e seis centros de saúde.

Juvelina Imperial prestou estas declarações no final da visita que efectuou as obras de ampliação da maternidade Augusto Ngangula, em companhia do governador de Luanda, José Maria Ferraz dos Santos.

“Estamos a preparar a inauguração de cinco hospitais municipais e seis centros de saúde, com todos os serviços indispensáveis, como blocos operatórios, salas de partos e pediatria”, explicou.

Informou que todos os hospitais e centros estão concluídos, restando apenas o devido apetrechamento para num período de um mês serem inaugurados os primeiros três hospitais, nomeadamente o da Samba, com 72 camas, do Ximbicado, no Kilamba Kiaxi, com 16 camas, e dos Ramiros, com 30 camas.

De acordo com a governante, a entrada em funcionamento destas unidades visa diminuir o excesso de pacientes nos actuais hospitais e melhorar a qualidade de serviços aos utentes.

Juvelina Imperial considerou que os hospitais a inaugurar vão minimizar, por enquanto, as necessidades das populações naquelas respectivas áreas.

Relativamente ao corpo clínico, a fonte fez saber que o governo terminou recentemente um concurso público, do qual serão seleccionados mais de mil profissionais, para serem distribuídos nas novas unidades hospitalares.

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