terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nobel da Paz Liu Xiaobo recebeu visitas e pôde sair da cadeia durante algum tempo




PÚBLICO – AFP

Notícias fornecida pela irmã do dissidente chinês

O Prémio Nobel da Paz de 2010, o intelectual e dissidente chinês Liu Xiaobo, recebeu a visita de familiares na prisão e foi autorizado a sair da cadeia durante algum tempo em Setembro passado, após a morte do pai, anunciou hoje à AFP a irmã do laureado.

Liu Xiaobo está “em boas condições físicas”, confirmou Liu Xiaoxuan numa entrevista por telefone à agência noticiosa.

Liu Xiaobo, de 55 anos, está detido numa prisão do nordeste da China desde 2009. É o único prémio Nobel da Paz a estar privado de liberdade.

Em Agosto último recebeu a visita da sua mulher, Liu Xia, e em Setembro foi a vez dos seus irmãos, indicou ainda a irmã do laureado.

Entretanto recebeu uma permissão de saída excepcional, no dia 18 de Setembro, após a morte do seu pai. Liu Xiaobo deslocou-se então à casa dos seus progenitores, na região de Dalian (nordeste).

“É-me difícil dar-vos detalhes sobre o tempo que Liu Xiaobo passou em casa e sobre o que ele fez nesse tempo”, declarou Liu Xiaoxuan.

Estas são as primeiras visitas confirmadas em um ano e as primeiras notícias sobre o estado de saúde do dissidente chinês que cumpre desde 2009 uma pena de 11 anos de reclusão por “subversão”, depois de ter co-escrito o manifesto Carta 08, um documento pró-democracia.

A visita dos irmãos de Liu Xiaobo, que é o mais novo de quatro, foi confirmada pelo Centro de Informação para os Direitos do Homem e da Democracia (CHRD), com sede em Hong Kong.

“As autoridades exigiram de Liu Xiaoguang (um dos irmãos) que não falasse da visita”, indicou o CHRD em comunicado.

Estas primeiras informações sobre Liu - após um longo período de muitas incertezas e escassas novidades - acontece a três dias da atribuição do prémio Nobel da Paz de 2011, anunciado sexta-feira em Oslo.

Os familiares de Liu Xiaobo esperam que esta ocasião sirva para se voltar a falar do Prémio Nobel detido na China e para ajudar a levantar um pouco a capa de chumbo que pesa sobre a família do intelectual.

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