segunda-feira, 20 de junho de 2011

LÍNGUA PORTUGUESA: EXPANSÃO E DIVERSIDADE





Para diretor de instituto internacional do idioma, globalização é multilíngue. Português avança, mas não será língua única de país algum

A notícia passou quase despercebida, numa mídia pouco atenta aos grandes temas contemporâneos. Um estudo da Semiocast – uma consultoria francesa, especializada em pesquisa e inteligência de dados – revelou que o português já era, em fevereiro de 2010, a terceira língua mais “falada” no twitter. Usado em 9% das micropostagens, estava atrás apenas inglês e japonês. A investigação destacou, além disso, que a língua de Shakespeare perdia terreno rapidamente. Havia caído para 50% dos tweets globais – ainda muito, mas bem abaixo dos 66% que representara, apenas um ano antes. Idiomas pouco conhecidos no ocidente – entre eles, o malaio (6%), árabe, hebreu, islandês, persa, swahili, nepalês e pashtum – comparaciam, cada um, com mais de 2%.

Ao menos duas conclusões emergem destes resultados. A ideia de que a globalização conduziria a uma homogenização empobrecedora das línguas, e à imposição progressiva do inglês, não parece se confirmar na prática. As novas comunicações em rede vão se desenvolvendo na forma de uma galáxia multilíngue, na qual o português – impulsionado certamente pela forte presença do Brasil nas redes sociais – parece ter importância real.

O linguista brasileiro Gilvan Müller de Oliveira está convencido de que as relações entre os idiomas expressam sempre poder; e que, portanto, a garantia da diversidade linguística, é uma conquista democratizante, pela qual é preciso lutar de modo permanente. Gilvan é, desde outubro de 2010, diretor-executivo da organização encarregada de estimular a difusão global do português, e de gerir seu desenvolvimento. Trata-se do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), criado em 2002, pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sediado em Cabo Verde, é pouco conhecido no Brasil, embora muito atuante.

A partir do impulso de Gilvan, o IILP (vale conhecer também seu blog) tem adotado uma estratégia de expansão global do idioma audaciosa e refinada. Age para fortalecê-lo em regiões como a Galícia (no Estado espanhol), cuja língua, o galego, é muito semelhante à nossa. Busca resgatá-lo mesmo em países onde é empregado por pequenas comunidades – por exemplo, a Guiné Equatorial, onde os idiomas oficiais são espanhol e francês, mas há um idioma crioulo com traços de português. Estabelece laços com comunidades importantes que falam a língua em países onde poucos suspeitariam – a Ucrânia, por exemplo.

Mas, coerente com a defesa da diversidade, o IILP destoa de velhas concepções, favoráveis à suposta “pureza” da língua. Gilvan, que atuou anos defendendo os idiomas dos autóctones brasileiros contra a homogenização imposta pela português, orgulha-se das 3500 escolas bilíngues hoje instaladas no país, frequentadas por 200 mil índios. Posiciona-se a favor do ensino das línguas crioulas nas nações africanas onde o português era, até há pouco, o idioma único nas escolas. Condena as políticas que desestimularam, no passado, o uso do italiano, alemão ou polonês por comunidades de imigrantes no Brasil – para não falar na repressão à “língua geral”, predominante em várias regiões até o século 18 e hoje extinta, depois de longa e tenaz repressão – que chama de “dilapidação do patrimônio linguístico. Lembra que somos ainda, apesar disso, um país de cerca de 210 idiomas [ver seu artigo a respeito], e é preciso valorizá-las.

A entrevista a seguir registra seus pontos de vista e planos de ação no IILP. Ela própria é, aliás, expressão das colaboração linguística e cultural que pode haver no interior da CPLP. Adaptada por Outras Palavras, foi produzida em Cabo Verde, por Kriolidadi, um suplemento do jornal A Semana. A versão original pode ser conferida aqui (A.M.)

Qual é o papel do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)?

Gilvan Müller de Oliveira: O instituto é uma iniciativa inovadora e supranacional de gestão do português. Sediado em Praia (Cabo Verde), representa de forma paritária e comunitária as oito nações da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Todos financiam, participam e têm direito aos benefícios da promoção e difusão da língua portuguesa. Através do Instituto, a língua portuguesa deixa de ser gerida só na sua base tradicional – Brasil e Portugal – e promove um contato mais estreito entre os países lusófonos, cada um gerindo sua pluralidade interna, mas podendo dialogar num quadro mais amplo.

Esta visão plural permitirá promover, em setembro, o Colóquio de Maputo, quando discutiremos a diversidade linguística na CPLP. Vamos debater experiências como as do Instituto de Linguística do Timor-Leste – que é responsável pela norma do tétum; do Instituto Angolano de Línguas Nacionais – que começa a fazer o trabalho de mapeamento das línguas nacionais (kikongo, kimbundu). Acompanhamos a criação da Licenciatura Intercultural Bilingue da Universidade Federal do Amazonas, no Alto Rio Negro. Ou a recente oficialização do mirandês, já aprovado pelo Parlamento Português. E, em Cabo Verde, as discussões para a oficialização e reconhecimento da língua crioula.

Como será esse novo modelo que quer reorganizar a lusofonia no mundo?

Gilvan Müller de Oliveira: Queremos gerar e provocar novos contatos. Colocar em diálogo centros de produção de saberes linguísticos que nunca antes tinham entrado em contacto e que veiculam a língua e cultura dos países da CPLP.

De que forma?

Gilvan Müller de Oliveira: Por exemplo: em breve, vamos organizar a primeira vídeoconferência de rádios comunitárias de língua portuguesa, que podem ser um imenso veículo de promoção do português. Se temos em conta que essas rádios comunitárias quase nunca tiveram oportunidade de se encontrar, estamos abrindo a via para projetos concretos de atuação e gestão da língua.

Por que Cabo Verde foi escolhido para sediar o Instituto?

Gilvan Müller de Oliveira: Por sua situação geográfica e também linguística – no Atlântico, entre a América, a Europa e a África – Cabo Verde é símbolo de que a língua portuguesa não é só do país onde ela nasceu, Portugal, nem dominada pelo país com o maior número de falantes, o Brasil. Situa-se a meio caminho de várias rotas, e com uma perspectiva promissora em termos de gestão da língua, na medida em que as negociações para oficialização do crioulo avançam, e o processo de transformação do português em um idioma de circulação internacional vai-se consagrando pelo aumento constante da escolaridade da população. Poderá ser um modelo para os países da CPLP em África que também são países plurilingues.

Quais são as perspectivas do IILP para os próximos anos?

Gilvan Müller de Oliveira: Em março de 2010, os Estados-membros da CPLP realizaram, pela primeira vez, uma conferência sobre o futuro do português. O encontro delegou ao IILP tarefas concretas, relacionadas a quatro pontos: a língua portuguesa nas organizações internacionais; a diversidade linguística na CPLP; a Língua Portuguesa na Diáspora; e a Língua portuguesa na Internet. Decidimos realizar quatro colóquios, em quatro países diferentes. Cada colóquio vai se debruçar sobre as linhas de ação específicas. O IILP deverá ser, entre 2012 e 2014, um instituto de execução de projetos, de organização do campo linguístico e do estabelecimento das redes nesta grande comunidade.

“A Wikipédia existe em 248 línguas, e a tendência é
que isso continue a crescer. O Google já busca em 128 idiomas –
entre eles, hindi, polaco, quéchua…”

O que acha da proposta do mestre em linguística, João Rosa, que recentemente defendeu o ensino do crioulo nas salas de aulas de Cabo Verde até o terceiro ano escolar?

Gilvan Müller de Oliveira: É sempre saudável realizarmos políticas que reconheçam a realidade. O crioulo é a língua de Cabo Verde, um país que está buscando uma forma de gestão do seu bilinguismo identitário, instituinte.

O que se sabe já, de outras experiências, é que é sempre melhor para as crianças que aprendam a sua língua materna. Não se trata de um truísmo, é um conhecimento bem estabelecido. Assim como tem acontecido em outros países da CPLP, caso de Timor; de Moçambique com suas escolas bilingues; do Brasil com suas 3.500 escolas bilingues indígenas que têm 200 mil alunos, para não citar outros países.

É importante que Cabo Verde, a médio prazo, possa ter a língua cabo-verdiana como língua de instrução, paralelamente ao português, porque isso vai permitir, em primeiro lugar, que as pessoas separem os dois sistemas linguísticos de uma maneira mais clara. Vai permitir ainda a produção de conhecimento em língua cabo-verdiana – que é importante para a cidadania. Não acredito, como tenho escutado, que esta possibilidade seja uma ameaça para o português em Cabo Verde. O português está num momento de crescimento internacional, e tem-se tornado lentamente uma língua de oportunidades.

A Unesco lançou, há algum tempo, um programa de incentivo ao plurilinguismo chamado “The Language Matters”. Por que pedir atenção para este tipo de assunto?

Gilvan Müller de Oliveira: Estamos entrando numa era chamada por muitos de sociedade do conhecimento, na qual os modos de produção são redes comunicantes que precisam de informação atualíssima. E a língua é o principal instrumento. Há uma necessidade de instrumentos multicanal cada vez mais plurilingues: uma explosão das oportunidades de uso e expansão para muitas línguas. É o contrário do que se previa nos anos de 1990, quando se falava do domínio do inglês pela sua presença maciça no mundo, e do desaparecimento de outras línguas.

Que oportunidades são essas?

Gilvan Müller de Oliveira: A Wikipédia existe em 248 línguas, e a tendência é que isso continue a crescer. O Google já busca em 128 idiomas – hindi, polaco, quéchua. Para que estes programas e sites estejam disponíveis na internet, é necessária toda uma tarefa de retaguarda de terminólogos, gramáticos, lexicógrafos que poucos sabem que existe. Quando uma língua entra no meio digital, aquilo é só a ponta do iceberg de um trabalho imenso, que foi feito e consolidado por baixo.

Qual a importância disto?

Gilvan Müller de Oliveira: As oportunidades para que as pessoas possam viver na sua língua estão crescendo. Estamos nos encaminhando para soluções plurilingues, quando antes nós só enxergávamos soluções monolingues. Aquela ideia do século XIX, de Estados autarcas e fortes, de uma soberania encerrada numa única língua, na tentativa de controlar corações e mentes, ficou obsoleta e fadada ao passado. No entanto, ter o direito e oportunidade de viver na sua língua, não implica que você não possa aderir a outras línguas, ao mesmo tempo. Acaba, então, aquela dicotomia “ou eu falo a minha língua materna ou eu falo uma segunda língua”.

Estamos passando por um momento positivo de plurilinguismo. Preconizado pela Unesco desde pelo menos 1958, ele vai se concretizando numa série de instrumentos linguísticos como a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, de Barcelona em 1996, a Declaração Universal da Diversidade Cultural, de 2007.

“Ter direito de liberdade de expressão não é só
dizer o que eu penso – é poder dizer isso na minha língua,
e não apenas na língua hegemônica”

É a descoberta econômica da língua?

Gilvan Müller de Oliveira: Também: a percepção do erro que foi os Estados terem delapidado seu patrimônio linguístico, oprimindo grupos minoritários que falavam línguas que hoje poderiam significar a conexão com comunidades de outras nações, e gerar intercâmbio econômico. No entanto, além da dimensão econômica, há o direito linguístico enquanto locus do direito humano. Ter direito de liberdade de expressão não é só dizer o que eu penso – é ter direito de dizer isso na minha língua, e não apenas na língua hegemônica. Em terceiro lugar, é a revelação da língua como instrumento essencial de manutenção da diversidade de tradições e conhecimentos produzidos pela humanidade. Precisamos evitar que eles se percam, como ocorreu durante o longo período em que a tradição ocidental foi imposta como única forma legítima, expressa nas línguas europeias. Foi o que poderíamos chamar de função linguística do colonialismo.

A manutenção destas línguas e tradições de conhecimento implica reconhecer uma estrutura ecológica de saberes da qual necessitamos para sobreviver. É o oposto de crer que só a tradição ocidental é legítima, estando autorizada a destruir outras tradições, a considerar superstição todo um rol de conhecimentos, taxados com adjetivos negativos em nome da cientificidade declarada universal.

É preciso gerir melhor a política linguística no mundo?

Gilvan Müller de Oliveira: Nosso trabalho envolve explicitar as políticas linguísticas. Exige superar uma visão ingênua, que vê a língua como instrumento da natureza, monumento nacional, ou algo que se deu por si mesmo, que nasceu como nasce um baobá, que cresceu e engordou como se fosse um animal, uma planta. A língua, ao contrário, é a mais evidente criação do ser humano, e como todo o produto cultural ela sofre intervenções políticas todo o tempo – mesmo que o grosso da população nunca saiba que decisões foram estas. Portanto, tornar visível a questão política das línguas e sua gestão é meta de qualquer Estado democrático e qualquer instância internacional.

Que representa a entrada na CPLP da Guiné-Equatorial, único país africano de língua espanhola?

Gilvan Müller de Oliveira: A Guiné-Equatorial requisitou seu ingresso na CPLP como membro pleno, o que é uma novidade muito grande. É um país que dá passos para redefinir sua identidade linguística nacional, a partir da oficialização do francês e do português, em função dos seus interesses regionais e das suas possibilidades econômicas e diplomáticas. A Guiné-Equatorial está integrada na CEAC (Comunidade Econômica da África Central), que também tem o francês e o português como línguas oficiais, a partir da presença do Gabão e São Tomé e Príncipe.

É um sinal de que a língua não é uma fatalidade, é uma decisão política. A entrada de Guiné-Equatorial implicará uma série de medidas, que definirão qual será a presença do português naquele país: em que instâncias afetará a população, se entrará como língua de trabalho em determinadas áreas. Tal como a Guiné-Equatorial, há muitos outros países que hoje gostariam de entrar na CPLP. É um bom sinal, um bom augúrio para o bloco. Ninguém quer entrar num clube que não funciona, mas quando as coisas começam a melhorar as pessoas passam a querer aderir.

“A ideia do século XIX: Estados autarcas e fortes,
soberania encerrada numa única língua,
na tentativa de controlar corações e mentes, ficou obsoleta”

Quais são as exigências da CLPL para a entrada da Guiné-Equatorial?

Gilvan Müller de Oliveira: O primeiro passo foi elaborar um mini-plano que dará origem às estratégias de implementação do português no período 2011-2012. Implica definir o que se entende por oficialização do português: a oferta no setor público, na comunicação, no ensino superior. Por si só, a oficialização ainda não quer dizer nada. O português, por exemplo, apesar de ser oficial em Timor Leste, tem usos específicos. Este ano foi a primeira vez que houve uma sessão parlamentar em português lá.

Uma segunda ação é entender como a população sente a língua: Tem uma visão positiva? É vista como uma língua de opressão ou de abertura para o mundo? Existem setores que rechaçam o português? Em terceiro lugar, serão criados dois centros para o ensino do português: um na capital, Malabo, outro em Bata, principal cidade da Guiné-Equatorial continental. Quarto: haverá um programa de português na rede pública de televisão por semana, sem legenda nem dublagem. Quinto: será feito um estudo do crioulo de Annobón (o IILP vai movimentar uma equipe para isso), para caracterizar esta herança portuguesa a partir da existência do crioulo, da família dos crioulos do Golfo da Guiné, junto com o santomé, o lingué e o angolar, todos de São Tomé e Príncipe.

Qual a situação do português nas organizações internacionais?

Gilvan Müller de Oliveira: É importante que o idioma esteja presente nas organizações diplomáticas, como a ONU. Mas o mais importante, a meu ver, é o crescimento do português nos blocos econômicos regionais. Porque eles – e o Mercosul é um belíssimo exemplo – envolvem toda a sociedade, não só o corpo diplomático. Envolvem mobilidade física, parcerias de produção, conhecimento de títulos de formação, ações conjuntas. Vivificam a convivência entre comunidades linguísticas. E o português é língua oficial em cinco blocos, dos 17 existentes no mundo: União Europeia, Mercosul, Cedeao, CEAC, SADC e futuramente pode ser ainda língua oficial da Asean, quando Timor deixar de ser observador e se tornar membro pleno.

Você falou de “países-observadores” da CPLP. Qual é a situação do Senegal, Ilhas Maurício, Ucrânia que já sinalizaram o interesse em ter o português no seu território?

Gilvan Müller de Oliveira: Friso que também a Galícia, região autônoma da Espanha, faz um movimento em direção à CPLP, porque uma das polêmicas que vive é que o galego é português.

O Senegal tem uma área tradicional falante do crioulo da Guiné-Bissau, que é Ziguinchor, capital da província de Casamance, um antigo território português que foi trocado por Cabinda, em Angola, no final do século XIX.

Recentemente, saiu a biografia do ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, e ele diz: “o colonialismo português na África em muitos momentos foi pior que o apartheid para os africanos”. Isso é interessante porque apesar de tudo o que o português significou para o continente, existe uma sintonia e vontade de aproximação destes países (no âmbito dos blocos linguísticos e políticos), tanto por parte da elite quanto das classes populares. Existe uma vontade de pertença, que na minha opinião é um fator positivo e deveria ser investigado.

Isto traduz o novo modelo de lusofonia, que quer promover a adição de culturas e tradições a partir da língua – ao contrário do cenário antigo, que subtraía valores?

Gilvan Müller de Oliveira: Exatamente. Por que a Ucrânia teria interesse em ser membro da CPLP? Para além dos 400 mil ucranianos que vivem no estado do Paraná, no Brasil? Porque parece que no tempo da União Soviética cada república era especializada numa relação internacional, e a relação da URSS com os países de língua originária do português era prerrogativa da Ucrânia. Então estabeleceu-se lá um vínculo de 1975, um elo que permitiu a muita gente aprender o português. Muitos cidadãos foram para a África, e eles não querem desperdiçar este capital humano, linguístico e cultural que foi acumulado. Como o Brasil desperdiçou o capital da migração alemã, italiana, da língua guarani falada na Bolívia, Paraguai, Argentina. O Brasil, de certo modo, jogou no lixo oportunidades abertas pelo contato com estas outras comunidades. Trata-se de aproveitar o português nesta conjunção. Tornar a língua mais atraente, passível de paridade e negociação. Talvez seja uma novidade do século XXI.

MAIS:
A visão de Gilvan Müller sobre as relações entre língua e poder está desenvolvida, em profundidade, em entrevista concedida, em 2001, ao Jornal da Unicamp
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Timor-Leste: Crianças ficam doentes com refeições do Programa de Alimentação Escolar




TIMOR DIGITAL

Sucessivas queixas

Díli - Refeições disponibilizadas pelo Governo no Programa de Alimentação Escolar têm vindo a deixar as crianças doentes na Escola Primária de Díli, de acordo com a directora do estabelecimento Rosa Auta Marçal da Cruz.

A directora da Escola Primária situada em Manleuna declarou que tem havido sucessivas queixas por parte dos pais em relação a problemas de saúde dos filhos depois de ingerirem as refeições do Programa de Alimentação Escolar.

«Muitas vezes as crianças têm problemas digestivos e os seus pais vêm protestar à direcção da Escola, mas o que podemos fazer, se a comida nos é enviada pelo Governo?», questiona Rosa da Cruz.

Segundo as declarações da responsável do estabelecimento escolar, ela própria já diligenciara junto do Executivo timorense que encontrasse um novo fornecedor. Rosa da Cruz não quis adiantar quantos estudantes já terão ficado doentes por ingestão das refeições do Programa em causa. Para a directora do estabelecimento de ensino o arroz e os vegetais deveriam ser trocados por alimentos ricos em nutrientes como leite, pão e ovos.

A escola, com 1 008 estudantes e 29 professores, encontra-se degradada a níveis preocupantes. As instalações escolares têm um número muito pequeno de espaços destinados ao ensino, existindo apenas dez salas de aula. Com um número insuficiente de mesas e cadeiras, não existem, em número suficiente, livros para que os professores possam dar as aulas.

A directora da Escola Primária referiu ainda que os professores têm que recorrer aos seus livros pessoais ou providenciar eles próprios livros que lhes permitam continuar a leccionar no estabelecimento.

(c) PNN Portuguese News Network

Timor-Leste: MEMBRO DA POLÍCIA MILITAR AFASTADO DA INSTITUIÇÃO





Acusado da morte de uma idosa

Díli- Manuel de Jesus da Costa, membro da Polícia Militar de Timor-Leste (F-FDTL) acusado do espancar até à morte uma idosa, no mês passado em Mascharinhas, foi afastado da instituição.

Manuel Costa foi dispensado durante uma parada militar especial que ocorreu no Quartel-General em Tasi Tolu, na última sexta-feira. De acordo com as declarações do Coronel Falur Rate Laek, responsável de pessoal das F-FDTL, o militar Manuel de Jesus da Costa foi dispensado das forças militares por ter violado os regulamentos internos da instituição. «Foi formalizada a sua dispensa da instituição militar F-FDTL para que o militar em questão possa ser assistente no processo que decorre na justiça civil», disse o Coronel Falur Rate Laek.

«A decisão foi por nós tomada tendo por base a legalidade (dos regulamentos internos da instituição)», acrescentou o militar. Para o Coronel Falur todos os membros da força militar foram avisados sobre o desrespeito dos regulamentos da instituição.

A dispensa do militar mereceu a concordância do gabinete do Secretário de Estado da Defesa, Júlio Tomás Pinto. Para o responsável timorense os membros da F-FDTL têm de respeitar a lei porque as pessoas respeitam a instituição. Os regulamentos da força militar previnem quaisquer acções que possam causar mau estar na comunidade, acrescentou ainda.

Manuel de Jesus da Costa foi detido por uma equipa da Polícia Militar momentos depois da morte da idosa de 68 anos, Luciana Martins. Foi decretada recentemente a liberdade condicional ao militar pelo tribunal de Díli que, terá de se apresentar semanalmente à Policia Distrital de Díli até que termine a fase de investigações do processo.

Desde 2007, a F-FDTL dispensou oito dos seus membros por desrespeito pelo regulamento interno.

(c) PNN Portuguese News Network

Guiné-Bissau: CNE inicia formação de jornalistas para preparar próximas eleições




MB - LUSA

Bissau, 20 jun (Lusa) -- A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau iniciou hoje uma formação para cerca de 30 jornalistas guineenses com o objetivo de preparar as próximas eleições legislativas e autárquicas a realizar em 2012.

O seminário, a decorrer nas instalações da CNE até quarta-feira, enquadra-se no âmbito do projeto de apoio aos ciclos eleitorais nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e Timor-Leste, financiado pela União Europeia no montante global de 6,1 milhões de euros para três anos.

António Sedja Man, secretário executivo da CNE, afirmou, na abertura do seminário, que os profissionais de comunicação social da Guiné-Bissau devem aproveitar o encontro para refletirem sobre o seu papel nos processos eleitorais na perspetiva das eleições autárquicas e legislativas de 2012.

O responsável da CNE reconheceu que "muitas das vezes as relações entre a comunicação social e a administração eleitoral são tensas", apesar dos esforços que cada uma das partes desenvolve.

O secretário executivo da CNE sublinhou, no entanto, ser importante a participação da comunicação social na educação e sensibilização dos eleitores, o que, disse, "contribui para a elevação da democracia" na Guiné-Bissau.

O seminário visa debruçar-se sobre as relações entre os media e as estruturas que geram os processos eleitorais.

Ricardo Godinho Gomes, especialista em processos eleitorais e um dos seminaristas, afirmou à Agência Lusa que a ação de formação tem como fundamento "analisar os aspetos complexos que ocorrem entre os jornalistas e a máquina eleitoral que muitas das vezes acabam em conflitos".

Para o responsável da CNE, "aquelas situações acabam por mexer com o profissionalismo dos jornalistas e com a própria transparência dos processos eleitorais", pelo que, notou, o seminário tem como objetivo analisar esses aspetos de forma prévia.

No âmbito do projeto PRO PALOP já foram realizados na Guiné-Bissau uma auditoria aos resultados das últimas eleições presidenciais, o recenseamento eleitoral e agora está-se a realizar este seminário, explicou Godinho Gomes.


SÃO PAULO QUER SE TORNAR CAPITAL MUNDIAL DAS MÍDIAS SOCIAIS





Em 2010 a edição paulistana do Social Media Day foi a segunda maior do mundo e o grande desafio deste ano é superar Nova York.

São Paulo - No próximo dia 30 de junho, a cidade de São Paulo acolherá novamente o maior evento de mídias sociais do mundo, o Social Media Day, que ocorrerá em mais de 1.200 cidades espalhadas por 93 países. O evento foi criado em 2010 pelo blog norte-americano Mashable. A edição 2011 ocorre no dia 30 de junho, no Teatro Gazeta em São Paulo. A entrada é gratuita.

Em 2010 a edição paulistana foi a segunda maior do mundo e o grande desafio desse ano é superar Nova York, que promoveu a maior edição do ano passado. Para isso os organizadores contam novamente com a participação ativa dos usuários das redes sociais.

“Em 2010 tivemos apenas 10 dias para organizar o evento, mas a participação ativa dos usuários das principais redes sociais atraiu uma quantidade de público que nos surpreendeu”, afirma Leandro Palmieri, co-organizador do evento.

O grande objetivo dos organizadores para a edição de 2011 é tornar a edição paulistana a maior do mundo e trazer para São Paulo o título de “capital mundial das mídias sociais”.

Segundo Anderson Criativo, co-organizador do evento, esse título tem como objetivo mostrar para o mundo que os brasileiros têm grande capacidade de mobilização e mostrar a maturidade do mercado de mídias sociais: “Colocar São Paulo e o Brasil no radar global das mídias sociais é uma grande conquista para todas as empresas e profissionais que atuam na área”, afirma Criativo.

Julio Vasconcellos, sócio-fundador e CEO do Peixe Urbano e Rafael Losso, ex-MTV e atual consultor da empresa Livestream no Brasil já confirmaram presença como palestrantes.

China e Índia: PERSPETIVAS ACERCA DA GRANDE CORRIDA ECONÔMICA ASIÁTICA




GUSTAVO RESENDE MENDONÇA - MUNDORAMA

Devido à dinâmica da política internacional, China e Índia estão destinadas a serem objetos de comparações. Desde 1991, quando as reformas econômicas indianas iniciaram um expressivo processo de crescimento econômico, analistas ponderam a possibilidade de a Índia reproduzir o milagre econômico chinês. Em um primeiro momento, o crescimento da economia indiana, embora expressivo, foi apenas uma fração da expansão lograda pela economia chinesa. Atualmente, no entanto, o desempenho econômico indiano tem se aproximado dos altos índices chineses de expansão e parece confirmar as previsões que apontam a Índia como uma potência econômica do futuro.

O presente artigo pretende avaliar, de forma exploratória, as principais vantagens indianas na corrida econômica contra a China. O argumento central enfatiza o grande potencial indiano para o crescimento, mas também ressalta que as assimetrias econômicas entre os dois gigantes asiáticos são muito grandes e dificilmente serão superadas na primeira metade do século XXI.

Na competição com a economia chinesa, as vantagens indianas podem ser agrupadas em três grandes categorias: democracia, demografia e diplomacia. No campo demográfico, o crescimento da população indiana é dinâmico, enquanto a população economicamente ativa (PEA) da China envelhece rapidamente. Estimativas apontam para um rápido declínio da PEA chinesa a partir de meados da década corrente, enquanto a PEA indiana crescerá rapidamente até a década de 2030, quando atingirá seu ápice (BARDHAN 2010: 128). Em termos absolutos, calcula-se que, nos próximos vinte anos, a PEA chinesa decrescerá 30% – aproximadamente cem milhões de trabalhadores -, enquanto a PEA indiana crescerá a uma média anual de aproximadamente 0,8% (EBERSTADT, 2010:57). Por fim, projeções das Nações Unidas estimam que a Índia superará a China como nação mais populosa do mundo em meados da década de 2020 (LUCE, 2007: 335). Obviamente, a China ainda possui formas alternativas para evitar a escassez de mão-de-obra, como a migração rural, mas parece claro que o gigante asiático lidará com sérios desafios populacionais, enquanto a Índia desfrutará de um dividendo demográfico.

Na esfera diplomática, a Índia constrói alianças e projeta Soft Power com mais facilidade do que a China. Em primeiro lugar, os Estados Unidos apóiam explicitamente a ascensão indiana, enquanto desenvolvem uma relação ambígua com a China (LUCE, 2007:277). A aliança indo-americana é resultado do desejo manifesto dos Estados Unidos de contrabalancear a ascensão chinesa na Ásia. O apoio norte-americano é facilitado pelo grande contingente de indo-americanos que vivem nos Estados Unidos e que, atualmente, configuram-se como o terceiro grupo de pressão estrangeiro mais poderoso no congresso norte-americano (KANDAR, 2008: 550). A Índia também desenvolve boas relações com o Japão e com a Austrália, nações com interesse em limitar o crescimento da influência chinesa na Ásia. Até mesmo a Rússia, que desenvolve uma parceria estratégica com a China no campo dos discursos políticos e comunicados diplomáticos, tem sérias diferenças com a China, especialmente devido a tensões fronteiriças (NYE, 2011: 201). Em síntese, a ascensão internacional indiana encontra muito menos resistência do que o crescimento do poder chinês. Tal vantagem política pode se refletir no campo econômico por meio de acordos de transferência de tecnologia, investimentos estrangeiros e tratados de livre-comércio.

A democracia indiana, embora imperfeita, pode catalisar o desenvolvimento de forma mais eficiente que o modelo autocrático chinês. Alguns autores questionam a superioridade econômica da democracia indiana, especialmente devido aos altos níveis de corrupção e ineficiência vigentes no país. Bardhan argumenta que o Partido Comunista Chinês foi capaz de realizar reformas que promoveram a descentralização e a meritocracia, de forma que as instituições políticas chinesas são claramente superiores às indianas na promoção do desenvolvimento (BARDHAN, 2010: 159). Não obstante, a maioria da literatura especializada concorda que a democracia indiana fornece grandes vantagens econômicas, especialmente em longo prazo. Em primeiro lugar, a democracia fornece canais legítimos de conciliação e resoluções de conflito, de forma a equacionar as diferenças étnicas e culturais presentes na Índia. O rígido sistema chinês é vulnerável a protestos e demandas da sociedade civil. Em segundo lugar, a democracia é uma importante fonte de Soft Power, especialmente se comparada ao modelo autocrático chinês, que gera grande rejeição no ocidente. Em terceiro lugar, sociedades mais livres são mais eficientes na produção de conhecimento especializado, uma vez que o intercâmbio de informações e pessoas não é limitado por nenhuma restrição institucional. A democracia também estimula o empreendedorismo e torna o setor privado mais forte e ativo. Parece claro que o crescimento indiano é calcado na criatividade do setor privado, enquanto a expansão da economia chinesa depende do poder público (ECONOMIST, 2010). Por fim, as democracias são mais adequadas para dirimir problemas relativos à desigualdade de distribuição de renda, tema que começa a preocupar a China. Assim, embora não exista consenso a respeito do tema, é provável que a democracia se mostre como uma vantagem indiana na disputa econômica com a China.

Uma quarta vantagem indiana está relacionada a um conceito econômico denominado efeito de alcance, que enuncia que, tudo mais constante, quanto maior a renda per capita de um país, maior é a dificuldade em sustentar altos índices de crescimento econômico. Um estudo recente sugere que o crescimento econômico desacelera bruscamente quando a renda per capita supera US$ 16.670, valor que deve ser alcançado pela China em 2015 (ECONOMIST, 2011). A renda per capita indiana, por outro lado, ainda é inferior a U$ 2.000, fato que proporciona um amplo espaço para o crescimento do país.

Os fatores enunciados acima sugerem que o dinamismo da economia indiana pode superar o rápido crescimento chinês. Não obstante, é importante ressaltar que as disparidades econômicas entre os dois gigantes asiáticos são imensas: a renda per capita chinesa é quatro vezes maior do que a indiana, o PIB chinês é cinco vezes superior ao da Índia e a corrente de comércio exterior da China é cinco vezes maior do que a indiana. A Índia também sofre com problemas de infra-estrutura e escassez de mão-de-obra qualificada, além de significativos desafios sociais. Nesse sentido, mesmo que a Índia se torne o mercado emergente que cresce mais rapidamente no mundo, dificilmente o país tomará o papel que a China atualmente ocupa na economia internacional.

Referências Bibliográficas

BARDHAN, Pranab. Awakening Giants, Feet of Clay: Assessing the Economic Rise of China and India. Princeton: Princeton University Press, 2010.
EBERSTADT, Nicholas. The Demographic Future. Disponível em: http://www.foreignaffairs.com/articles/66805/nicholas-eberstadt/the-demographic-future. Acesso em: 2 de maio de 2011.
ECONOMIST. India’s surprising economic miracle. Disponível em: http://www.economist.com/research/articlesBySubject/displaystory.cfm?subjectid=6899464&story_id=E1_TSTQSGQR. Acesso em: 2 de maio de 2011.
ECONOMIST. The BRIC Wall. Disponível em: http://www.economist.com/node/18560195?story_id=18560195. Acesso em: 2 de maio de 2011.
KAMDAR, Mira. Planeta Índia. Rio de Janeiro: Agir, 2008.
LUCE, Edward. In Spite of the Gods: The Rise of Modern India. Nova York: Anchor, 2008.
NYE, Joseph. The Future of Power. Washington, DC: Public Affairs, 2011.

*Gustavo Resende Mendonça é mestre em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (gusresende@hotmail.com)


OU AGRICULTURA SUSTENTÁVEL OU FOME, diz FAO





Produtividade tem de crescer 70% até 2050

As práticas de meio século de agricultura intensiva devem dar lugar a uma abordagem mais sustentável para alimentar o mundo em 2050, de acordo com a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU, FAO. A produção mundial terá de crescer 100% em países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, agricultores precisam conservar os recursos e proteger o ambiente, de acordo com a FAO, que espera que o planeta tenha 9.2 bilhões de habitantes em 2050.

A mudança do clima e a crescente competição por terras, água e energia com outros setores da economia leva a crer que a agricultura não pode mais depender de produção intensiva. Esta abordagem causou degradação da terra, uso excessivo da água, resistência a pestes e outros problemas em muitos países, diz a organização em seu relatório Economize e Cresça. “Também está claro que os sistemas atuais de produção e distribuição de alimentos não estão conseguindo alimentar o mundo”, diz o relatório, apontando que o total de pessoas subalimentadas em 2010 foi estimado em 925 milhões, um número maior do que 40 anos atrás. A meta de alimentar o globo se torna mais complicada pela falta de novas terras aráveis para a expansão das colheitas, afirma a agência.

Os passos necessários para enfrentar a situação incluem o uso de sementes de maior produtividade, incluindo as geneticamente modificadas, assim como uma mistura de fertilizantes minerais e recursos naturais, uso eficiente de água e uso limitado de pesticidas, com a rotatividade das colheitas. Pequenos agricultores, especialmente no mundo em desenvolvimento, precisarão de apoio financeiro, tecnológico e educacional de governos e organizações internacionais. O mundo precisa investir um total de U$ 290 bilhões por ano na agricultura de países em desenvolvimento para chegar a metas desejadas para 2050. Este número inclui agricultura primária e serviços, como armazenamento, processamento e comercialização. A FAO reitera que o investimento em países em desenvolvimento é “claramente insuficiente”, informa a Reuters.

China: Manobras militares em águas territoriais sob clima de tensão com Vietname e Filipinas




DM - LUSA

Pequim, 20 jun (Lusa) -- A China anunciou manobras militares nas suas águas territoriais, que irão incluir testes de mísseis, perante a crescente disputa com o Vietname e as Filipinas pela soberania de ilhas do mar do sul da China.

O "Diário do Exército de Libertação Popular", citado pelo jornal de Hong Kong "South China Morning Post", informou da retirada de minas pela China, enquanto o "Diário da Juventude da China" relatou disparos de ensaio por parte de navios equipados com mísseis entre outras manobras, cuja localização exata não foi avançada.

O facto da imprensa chinesa dar conta destes exercícios mostra, de acordo com analistas citados pelo "South China Morning Post", que a China pretende advertir os seus vizinhos do sul perante a escalada de tensões em torno das ilhas de Spratly e Paracel.

UNMIT ENTREGA COMPUTADORES AO GOVERNO TIMORENSE



SAPO TL

Prática comum das Nações Unidas com Governos parceiros, a UNMIT ofereceu 300 computadores ao governo timorense. Numa primeira fase foram entregues 60, cinco dos quais ficaram instalados e os restantes numa fase mais adiantada.

Para Clark Toes, da Equipa de Liquidações das Nações Unidas, pretende-se com esta oferta que o equipamento seja benéfico para o Governo e seus utilizadores.

Manuel Monteiro, representante do Governo, agradeceu à UNMIT a oferta e disse esperar que os computadores venham a ser úteis para várias actividades do Governo, incluindo formação em Aprovisionamento, quer no Ministério das Finanças quer nos distritos.

A cerimónia, realizada no passado dia 15 de Junho, terminou com a assinatura de um acordo entre os representantes da UNMIT e do Governo.

SAPO TL com Governo Timor-Leste

RAMOS HORTA EM CABO VERDE




A SEMANA

O Presidente da República Democrática de Timor-Leste, José Ramos-Horta, estará em Cabo Verde para participar nas comemorações do 36º aniversário da independência do país, que se assinala no dia 5 de Julho.

No dia seguinte, 6, Ramos-Horta, participa numa Sessão Solene da Assembleia Nacional onde vai usar da palavra.

Ramos-Horta, prémio Nobel da Paz, é convidado de honra do Estado de Cabo Verde para participar nas comemorações do 36º aniversário da Independência Nacional.

CABO VERDE É O SEGUNDO DESTINO MAIS PROCURADO PELOS FRANCESES




A SEMANA

Cabo Verde, com um aumento de 104%, é o segundo destino turístico mais procurado pelos franceses durante a época de Inverno, revelou a Associação de Operadores Turísticos Franceses (CETO) em seus relatórios. Entre os destinos de longo curso mais procurados, o país ficou atrás apenas do Brasil, que cresceu 150%.

Entre Novembro de 2010 e 30 de Abril de 2011, foram vendidos 18.581 pacotes de férias para Cabo Verde. As boas vendas colocaram o arquipélago no Top 10 dos destinos de longo curso nas viagens organizadas para os franceses.

A lista continua com o Sri Lanka em terceiro lugar, com um crescimento de 59%, o México, com 55%, e Cuba, com 40%.

O balanço do CETO aponta ainda que o volume de negócios para o semestre foi de 2.414 milhões de euros, em alta de 9,4% comparado ao Inverno de 2009/2010. As informações são PressTur.

DEGRADAÇÃO DA DIGNIDADE HUMANA: A MENTIRA




JOSÉ JOÃO NEVES BARBOSA VICENTE – A SEMANA, opinião

A mentira está directamente associada ao conhecimento do verdadeiro e à vontade que escolhe escondê-lo para enganar outrem. Para que haja mentira é mister intenção de enganar terceiros.

A mentira é uma degradação e aniquilamento da dignidade humana. Ela sacrifica toda relação razoável entre os homens, por isso ela deve ser condenada de forma total. Ela não se encaixa, por exemplo, na primeira fórmula do imperativo categórico de Kant: “Age sempre de tal modo que a norma de teu proceder possa erigir-se em regra universal”. Ou de outro modo, antes de agir pergunta a ti mesmo: “E se todo o mundo procedesse assim?”. Ora, qualquer um é capaz de perceber que a prática universal da mentira tolhe todo valor e toda significação à palavra humana, instrumento privilegiado de nossas permutas. Querendo ou não, com a mentira a sociedade perde todo o fundamento lógico. A reciprocidade nas relações humanas deixaria de existir.

No fundo, ninguém mente sem “motivo”, mesmo o mitómano, que o faz por “prazer” ou para dar imagem lisonjeira de si mesmo. O mentiroso não sacrifica a verdade ao vazio, sacrifica-a àquilo que se poderia chamar um “bem parcial”. Tudo está em saber o que vale este “bem”, se se trata sempre de um valor puramente egoísta.

Sem ser um génio, uma pessoa é capaz de entender que a mentira é um sucedâneo da “verdade”. Ou seja, ela visa exactamente ao mesmo resultado, estabelecer entre os homens a confiança e a harmonia. O que “força” alguém a mentir é o sentimento da impossibilidade que têm os outros de compreender inteiramente sua acção.

Muitos invocam a “mentira de polidez”, como a de Filinto, que, rejeitando a brutal sinceridade de Alceste, sabia arredondar ângulos, maneirar suscetibilidades, poupar as vaidades. Para Pascal, os homens não poderiam subsistir se soubessem tudo o que pensam uns dos outros. Existe ainda a chamada “mentira de caridade”, como a do médico que promete ao doente sem cura uma melhora próxima; a “mentira de honra” do sacerdote ou do advogado para proteger o segredo profissional; a “mentira política ou patriótica”, como a do rei Creon, em Antígone de Anouilh, que, traído por Etéocle e Polinice, propaga no entanto o mito do “bom irmão”, porque a opinião pública, para não entrar em desespero, reclama um herói para compensar o traidor. Como se vê, a mentira se coloca muitas vezes a serviço da própria intenção moral.

A reflexão sobre o problema da mentira torna difícil devido a “pluralidade dos valores”. Na sociedade há valor da caridade, da polidez, da honra, da verdade... valores que conflitam-se entre si e que podem tornar a mentira escusável e quiçá às vezes necessária. Recordemos o exemplo clássico de Santo Atanásio perseguido pelos Arianos. Ele se refugia, cujo proprietário, um pouco depois, é interrogado pelos Arianos. Na opinião dos casuístas, o proprietário tem o dever de salvar o homem que abriga, mas evitará a “mentira brutal”, usando palavras equívocas ou a “restrição mental”. Ora essa atitude é hipócrita e demonstra mentira porque existe intenção expressa de enganar alguém. Porém para muitos, a mentira dita para salvar uma vida humana é perfeitamente legítima.

Muitos afirmam ainda, que a mentira deve ser permitida quando é o único meio de preservar um “valor precioso”. Quem permite essa regra, permite a mentira. A mentira deve ser entendida sempre, não como uma marca de fraqueza, uma confissão de impotência, uma tentativa de salvar ou de ajudar, mas como uma solução imediata para problemas espinhosos e, que, felizmente, coloca seu autor em situação difícil no futuro. Mentira pode facilitar no instante presente, mas multiplica as dificuldades para um período de tempo mais longo. Extrema fadiga experimenta-se em mentir, pois se torna necessário adaptar e construir todas as palavras em função da primeira mentira. E como as construções da mentira são falsas, é preciso confirmá-las a todo o momento e proteger o castelo de papelão contra os desmentidos do real. Todas as mentiras são desonestas e inúteis.

*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT – Revista de Filosofia.

TCHERNOBIL E FUKUSHIMA PROVOCAM REAÇÕES GLOBAIS CONTRA ENERGIA NUCLEAR




DEUTSCHE WELLE

Após a catástrofe de Fukushima, vários governos revisam suas políticas de energia nuclear e a resistência ao emprego de usinas cresce em alguns países.

As 437 centrais nucleares existentes no mundo são responsáveis por 13% da energia produzida no planeta. Após as catástrofes nucleares de Tchernobil e Fukushima, o número de usinas atômicas pode ficar estabilizado ou mesmo diminuir.

Enquanto nos Estados Unidos e na Inglaterra o acidente no Japão não provocou debates sobre o uso de energia nuclear, na França ativistas iniciaram uma greve de fome rotativa, pedindo o fechamento da central nuclear de Fessenheim, no nordeste do país. O grupo argumenta que, além de ser a central nuclear mais antiga da França, ela foi construída em área de risco de terremoto e inundações.

País com o maior número de reatores na Europa (58), a França não pretende desistir desta forma de energia. O presidente Nicolas Sarkozy argumenta inclusive que os reatores franceses são dez vezes mais seguros do que os de outros países e que este tipo de energia é um importante instrumento de proteção do clima.

Situação na Índia

Em uma posição oficial emitida logo após o acidente em Fukushima, o governo da Índia interpretou os acontecimentos no Japão como uma mera reação química e não como incidente nuclear. Além disso, o plano de emergência estaria funcionando muito bem, assinalou a nota.

Esta posição não surpreende o ativista ambiental Praful Bidwai, já que a Índia planeja a construção de mais seis usinas nucleares, além das 20 já existentes no país. Hoje, a energia nuclear corresponde a menos de 3% da energia produzida na Índia, mas depois que as seis novas centrais entrarem em funcionamento, esta cota será de 6%. Bidwai lembra que algumas usinas serão construídas em regiões consideradas "sensíveis" sob o ponto de vista ambiental.
 
A resistência à energia nuclear na Índia era pequena, porém, segundo Bidwai, isso mudou. "Agora, ativistas de todo o país estão se mobilizando e fundando comitês para pressionar o governo a desistir dos planos".

"De 100 mil a 600 mil comunidades na Índia não têm energia. Elas também não vão ter fornecimento de energia nos próximos dez anos. Não há motivo para não investir em energia solar, quando quase a metade do país vive sem energia", protesta.

Cresce a discussão na China

O desastre em Fukushima também provocou debates na China, onde 2% da energia produzida têm origem nuclear. O governo está agora supervisionando todas as centrais já existentes e acirrou as exigências na segurança das 27 usinas nucleares em construção.

Conforme o diretor da organização Amigos da Natureza, Li Bo, a questão nunca foi discutida de forma tão ampla seu país. "Finalmente a opinião pública chinesa acordou. Nós ainda não sabemos exatamente qual será a lição aprendida com Fukushima", explica o integrante de uma das mais fortes ONGs chinesas em número de membros. 

Na ONU, reações institucionais tímidas não acompanham o tom oposicionista dos militantes contra a energia nuclear. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se manifestou sobre o desastre de Fukushima e os 25 anos do acidente em Tchernobil, pedindo aprimoramento nos padrões de segurança das centrais no mundo.

Itália desiste de programa nuclear

O governo italiano suspendeu seus planos de implementar usinas desta matriz no país, argumentando ser necessário continuar as pesquisas sobre a segurança da energia nuclear. Outros países iniciaram discussões profundas nas legislações referentes ao tema.

Na Alemanha, também a ala governista no parlamento pressiona por alterações na regulamentação do aproveitamento da energia nuclear. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, defende uma mudança "moderada" na política energética.

Autores: Nina Werkhäuser / Marcio Pessôa - Revisão: Roselaine Wandscheer