terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Forças sírias atacam oposição em várias frentes, dizem ativistas




Correio do Brasil, com foto - Reuters, de Amã

As forças do governo sírio atacaram nesta terça-feira seus oponentes em várias frentes no país, causando a fuga dos moradores em uma localidade próxima à capital e bombardeando a cidade de Homs pelo 11º. dia consecutivo, segundo ativistas.

Os cidadãos de Homs – terceira maior cidade síria, com 1 milhão de habitantes – enfrentam uma crise humanitária. Há escassez de alimentos e combustíveis, e a maioria das lojas fechou devido aos incessantes ataques com foguetes e morteiros, que impedem que as pessoas saiam de casa.

Intensificando a pressão internacional contra o presidente Bashar al Assad, a Arábia Saudita propôs uma nova resolução da ONU em apoio ao plano de paz da Liga Árabe, depois de uma tentativa anterior ser vetada por Rússia e China.

A alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, criticou a inação do Conselho de Segurança, dizendo que tal situação estimula Assad a continuar atacando a população.

– Estou particularmente assustada com o atual massacre em Homs (…). Segundo relatos críveis, o Exército sírio tem disparado contra bairros densamente populosos de Homs, no que parece ser um ataque indiscriminado contra áreas civis, disse Pillay na segunda-feira à Assembleia-Geral da ONU.

Assad reprime há 11 meses uma rebelião popular contra seu governo. Inicialmente pacíficos, os protestos ganham cada vez mais contornos de uma guerra civil, com a participação de militares desertores e de outros grupos armados. O governo diz estar enfrentando terroristas patrocinados pelo exterior.

Houve novos confrontos na manhã desta terça-feira em Rankous, localidade rural próxima a Damasco. O ativista Ibn al Kalmoun disse via Skype que as linhas telefônicas foram interrompidas, e que muitos moradores fugiram.

Em Homs, o bairro de Baba Amro, reduto da oposição, sofreu ao amanhecer o mais intenso bombardeio dos últimos cinco dias, segundo o grupo oposicionista Observatório Sírio de Direitos Humanos.

O ativista Hussein Nader disse que é impossível sair às ruas para avaliar danos e vítimas. “Eles estão atingindo os mesmos pontos várias vezes consecutivas, fazendo com que seja impossível se aventurar lá fora. O bombardeio foi intenso de manhã, e agora é um foguete a cada 15 minutos, mais ou menos”, disse Hussein, usando um telefone por satélite.

– Os moradores estão retidos. Temos um homem que sofreu queimaduras graves, está morrendo e precisa ir para o hospital, relatou Nader, contando que o homem foi atingido durante a noite em um caminhão pelo qual percorria Baba Amro recolhendo feridos.

Mohammad al Mohammad, médico em um hospital improvisado no bairro, apareceu em um vídeo ao lado de um jovem que ele disse ter sido alvejado por um franco-atirador.

– A bala parou no estômago. É uma condição crítica que exige transporte para um hospital adequado, afirmou Mohammad. “Apelamos a quem tiver consciência que intervenha para parar os massacres de Bashar al Assad e seus asseclas.”

Ativistas disseram que os preços de alimentos e combustíveis triplicaram, e que gangues estão saqueando casas.

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