sábado, 25 de janeiro de 2014

Portugal: CORTAR NA SAÚDE MATA

 


Tiago Mota Saraiva – jornal i, opinião
 
Em entrevista à RTP, José Clemente, director do Serviço Urgência na Hospital Garcia de Orta EPE, afirmou que o caos que se vivia nas urgências do hospital que dirige não se devia a uma ruptura decorrente dos cortes que o governo impôs. Instado a aventar causas para o problema, o director do serviço acossado culpou os velhos por se sentirem doentes e os jovens médicos por demorarem muito tempo com os doentes. Disse-o certamente por outras palavras, temperadas por um bom lugar de remuneração acrescida, mas foi este o sentido da sua intervenção. Curiosamente (ou talvez não) a entrevista depois de ser muito partilhada nas redes sociais saiu dos arquivo online da RTP.
 
Não sei se Clemente é médico de carreira ou um daqueles gestores liquidatário dos serviços públicos, mas o que fica claro em poucos minutos de entrevista é que é incapaz de gerir as pessoas que dirige e de respeitar as pessoas que serve. Incomodar publicamente quem fala assim é, não apenas, um dever de cidadania mas também uma forma de denunciar quem publicamente desprestigia os seus colegas e humilha os que merecem os últimos anos de vida que lhes estão a tirar.
 
O que se passa nos hospitais públicos, sobretudo com os doentes mais velhos, deve envergonhar-nos a todos. Não há conversa de café que substitua a denuncia pública.
 
Permanecer calado transforma-nos em colaboracionistas.
 
Escreve ao sábado
 

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