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terça-feira, 3 de maio de 2016

EXPRESSO CURTO COM MOSCA DE ALEIXO



Expresso Curto com futebol, gravatas, gramática… e tudo. Só que por aqui não vamos em futebois, nem Fátimas, nem fados – não, no sentido literal da expressão que tinha que ver com o salazarismo fascista, cinzentão e obscurantista. Já demos para esse peditório e o mais semelhante que tivemos em dias há muito pouco tempo passados foi a troika Cavaco, Passos, Portas e… seus “pastorinhos”. Retrógrados. Eles sim.

Martim, jornalista do Expresso, é quem serve este Expresso Curto com que vai esbarrar. Está morno. Despachem-se a sorvê-lo mas não esqueçam de agradecer a quem o serve. Essa mania de ser mal-educado e não agradecer a quem nos serve nos cafés, nos restaurantes e etc., tem de acabar. Ou isso ou as boas maneiras afinal não servem para nada. Bebam muito chá que isso passa. Lembrem-se que a dignidade habita por toda a humanidade e é primordial que seja respeitada. Desde o que limpa esgotos, ao pedreiro, ao serralheiro, ao carpinteiro… ao empregado de mesa, ao engenheiro, ao doutor… Melhor será ressalvar que há os que desconhecem o que é isso de dignidade, e esses são políticos, ministros, doutores. Até fazem lembrar a mosca de António Aleixo e a verdade que encerra.

Uma mosca sem valor
poisa c’o a mesma alegria
na careca de um doutor
como em qualquer porcaria.
António Aleixo


Cuidado com a mosca. E vamos ao Expresso Curto que já tarda. É sempre um excelente ponto de partida para nos atualizarmos e espreitarmos pela janela que dá para o mundo, no conforto da casa do tio Balsemão. Um liberal no salazarismo /marcelismo e agora um grande Bilderberg; aqueles dótores da massaroca por que pugnam e adoecem com ganância contagiante... só para alguns, que podem. É tudo uma questão de poder. Quem pode, pisa os outros e nem dá por isso. Tal é a cegueira e insensibilidade provocada pela ganância. (CT / PG)

Bom dia, este é o seu Expresso Curto 

Martim Silva – Expresso

O campeão nacional é o... Penafiel!

Bom dia,

Abro o curto de hoje com dois destaques. Um deles, mais em linha do que normalmente aqui trago tem que ver com a discussão em torno doAcordo Ortográfico, que se julgava mais ou menos enterrada, ou pelo menos em banho-maria, mas que volta a ser tema de debate... impulsionado por (quem mais?) Marcelo Rebelo de Sousa (que esta manhã chega a Moçambique para a sua primeira viagem de Estado).
Aliás, o título inicial desta newsletter era precisamente "Acordo Ortográfico. Há margem para recuo?".

Era. Só que...

O outro destaque chama-se Leicester. Uma espécie de história da gata borralheira transformada em cinderela do futebol moderno.

Há dois anos e meio o clube ainda estava na segunda divisão e há ano e meio estava no último lugar da Premier League (o mais maravilhoso e empolgante campeonato de futebol do mundo) mas acabou por conseguir salvar-se graças a um conjunto de sete vitórias nos últimos nove jogos. Este ano sagrou-se (ontem à noite), e pela primeira vez na sua história, campeão inglês de futebol, na liga mais rica do mundo e onde há colossos como o Manchester City, o Manchester United, o Chelsea, o Arsenal, o Liverpool ou o Tottenham.

É mais ou menos o mesmo do que termos em Portugal como campeão o Penafiel (que há ano e meio lutava para não descer e estava na mesma situação do Leicester). A comparação só não é perfeita (e fui alertado para isto pelo Pedro Candeias, que é quem mais percebe da poda aqui no Expresso) pelo facto de que, mesmo pequeno e pobre à escala inglesa, o Leicester ter investido este ano qualquer coisa como 50 milhões em contratações(City=200; United=147; Liverpool=mais de 100).

A incrível receita do Leicester: agrupar um conjunto de jogadores dispensados de outras equipas, jogadores que fizeram a carreira em escalões secundários, contratações obscuras em França e ainda um treinador considerado uma espécie de "pé-frio" (uma espécie de Peseiro lá do sítio) do futebol europeu, dado que o italiano Claudio Ranieri apesar da longa carreira nunca tinha conquistado um título.

Deixo aqui um conjunto de links, curiosidades, notícias e números para quem quer ler mais sobre o assunto:

-Os craques do Leicester analisados à lupa, um a um.

-Ranieri, o homem a quem aconteceu não sei o quê, pelo Pedro Candeias.

-A incrível ascensão do clube nos últimos cinco anos (por lá passaram Eriksson e Paulo Sousa).

-Surpreendentes estatísticas comparando o Leicester com campeões anteriores.

-Veja aqui a forma incrível como jogadores do Leicester festejaram o título, numa festa em casa do avançado Jamie Vardy

-Vardy (que tem um percurso extraordinário pois ainda há poucos anos trabalhava numa fábrica de próteses) foi eleito o jogador do ano pelos jornalistas britânicos e Mahrez obteve a mesma distinção, mas no prémio do sindicato dos jogadores.

-Reações recolhidas pela BBC

-Até a Rainha já veste as cores do clube.

-De como o romantismo ainda existe no futebol (texto da Mariana Cabral escrito há menos de um mês).

Vamos então ao Acordo Ortográfico. Ou será desacordo, como se escreve no Expresso Diário de ontem?

A polémica não pára e este caso não é excepção. Ou será "a polémica não para e este caso não é exceção"?

O tema voltou ao debate com a notícia do último sábado do Expresso, em que é o próprio Marcelo Rebelo de Sousa, que não é propriamente um entusiasta do Acordo Ortográfico, a admitir reabrir o debate.

Que o assunto é polémico e há anos faz correr rios de tinha, já todos sabemos. Mesmo aqui, no Expresso. Veja-se que por exemplo colunistas como Pedro Mexia (agora consultor cultural do PR), Miguel Sousa Tavares e José Cutileiro fazem questão de escrever de acordo com a grafia antiga.

Depois de relançado o assunto, ontem voltámos à carga e fomos ouvir especialistas na matéria. Incluindo Malaca Casteleiro, o linguísta considerado o pai do Acordo em vigor.
Hoje mesmo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros poderá trazer uma luz sobre se o Governo está ou não disposto a entrar nesta batalha (e é dele que depende a última palavra, lembre-se).

OUTRAS NOTÍCIAS

Cá dentro,

Hoje é dia da Comissão Europeia divulgar as previsões económicaspara Portugal. E é o primeiro dia da aguardada visita de Marcelo a Moçambique. País que vive uma situação política, social, económica e militar muito muito fragilizada nesta altura.

Nas capas dos jornais:

-Consumo da pílula do dia seguinte aumentou 30 por cento (JN)
-Lares dão excesso de sedativos a idosos (DN)
-Novo Banco impede de trabalhar quem recusou a rescisão amigável (Público)
-Novo choque entre Costa e Bruxelas (Negócios)
-Pílula que mata a Sida chega a Portugal no Verão (i)

Morreu Querubim Lapa, um dos mais importantes ceramistas portugueses.

Ontem foi dia de apresentação de contas pelo Santander Totta e BCP. Este último, lê-se na RR, vai fechar balcões, pagar o que deve ao Estado... e sonha com o Novo Banco.

Ainda em matéria de contas, atente nestes números: os gigantes na área da saúde em Portugal faturam qualquer coisa como 112 mil euros... por hora.

Bruxelas desiste de aplicar multa de 5,3 milhões a Portugal.

E o ministro das Finanças, Mário Centeno, quer uma indemnização dos cidadãos que andaram a fugir aos imppostos e foram apanhados no escândalo do Swissleaks.

Os combustíveis voltaram a aumentar, mas a promessa do governode diminuir os impostos para absorver esse aumento é que ainda não saiu da gaveta.

Também as comunicações aumentam, e mais do que no resto da Europa.

O Expresso tem andado a acompanhar as peripécias do MRPP em torno do seu mais recente "congresso clandestino" e ontem escrevemos isto no site. Vale a pena ler...

Já tem uns dias, mas se não leu vale a pena parar neste texto da Revista do Expresso sobre os amigos dos primeiros-ministros.

O PSD está a pagar um suplemento a Passos de forma a que ele, somado o salário de deputado e o tal suplemento, ganhe o equivalente a vice-primeiro-ministro.

Vinte e duas pessoas foram detidas numa rave em Alenquer.

E no Alqueva, há uma história rocambolesca de um homem que e viu expropriado para a construção da barragem e que quando se apercebeu que o lago artificial não inundou o terreno quis recuperá-lo mas descobriu que já tinha sido feito um negócio, como dizer, pouco claro, com a propriedade.

Lá fora,

Um jornalista francês esteve meses infiltrado numa célula do Estado Islâmico e conseguiu regressar para contar o que viu, ouviu e sentiu.

Sobre a situação em Espanha, e hoje é o dia em que Felipe VI dissolve as Cortes e manda o país para novas eleições gerais, vale a pena ler a análise de Jorge Almeida Fernandes no Público.

No Brasil, um juiz decidiu suspender o serviço Whatsapp durante 72 horas no país como forma de forçar o Facebook (dono da companhia) a dar acesso a mensagens trocadas por traficantes de droga investigados pela justiça.


E presidente brasileira, Dilma Rousseff, quer antecipar as eleições presidenciais ainda para este ano. Se há golpe, nada como avançar com um contra-golpe...

Dois dos maiores patrões da publicidade e comunicação em Françavão deixar a liderança das respetivas empresas.

Foram encontrados, 16 anos depois, os corpos de dois alpinistas desaparecidos nos Himalaias.

Na Venezuela, a crise energética e política agrava-se e Nicolas Maduro volta a ensaiar uma fuga em frente, apelando à rebelião e dizendo que “se não acaba a guerra económica, faço uma revolução no continente”.

O correspondente do Expresso nos EUA, Ricardo Lourenço, fala sobre o patrão da Tesla, Elon Musk.

E de que se trata quando falamos do espetacular desaparecimento dosRadiohead? Na Blitz explica-se tudo.

Há uma campanha a pedir que na sequela de Frozen (eu tenho uma filha de três anos, vejo o filme dia sim dia não) a princesa Elsa tenha...uma namorada.

No Desporto, e com um final de campeonato electrizante (no fim de semana vive-se mais uma jornada decisiva) o Benfica deu ontem o passo que lhe faltava para chegar à primeira final da época. Ganhou 2-1 ao Braga e vai disputar a Taça da Liga com o Marítimo.

Aqui lembra-se Ayrton Senna, que morreu há 22 anos. Ainda a propósito de carros, há um conjunto de pilotos icónicos do passado que vão voltar a pegar no volante em Portugal...

NÚMEROS

1700
Milhões de euros, foi quanto a dívida pública aumentou em Março em termos homólogos

112
Por cento foi quanto cresceram os lucros do Santander Totta no primeiro trimestre do ano

FRASES

"As coisas estão terríveis em Portugal, mas não tão terríveis como há alguns anos”, Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, na última crónica no The New York Times

"Parabéns SCP. Que mais posso dizer... Já sei, vão dizer que foi este ou aquele jogador. Pois é. Tão fácil. Lembram-se de eu criticar a Visão 611? Dez anos depois, temos o resultado. Parabéns AH", Rui Moreira, autarca do Porto, na sua conta no Facebook, muito crítico para com o dirigente portista Antero Henrique

O QUE EU ANDO A LER

Crítico, historiador de arquitectura e professor universitário, faleceu no último fim de semana Paulo Varela Gomes. Deixo aqui o link do texto que o Público fez bem como este para o texto de obituário sintético que o Expresso online publicou no fim de semana e em que se faz referência ao romance Hotel (Prémio PEN Narrativa de 2015), um dos quatro livros que Varela Gomes escreveu depois de se saber doente. De um impulso fui comprá-lo e ando a lê-lo:

“Quando ganhou o euromilhões, Joaquim Heliodoro de Ataíde e Pinto Winzengerode de Mascarenhas Adrião Manoel de Menezes comprou grande palacete do início do século XX, uma casa que conhecia por fora e por dentro desde criança e a propósito da qual elaborara muitas fantasias, castelãs, hoteleiras e sexuais, e decidiu transformá-lo num hotel.”

Também Rui Tavares escreveu sobre um dos livros de Varela Fomes, no caso “Passos Perdidos”.

Na internet é ainda muito fácil encontrar o impressionante, muito impressionante mesmo, texto que Varela Gomes escreveu no ano passado, “Morrer é mais difícil do que parece”, retirado daqui e escrito para o número cinco da revista Granta, no qual é relatado o processo de descoberta do cancro e a forma como foi lidando com a doença.

“A decisão com que, apesar da fraqueza física, andei sem hesitar algumas dezenas de passos, surpreendeu-me a mim mesmo. Pronto, ia morrer. Aspirei o cheiro intenso, quase ridente, de uma hortelã-pimenta que nascera ao pé do pinheiro grande sem que, até então, alguém tivesse dado por ela. Coloquei a cadeira junto a uns troncos cortados, sentei-me e, já com os canos da arma na boca, o dedo aflorou o gatilho. Senti o metal como uma coisa sem qualidade, cálida, mortiça, dócil. Tudo me pareceu vagamente ridículo, o meu gesto, os objectos de que me rodeara. Veio até mim mais uma vez o cheiro da hortelã. Ergui os olhos que tinha fixados na guarda do gatilho e vi um pinhal que o sol, através de uma abertura nas nuvens, isolava, dourado, do verde-escuro da encosta. Ocorreu-me de repente uma vaga de alegria inexplicável, como se fosse um sinal da presença de Deus à semelhança daqueles que os textos sagrados referem por vezes. Cheguei à mais simples conclusão do mundo: estava vivo e, enquanto assim estivesse, não estava morto.”

Se não leu este texto quando ele foi escrito, leia-o agora. Vale muito a pena.

Referência ainda nesta evocação para o texto de António Guerreiro no Público “Intempestivo, pessimista, sempre radical”.

Por hoje é tudo... espere, falta ainda dizer-lhe que o Expresso recebeu o prémio de semanário da Europa. Agora sim, por hoje é tudo, ao longo do dia acompanhe a actualidade no Expresso online, no final da tarde tem Expresso Diário e amanhã o Expresso Curto regressa pela fresca.

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