sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Partidos extraparlamentares moçambicanos juntam-se a marcha pela paz em Maputo



Partidos extraparlamentares de Moçambique anunciaram hoje que vão juntar-se às organizações da sociedade civil na marcha convocada para sábado em Maputo a exigir o fim imediato das hostilidades militares.

"Nós também estaremos na rua, juntamente com as organizações da sociedade civil para protestar e exigir o fim deste conflito", disse o presidente do Partido Ecologista Movimento da Terra, João Massango, falando durante uma conferência de imprensa, em representação de várias formações partidárias extraparlamentares.

A marcha, que decorrerá sob o lema "O Povo já não aguenta", começará às 07:30 de Maputo (06:30 em Lisboa) e vai percorrer algumas das principais avenidas do centro da capital.

À semelhança das organizações da sociedade civil, segundo João Massango, os partidos extraparlamentares já emitiram um pedido ao Governo e à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) para participar no processo negocial, estando agora à espera de uma resposta.

"A paz não é só do interesse da Renamo e da Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique], é uma questão de todos", afirmou João Massango, remetendo para os próximos dias detalhes sobre o pedido.

João Massango disse ainda que partidos extraparlamentares estão a organizar uma série de manifestações caso as partes não cheguem a um consenso.

"Estamos a preparar um leque de manifestações contra toda esta situação e serão manifestações que começam mas não terminam ", declarou o líder do partido Ecologista, sem avançar datas nem detalhes dos protestos.

Na quarta-feira, os mediadores internacionais nas negociações de paz em Moçambique divulgaram uma proposta às delegações do Governo moçambicano e da Renamo para a suspensão imediata das hostilidades militares, mas as partes não chegaram a acordo e as conversações estão interrompidas até 12 de setembro.

Em junho, as mesmas organizações da sociedade civil foram às ruas para protestar contra a crise política e económica que o país atravessa, exigindo a responsabilização dos autores das chamadas dívidas escondidas, que totalizam 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros), e que fizeram disparar a dívida pública para 86% do Produto Interno Bruto.

Declarações públicas de organizadores da marcha do próximo sábado já deram a entender que, além da exigência de paz, a crise económica em Moçambique e o caso das dívidas escondidas também constarão das palavras de ordem.

AYAC // EL - Lusa

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