quarta-feira, 24 de agosto de 2016

PR moçambicano pede a artistas para usarem as suas armas contra "atrocidades" da Renamo



O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, pediu hoje aos artistas do país para usarem as artes como arma de repulsa contra a "ação desestabilizadora" e as "atrocidades" da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido de oposição.

"Como o fizeram no passado recente, os artistas mostram o quanto as artes constituem uma arma poderosa de denúncia e repulsa das atrocidades e dos atos contrários ao projeto coletivo de promoção do bem-estar e fortalecimento da nossa pátria", afirmou Filipe Nyusi, numa alusão à Renamo, no seu discurso de abertura do nono Festival Nacional da Cultura, que arrancou hoje na cidade da Beira.

Referindo que os moçambicanos vivem "momentos conturbados pela ação desestabilizadora movida pela Renamo", o chefe de Estado sustentou que o seu Governo destaca "a centralidade da cultura como fator de identidade" de Moçambique.

As autoridades moçambicanas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques nas últimas semanas, em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da mineira brasileira Vale.

Alguns dos ataques foram assumidos pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, que os justificou com o argumento de dispersar as Forças de Defesa e Segurança, acusadas de bombardear o lugar onde supostamente se encontra, algures na serra da Gorongosa.

No seu discurso na Beira, província de Sofala, no centro do país, e que tem sido uma das mais atingidas pela violência política, Filipe Nyusi referiu-se às "ricas tradições culturais" de Moçambique como forma de partilha de saberes milenares e também de incutir e cimentar a unidade nacional.

"Estão de parabéns por nos lembrarem que tudo o que pretende contradizer a nossa unidade, a nossa cultura e a nossa vontade de viver como um só povo, uma só nação, não passa de água debaixo da ponte, que passa e raramente volta", afirmou o Presidente da República, numa mensagem dirigida aos artistas.

A inauguração do novo Festival Nacional de Cultura, que decorre até domingo sob o lema "Celebrando a diversidade cultural pela consolidação da paz e desenvolvimento", insere-se no terceiro dia da visita de Filipe Nyusi à província de Sofala.

Em simultâneo decorrem negociações de paz entre Governo e Renamo em Maputo, com a presença de mediadores internacionais, mas não são ainda conhecidos avanços.

HB // EL - Lusa

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