segunda-feira, 5 de setembro de 2016

CAMPANHA CONCERTADA ANTI-PCP NAS BOCAS DOS “DEMOCRATAS” E NA MÍDIA DOS GRUPOS



As férias podem permitir-nos readquirir estaleca para o que der e vier. Vamos à luta. Mais um ano, mais uma viagem para melhorar esta sociedade regida por malditos que se vendem ao ver, sentir e possuir umas migalhas do vil metal, sem pensarem que afinal são transformados em canídeos a dar à cauda e a dizerem “sim senhor” aos seus donos, mesmo quando os atropelam e lhes desativam a coluna vertebral, condenando-os a seres curvados e rastejantes.

Não sou militante do PCP, nem militante partidário. Há os que preferem ser livres e ideologicamente de esquerda, na cultura e na postura, nos atos. Sou um desses. Também não estou aqui para escrever sobre o “meu eu”. Quero somente deixar claro que estou absolutamente à vontade para começar esta prosa depois das férias gozadas (de uma semana) em abordagem sobre a falsa democracia e os falsos democratas que abundam em Portugal (na Europa e no mundo). E esses falsos democratas mais perigosos acoitam-se na direita portuguesa (no exemplo a abordar). E são eles que detêm os grandes grupos de mídia que transformam jornalistas em escribas “sim, senhores patrões”. Para além de enxamearem os grandes órgãos de comunicação social com conteúdos que podemos classificar de “produtos brancos”, todos iguais - mais coisa, menos coisa. Lemos no Jornal de Notícias o que podemos ler no Diário de Notícias, ou escutar na TSF, ou ver na SIC, e no Expresso… e por aí adiante. Nas colunas de opinião abundam gentes da direita e o equilíbrio não existe com a exclusão de gente de esquerda, realmente de esquerda. Estes são só alguns exemplos. Exemplo que deviam envergonhar diretores de jornais (p.ex.) e os jornalistas, perdão, os escribas de serviço. Não são todos mas são demasiados.

É através desses produtos brancos que estão a ser concertadas ações que não podem somente ser consideradas ataques às políticas do governo – como é natural em sã democracia por uma oposição realmente democrata. Os ataques têm a profundidade do anti-comunismo primário que vimos e sentimos na era salazarista-nazi-fascista. Um Paulo Rangel no lugar a que pertence e sempre pertenceu mascarou-se de democrata e pulou para deputado do PSD, serviu uns quantos ali e guindou-se para o parlamento europeu. Lá está, a mamar e a destilar o seu anti-comunismo primário de jaez semelhante ao que lhe pespegaram no ADN salazarista e nazi-fascista. Declarou ele que: “A festa do Avante diz-nos que temos de ter muito cuidado com os comunistas, eles estão a crescer e caímos no risco de sermos entregues aos soviéticos…”. Pois. O mamão, da estirpe de tantos outros mamões, usa os argumentos de sempre e com os objetivos de sempre: a mentira e o medo. Antes, no salazarismo-fascista, diziam que “os comunistas comem criancinhas ao pequeno-almoço”, entre outras mentiras. Agora, na modernidade, Rangel usa os mesmos métodos e os mesmos argumentos com outras palavras que significam o mesmo. Até parece Salazar ou Hitler a falar. E é este fulano deputado no parlamento europeu por Portugal!

Além disso existem muito mais Rangel, e muitos mais escribas a veicular e martelar até à exaustão o que é declarado ou inventado, ou manipulado. Sempre com um objetivo no caso de Portugal: campanha concertada anti-PCP, anti-comunista primária. E eles já nem se moderam. E eles estão a acelerar o passo com botas cardadas. A campanha difamatória e manipuladora está em marcha em grandes proporções. O que não dizem é que no PCP não cabe corrupção como nos partidos “democráticos” a que pertencem – como é o caso dos do tal Arco da Governação. Nem cabe no PCP a exploração desenfreada aos trabalhadores, nem cabem injustiças e impunidades que ao longo de quatro décadas têm sido semeadas pelos tais do malfadado Arco da Governação. Não vimos no PCP aqueles que têm prosperado à custa dos roubos praticados contra o povo. Não vimos ali ponta por onde se pegue de desonestidade. O mesmo não acontece nas fileiras dos Rangeis, dos Coelhos, dos Cavacos, dos Portas (etc.) e de outros tantos ou mais do PS. Esses têm sido os que se governam em vez de governarem (bem) o país.

São estes e aqueles descarados que nos causam vómitos… E os escribas, a dar à cauda, mansos, fotocopias formados em universidades dúbias que distribuem “canudos” dúbios.

E assim vai Portugal, ao ritmo da globalização chamada neoliberal – antecâmara do nazi-fascismo.


Tenham um bom dia, se conseguirem esse “milagre”. Olhos bem abertos e cérebro a funcionar, por favor.

Mário Motta / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Martim Silva – Expresso

Bom dia,

Não há propriamente uma data oficial, mas este fim-de-semana marca de facto a rentrée política nacional. Ele foi o PCP, com a Festa do Avante, ele foi o CDS e o seu encontro de quadros. Ele foi o PSD, com a habitual Universidade de Verão em Castelo de Vide. Todos se acotovelaram para marcar espaço mediático e dizer ao que vêm nos próximos meses.

Na Quinta da Atalaia, no Seixal, Jerónimo de Sousa pautou o encerramento da 40ª Festa do Avante com um discurso semelhante a um caderno de encargos (salário mínimo, pensões, carreiras da Função Pública) ao executivo socialista. Um discurso que trouxe este ano a novidade de ser feito com os comunistas numa situação na qual nunca tinham estado antes: nem bem no poder, nem bem na oposição - uma coisa em forma de assim.

Ainda sobre os comunistas, vale a pena ler este texto do Expresso, escrito pela Rosa Pedroso Lima, sobre os 40 anos do Avante.

Igualmente ao final do dia foi o encerramento da Universidade de Verão do PSD. Passos Coelho falou, num discurso em que voltou a vaticinar catástrofes para o país em caso de continuidade desta política da geringonça de Costa. Uma intervenção em que aproveitou para revisitar as suas célebres palavras do 'que se lixem as eleições'.

Noutro ponto do país, foi a vez de Assunção Cristas concluir o encontro de quadros do seu partido. Igualmente com bicadas à esquerda, e ainda com propostas em cima da mesa, como a ideia dos benefícios fiscais para startups e novos negócios.

A relação Passos Cristas é recente mas já parece necessitar de alguma terapia...

Curioso é o ângulo que dois jornais (o DN e o i) hoje escolhem para as rentrées de PSD e CDS, dizendo que as intervenções praticamente à mesma hora, e sobrepondo-se, dois dois líderes da direita, é mais uma pedra na engrenagem da relação dos dois partidos.

Claro que mal Passos acabou de falar, já o PS voltava a afiar as facas contra o líder do PSD, com o presidente do partido, Carlos César, a classificar a sua liderança de "fiasco".
Também Catarina Martins aproveitou a oportunidade para 'malhar' em Passos e na direita.

Marques Mendes, na SIC, no seu habitual comentário, afirma que os números económicos mais recentes são uma chapada no Governo e que verdadeiramente o INE é que se torna o grande opositor de António Costa. Aqui pode ler o essencial das palavras do comentador e antigo líder do PSD.

Jornal de Negócios avança que as negociações em torno do salário mínimo podem mesmo ser um dos temas políticos fortes dos próximos tempos.

E Costa? Bem, o primeiro-ministro vai hoje para uma viagem de quatro dias ao Brasil.

Não tem que ver diretamente com o regresso em força da política nacional, mas merece nota este estudo agora divulgado e que mostra uma proximidade excessiva entre políticos e bancos no nosso país. Com os efeitos que bem se conhecem.

OUTRAS NOTÍCIAS

Cá dentro,

No ano passado, Portugal já tinha conseguido 14 prémios mas este ano o número foi largamente superado e o país trouxe 24 "Óscares" europeus do Turismo.

Os espanhóis do Caixa Bank estão a ponderar retirar a OPA sobre o BPI.

Depois da resolução do imbróglio da Caixa Geral de Depósitos, ainda vale a pena ler a entrevista de Cristina Casalinho, a líder do IGCP, hoje ao Jornal de Negócios. Nela admite que parte do valor que o Estado tinha previsto utilizar para reembolsar empréstimos do FMI podem ser desviados para o banco estatal.

O Estado está em atraso com os pagamentos aos colégios com ensino especial, situação que se repete pelo segundo ano consecutivo.

Com o abrandamento dos últimos anos no sector da construção civil, está a deixar de haver mercado para escoar o cimento produzido.

Um militar morreu durante o treino no curso de Comandos, alegadamente devido ao pico de calor sentido nos últimos dias.

Vera Jardim lidera a Comissão de Liberdade Religiosa, que tem de zelar pelo cumprimento e respeito da liberdade religiosa no nosso país. E já faz declarações, como esta, a propósito da recente polémica em França em torno do burquini: "proibir vestuários ou obrigar vestuários é coisa que não me convence como modo de convivência sã entre pessoas".

Sem bola este fim de semana, porque amanhã é dia de jogo da seleção, o que marcou foi a entrevista de Jorge Jesus ao Record, cuja primeira parte foi publicada ontem. O que mais deu que falar foi a confissão do treinador do Sporting ao dizer que ao fim de um mês em Alvalade já pensava ir-se embora.

Quem está de volta e em busca de um novo começo, depois de passar muitas dificuldades, é a antiga estrela do Benfica Isaías. Um amigo proprietário de um restaurante deu-lhe a mão e o caso já chegou aos jornais e televisões.

A jovem estrela do Porto, e agora também da seleção, André Silva, estará na mira do Atlético de Madrid.

Lá fora,

Horas depois de o presidente chinês ter dito que era contra a instalação na Coreia do Sul de sofisticado sistema antimíssil pelas mãos dos EUA, o país Kim Jong-un, mais a norte, lançou três mísseis balísticos para o mar do Japão. Mais um desafio da Coreia do norte numa ação lida como uma tentativa clara de chamar a atenção da cimeira do G20 que decorre na China.

No Brasil prosseguiram, pelo sétimo dia consecutivo, as manifestações contra Temer e contra a destituição de Dilma. Um record, afirma a BBC.

Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido, tem dúvidas sobre a exequibilidade das propostas para controlo da imigração que foram avançadas pelos partidários do Brexit.

Em França, milhares protestaram exigindo o desmantelamento da chamada 'selva' de Calais, um campo de refugiados improvisado na localidade francesa.

No Vaticano, mais de 100 mil pessoas assistiram às cerimónias decanonização da Madre Teresa de Calcutá.

O QUE ANDO A LER

Regressado de férias, hoje é mesmo o primeiro dia de mangas arregaçadas em vez de pernas estendidas ao sol, deixo-lhe aqui duas sugestões que me preencheram nos últimos dias, e que bem valem a pena.

A primeira, mais curta, mas deliciosa sobretudo para, como eu, os amantes de Roma, é o livro "Histórias de Roma", de Enric González. Antigo correspondente na capital italiana, leva-nos num percurso delicioso sobre a política, a gastronomia, o futebol, os hábitos e manias dos italianos. Ou melhor, dos romanos. Se está a pensar ir ou voltar a Roma, este pode ser uma espécie de guia alternativo bem interessante.

Depois, e por 'sugestão' do Henrique Raposo, atirei-me de cabeça ao magnífico épico do dinamarquês Carsten Jens "Nós, os Afogados". Uma espécie de Odisseia com base no porto dinamarquês de Marstal. Um romance extraordinário.

Por hoje é tudo, as nossas desculpas por este Curto que já sabe quase a café do meio da manhã. Tenha uma excelente segunda-feira.

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