terça-feira, 6 de setembro de 2016

CUIDEM-SE QUE VEM AÍ A CLINTON!




1 – O relativo desastre que está a constituir a campanha eleitoral do Republicano Donald Trump leva a supor que a candidata Democrata Hillary Clinton terá vantagens apreciáveis no acesso à Casa Branca.

Para África é doloroso constatar que, tendo sido Hillary Clinton uma das principais entidades impulsionadoras da agressão à Líbia em 2011, enquanto membro da Administração Obama, é ela que está melhor posicionada no pleito eleitoral norte-americano!

África refletirá o carácter desse contencioso, uma vez que a hegemonia unipolar tem exercido as suas capacidades tirando partido das imensas vulnerabilidades africanas, face ao jogo dos carteis de minerais e das multinacionais afins particularmente desde o final da IIª Guerra Mundial, até por que os contenciosos da descolonização sofreram e sofrem (não esquecer o caso do Sahara submetido a Marrocos) com os imperativos da construção do seu modelo exclusivista e imperativo de globalização.

O clã Clinton teve sangrentas implicações geo estratégias no exercício da administração de Bill Clinton, na área decisiva para África, sob o ponto de vista geo estratégico: a Região dos Grandes Lagos.

 De facto os Democratas foram decisivos para a atividade de seus homens de mão na região e, nesse quadro, pela projeção (entre outros) de Paul Kagame, influenciando por dentro em episódios e cenários que vão desde o holocausto no Ruanda, até às guerras crónicas que têm devassado sobretudo os Kivus, na República Democrática do Congo, incidindo precisamente na região circundante ao curso inicial do rio Congo, onde as disputas humanas envolvendo migrações, têm sido mais acérrimas.

O “lobby” dos minerais, quiçá mais elitista e versátil que o do petróleo e do armamento que sustentam o Partido Republicano e com mais comprovada cultura de inteligência em relação a ele, sempre teve geo estratégias económicas dominantes e elitistas em África desde os tempos de Cecil John Rhodes (“British South Africa Company”, a gestação da União Sul Africana, o incremento de implantação de explorações mineiras, caminhos de ferro e portos…), bem por dentro do continente e bem por dentro do seu miolo produtivo, tirando proveito da água interior e das riquezas humanas, ambientais e minerais dessas paragens desde então abertas aos poderes coloniais mais poderosos, por via de Livingstone ou de Stanley…

Os clãs Rockefeller e Rothschield têm muito a ver com isso, pois desde a revolução industrial sorveram os principais interesses em toda a imensa região da África Austral e Central, de certo modo tal qual o fizeram durante o período de expansão para oeste nos Estados Unidos!

Por isso ganhando os Democratas as eleições, vão haver reflexos no miolo do continente africano (tal como antes no exercício de Bill Clinton), não só por que agora pela manipulada contradição o terrorismo necessita de acessos à água interior para sobreviver e ao mesmo tempo expandir-se (tirando partido dos cursos hidrográficos do Níger e do Nilo, assim como do Lago Chade, salvo na Somália por causa da proximidade com a península Arábica), mas também por que as multinacionais que exploram minérios o fazem na esmagadora maioria dos casos bem dentro do espaço continental no sul e no centro do continente (Zimbabwe, Zâmbia e República Democrática do Congo), em processos sobretudo implantados durante o colonialismo e o “apartheid”.

Para fazer face à disseminação do terrorismo que vai permitir a utilização do músculo militar em operações de “baixa intensidade”, o USAFRICOM e os vassalos da NATO (potências tradicionais em África, como a França) contarão com as vantagens da influência já criada no interior, como por exemplo na África do Oeste, no Sahel e em países dos Grandes Lagos como o Uganda e o Ruanda, neste caso tendo os Kivus como alvo, aproveitando as disputas no acesso humano à nevrálgica bacia hidrográfica do Congo.

Na RDC vastas regiões correspondem economicamente muito mais aos estímulos provenientes de Entebe, ou de Kigali, do que de Kinshasa, apesar de Kisangani ser um polo importante aparentemente “híbrido” no leste do Congo, coroando o trajeto inicial sul-norte do poderoso rio.

 Essa atração poderá dar seguimento às políticas de terapia neoliberal que se vão seguindo ao choque que aconteceu sobretudo no Ruanda (com o holocausto) e nos Kivus, influenciando numa paz formatada aos interesses da aristocracia financeira mundial, tendo em conta o que Hillary Clinton representa.

Algo similar irá acontecer a Angola, mas de forma aparentemente mais “suave”, segundo os padrões criados pelos impactos da terapia neoliberal: é o cartel dos diamantes que impulsiona o plano comum de aproveitamento do Cubango (Okawango) e do curso intermédio do Zambeze, (entre Botswana, Namíbia, Zimbabwe, Zâmbia e Angola) pelo que os Parques de Paz Nacionais e Transfronteiriços estão a assistir já a investimentos que correspondem aos interesses elitistas dos Democratas norte-americanos que utilizam a África do Sul como “base impulsionadora e de retaguarda” próxima, (que também é dominante no Índico Sul, no Atlântico Sul e num nicho de iniciativas na Antártida)…

De facto esgotando-se os recursos minerais na África do Sul (cada vez o ouro, a platina e os diamantes estão a ser explorados a maior profundidade, o que aumenta os custos), o cartel e as multinacionais procuram os países mais a norte a fim de operarem com mais incentivos financeiros, o que transformou o Botswana na plataforma mais promissora para os novos kimberlites e outras minas a céu aberto, garantindo a expansão na direção do Cuando Cubango.

O sul de Angola com este tipo de enquadramentos, sob o ponto de vista económico e financeiro, corresponderá muito mais a Windhoek, a Gaberone e a Pretória, em muitos sectores de atividade, do que a Luanda, mas tudo isso num quadro eminente de terapia neoliberal, explorando as potencialidades e as possibilidades da SADC!

2 – Se Hillary Clinton for eleita, o sudeste de Angola assistirá na menos má das hipóteses a um incremento de investimentos elitistas seguindo a trilha da terapia neoliberal, tendo em conta as tradicionais ligações dos Clinton (cobrindo os clãs Rockefeler e Rothschield) aos interesses do cartel do ouro, dos diamantes e da platina, especialmente na África do Sul, mas sempre com particular atenção a uma geo estratégia sensível às questões físico-geográficas e humanas relativas à agua interior do continente.

Se isso pode garantir a atração de interesses para uma Angola sedenta de desenvolvimento sustentável, é também isso que continua a eclipsar a urgente necessidade de implementar um plano geoestratégico de muito longo prazo, gizado a partir do conhecimento e controlo pelo estado angolano da Região Central das Grandes Nascentes, de modo a antecipar e prevenir a avidez de alguns “privados” dentro e fora do país, que a todo o custo indiciam querer apossar-se das áreas onde estão as nascentes dos principais rios angolanos que lhes podem propiciar imenso lucro e até poder de intervenção discreta e a prazo dilatado!

Há mais áreas, bem no centro geográfico de Angola, onde se poderão instalar novas Reservas e Parques Nacionais, em torno e integrando essas nascentes, algo que o estado angolano deveria estar já a preparar por aquelas mesmas razões geo estratégicas, culturais e ambientais que acima apontei, mas também por que a inteligência nacional investigativa sobre o próprio território precisa urgentemente de ser incrementada, tirando partido da panóplia de polos universitários já instalados!

3 – A continuidade do poder adstrito às influências dos Democratas na África Austral e Central, que com sua inteligência elitista reforça os dispositivos no terreno da hegemonia unipolar, pode levar a evoluções do carácter do poder nacional em toda a metade africana a sul do Sahara, ainda que a terapia do capitalismo neoliberal possa não vir a passar por processos mais radicalizados, típicos das “Revoluções Coloridas”, ou das “Primaveras Árabes”.

Na África do Sul o ANC, que tem sido aliás filtrado pelo “lobby” dos minerais desde logo com Nelson Mandela, comprovadamente não está a satisfazer na sua plenitude esses interesses, também por causa da relativa integração nos BRICS, pelo que tal como no Brasil poderão haver alterações mais dramáticas no carácter do poder num processo que irá influenciar por seu turno as duas regiões e cada um dos seus componentes nacionais (é só constatar os últimos resultados que identificam o ANC em perda).

Em Luanda sentir-se-á uma maior ambiguidade sócio-política norte-americana na medida que, com a manutenção dos Democratas no poder nos Estados Unidos, novos investimentos em áreas como da prospeção e exploração do petróleo, indústria mineira, instituições ligadas ao ambiente, ao turismo e à diversificação económica (inclusive explorando a água interior de Angola) resultarão mais “abertas”, correspondendo aos interesses e conveniências da aristocracia financeira mundial que tutela a hegemonia unipolar, em concorrência com os interesses das emergências multipolares.

Esse esforço angariado pelos Democratas na direção de Angola, pode também continuar a atrair investimentos de países arábicos aliados dos Estados Unidos, na sequência de alguns já existentes, até por que incentivos e conexões arábicas não faltam à família Clinton…

Influenciará também por tabela nas próximas eleições angolanas, uma vez que os Democratas conseguem instrumentalizar e manipular com mais ênfase as suas conexões sócio-políticas, económicas e financeiras, por e para dentro da sociedade angolana, procurando criar mais possibilidades à alternância que favorece o jogo dos seus interesses e inibindo qualquer tipo de alternativas!

Perante uma incrementada e diversificada panóplia de desafios da hegemonia unipolar que em Angola se tem vindo a assistir, a inteligência angolana necessita de ser reforçada no sentido patriótico das questões geo estratégicas, sob pena do país ir ainda mais a reboque dos impactos da terapia neoliberal em prejuízo de sua própria afirmação e identidade!

5 fotos que falam por si: Hillary Clinton enrolada pelos grandes falcões?!

A consultar:
- We Searched Hillary’s Emails & Her Relationship With Rothschild/Rockefeller is Now on Full Display –http://thefreethoughtproject.com/searched-hillarys-emails-indicted-win-presidency/ 
- Rwanda, the Clinton Dynasty and the Case of Dr. Léopold Munyakazi – http://www.globalresearch.ca/rwanda-the-clinton-dynasty-and-the-case-of-dr-leopold-munyakazi/5538635
-  Is Kagame Africa's Lincoln or a tyrant exploiting Rwanda's tragic history? – https://www.theguardian.com/world/2013/may/19/kagame-africa-rwanda
- The US was behind the Rwandan Genocide: Installing a US Protectorate in Central Africa –http://www.globalresearch.ca/the-us-was-behind-the-rwandan-genocide-installing-a-us-protectorate-in-central-africa/18540
- La ASESINA Hillary Clinton: Más sanguinaria y FASCISTA que Donald Trump – https://www.youtube.com/watch?v=v-RWLc9eZzI

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