sábado, 22 de outubro de 2016

EUA ABANDONAM BASE DAS LAJES E PORTUGAL JÁ DECIDIU CEDÊ-LA À CHINA





OS EUA QUEREM A BASE DE BORLA

Beatriz Gamboa, Díli – em 16.10.2016

Já é do domínio público em Portugal que a China vai instalar-se na Base das Lajes, nos Açores, se os EUA a abandonarem por desinteresse estratégico e para seguirem o plano de cortes orçamentais em vigor pela administração norte-americana. Os EUA continuariam naquela base militar se Portugal a oferecessem ou não lhes exigissem as devidas contrapartidas. Como dizem os açoreanos: “os ianques querem a base de borla porque já consideram que é deles.”

Após a liberalização razoável do regime da República Popular da China e o crescimento constante da zona asiática, assim como a expansão da influência da China no mar daquela sua região, os EUA tiveram por preocupação desviar o seu centro de atenções e atividades económicas, políticas e militares para aquela região do mundo a fim de manter o controlo e as influências praticamente exclusivas de antes da abertura da China ao mundo. Pouco tempo depois constatou que a tarefa é quase impossível. A China avança e as suas influências continuam a consolidar-se a vários níveis. Contudo os EUA não desarmam e continuam a perseguir os seus objetivos de controlo da região. Perseguem-nos mas estão a perdê-los para a China.

Considerando as politicas de deslocalização do Oceano Atlântico para o Mar da China e Sudeste da Ásia por parte dos EUA foi delineado nas suas políticas abandonar a Base dos Açores, território de Portugal e ilhas estratégicas no meio do Atlântico, o que provocou o manifesto interesse da China na Base das Lajes, que por muitas décadas foi como que um gigantesco porta-aviões da apoio às forças militares norte-americanas.

Na visita de António Costa, PM de Portugal, à China, ocorrida há poucos dias, a abordagem ao tema da Base das Lajes foi profundo, ficando-se a saber que se os EUA abandonarem o interesse na referida base e a abandonarem, denunciando o contratado, a China irá certamente, com toda a facilidade, firmar acordo para a usar em vez dos EUA, passando assim a poder usufruir do gigantesco porta-aviões que os EUA abandonarão.

“Rei morto, rei posto”, é um velho adágio usado em Portugal. Ou “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti”, outro adágio que podemos aplicar à ganância dos EUA no controlo e ocupação dos mares à beira do território chinês. Assim sendo por que não pode a China ocupar parte importante do Atlântico? Também a legitimidade de Portugal dar uso e rendibilizar a Base das Lajes é inquestionável. Além do mais, as excecionais relações de Portugal e China são evidentes. Muito mais e melhores do que com os EUA, apesar de assim não serem reconhecidas pelos que produzem os jogos de alienação e manipulação das mentes ocidentais.

António Costa, primeiro-ministro do governo de Portugal, fez declarações sobre a Base das Lajes e do interesse manifestado pela China na recente visita que realizou à China. Leia em seguida e tome em consideração a postura das palavras diplomáticas que ocultam boa parte da realidade naquele processo com a administração dos EUA e a indubitável harmonia no entendimento com os dirigentes chineses.

Beatriz Gamboa, TL

Costa admite que China pode vir a usar base das Lajes

António Costa admitiu esta quarta-feira em Macau que a base aérea das Lajes pode ser usada pela China se os Estados Unidos não renovarem o acordo de exclusividade, mas apenas para fins científicos.

O primeiro-ministro português, António Costa, admitiu esta quarta-feira em Macau que a base aérea das Lajes pode ser usada pela China se os Estados Unidos não renovarem o acordo de exclusividade, mas apenas para fins científicos e não militares.

“Temos um acordo com os Estados Unidos, e queremos continuar com esse acordo, mas respeitamos a decisão” dos norte-americanos, disse António Costa numa entrevista difundida hoje pela agência de informação financeira Bloomberg.

“A base nos Açores é muito importante em termos militares, mas também em termos de logística e tecnologia e pesquisa nas águas profundas e de alterações climáticas”, disse António Costa.

Perante a insistência do jornalista da Bloomberg sobre a utilização da base aérea pela China, Costa admitiu: “Claro que é uma boa oportunidade para criar uma plataforma de pesquisa científica e estamos abertos a cooperação com todos os parceiros, incluindo a China”.

O primeiro-ministro, na entrevista que concedeu à Bloomberg em Macau, vincou, no entanto, que “o uso militar da base não está em cima da mesa, o que está em cima da mesa é reutilizar a infraestrutura para fins de pesquisa”.

“Seria uma enorme pena não usar a infraestrutura, e se não para fins militares, porque não para pesquisa científica”, questionou o chefe do Executivo no final da entrevista.

Esta possibilidade já tinha sido admitida pelo congressista lusodescendente Devin Nunes, no final de setembro, como contava a agência Lusa. “Como muitos no Congresso avisaram no passado, vários altos-representantes chineses visitaram os Açores em anos recentes. Sei agora que a China enviou uma delegação de cerca de 20 representantes, todos fluentes em português, numa viagem de pesquisa que durou semanas e que culmina com a visita do primeiro-ministro, Li Keqiang”, revelava Devin Nunes numa carta enviada a Ashton Carter, secretário da Defesa dos Estados Unidos.

Ainda no final de setembro, o órgão de comunicação Politico dava destaque a esta aproximação entre Portugal e China, falando da ameaça que a utilização da Base das Lajes por Pequim poderia representar para os Estados Unidos. O título era paradigmático: “Escala chinesa no Atlântico preocupa Washington”.

O jornal Público recorda, esta quarta-feira, as sucessivas viagens de comitivas chinesas à Base das Lajes. De 2012 até este ano, foram já três as visitas de altos representantes do Estado chinês à ilha Terceira. Primeiro, em 2012, o então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, e uma comitiva de mais de cem pessoas fez uma escala de cinco horas nas Lajes. O mesmo aconteceu em 2014, desta vez com o presidente chinês Xi Jinping, que se reuniu com o então vice-primeiro-ministro português, Paulo Portas.

Este mês foi a vez de Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, receber na ilha Terceira Li Keqiang, primeiro-ministro chinês, que ali fez uma escala de dois dias.

Augusto Santos Silva nunca se pronunciou concretamente sobre o suposto interesse da China nas Lajes. “Eu não sei se há interesse chinês nas Lajes. O que sei é que o único interesse português é que ela seja aproveitada plenamente no quadro do acordo de cooperação e defesa que temos com os Estados Unidos”, disse o ministro, em declarações à Lusa.

Timor Agora com Observador - Miguel Santos / Lusa com foto de Carmo Correia


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