segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O DIABO JÁ CHEGOU? É O TRUMP? É O PASSOS? OU EXISTIRÃO VÁRIOS DIABOS?

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Cadete, o doutor Miguel, diretor-adjunto do Expresso, é quem nos serve hoje a cafeína num Expresso Curto a abrir com Trump – como não podia deixar de ser. Olá, olá. Boa semana é o que se deseja aos escravos que por esta hora já paparam umas quantas horas de trabalho com remuneração digna do termo “quase de borla”. Sim. Ali nos centros comerciais, nas oficinas, na construção civil, nos correios, em todo o comércio e serviços. Enfim, nos locais habituais do exercício do esclavagismo puro e duro.

“Eu vos saúdo, escravos!” Era um termo usado por um personagem do escritor Hans Helmut Kirst num dos seus livros em que se impregnava nas coisas dos tempos hitlerianos do nazi-fascismo.  O personagem era também um dos muitos escravos que trabalhavam nas fábricas de Hitler, onde a força de trabalho era composta por prisioneiros.

E, assim, eu vos saúdo, escravos. Bom dia!

Vejam se ganham consciência de que na realidade são mesmo isso (escravos) e… revoltem-se, ajam. Contribuam para abanar este enormíssimo campo de concentração global.

Adiante, que se faz tarde.

A seguir a este Expresso Curto está publicado um texto de Nicolas J. S. Davies que aborda o “santo nobilíssimo” Obama. Tem por título O LEGADO DE BOMBARDEAMENTOS DEIXADO POR OBAMA. A trampa contra a humanidade legada por Obama vem provar a espécie de sacana criminoso exercida exponencialmente pelo tal tipo bonzinho da treta que até há poucos dias foi presidente dos EUA e do império do mal que aquilo além Atlântico representa. E agora o Tump isto e aquilo, e é mau, e berréu-béu-béu passarinhos ao ninho. Pois é verdade, o Trump é uma bosta de pessoa xenófoba, racista (do Ku klux Klan) e de tudo o pior que existe na qualidade humana… Mas expõe-se, mostra-se, diz ao que vem e aje em conformidade com o que prometeu, só trampa digna de um Trump. Mas o mundo está escandalizado, prefere a hipocrisia de Obama, de Hillary, dos pseudo-democratas… O mundo parece que gosta de ser chacinado e levar no focinho mas que não lhes digam a verdade pura e dura. Ou seja: “vocês estão lixados comigo na presidência dos EUA e do mundo”. Como diz e está a demonstrar fazer Donald Trump.

Adiante com esta Trump(a) e vamos ao título do Expresso Curto cafeínado com bálsamo do tio Balsemão Bilderberg e outras coisitas ao estilo dos Obamas deste mundo. Mas pequeninas. Afinal estamos no Portugal pequenino e dos pequeninos.

Cadete pergunta se “os partidos já não interessam ao povo?”. Baaaaah. Abordar isto, assim, rapidamente, não dá. Mas que se diga ao menos que na maior parte dos partidos se alojam verdadeiras máfias, oportunistas de canudos irregulares, vigaristas, mentirosos compulsivos, servos do “quem dá mais que eu até vendo a alma ao diabo”… Olhem, Passos. O tipo dá-se tão bem com esse tal Diabo que até anuncia a sua vinda por ter conseguido informação em primeira-mão… Afinal parece que esse Diabo apanhou a gripe cruel deste ano e ainda não apareceu. Ou se calhar já cá está mas nem queremos aceitar o facto. E o Diabo é o próprio Passos com o coadjuvante Relvas Doutor da Mula Ruça. Agora com a grande vedeta diabólica Trump a sobrepor-se. Pois.

Ai os mafarricos!!!

Vão para o Curto e leiam. Vale a pena, se não tiverem alma pequena. Bom dia. Façam por isso.

MM / PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Miguel Cadete – Expresso

Os partidos já não interessam ao povo?

Sábado, certo mundo acordou revoltado mas Donald Trump, presidente, continua igualzinho a Donald Trump, o candidato.

Isto é, o que disse no seu discurso de vitória – “chegou o momento para os EUA sararem as feridas que nos dividem” – e o que jurou no dia em que tomou posse – “defenderei a Constituição dos Estados Unidos” – não é, pura e simplesmente, verdade.

O comportamento errático, mas também anti-institucional, autoritário, isolacionista, sem intermediação e em alto contraste com o seu antecessor não terminou no dia em que venceu Hillary Clinton. Veio para ficar. E Trump está disposto a demonstrar que deve pouco ao quadro constitucional que baliza a sua ação e às instituições que devem fiscalizar as suas medidas. É possível que não termine o seu mandato mas até lá…

O diploma que assinou na sexta-feira e que, durante 90 dias, impede e limita a entrada de refugiados com nacionalidade de sete países como o Irão, Iraque, Síria, Líbia, Sudão e Somália e Iémen é um excelente exemplo dessa confusão. A sua escrita levanta dúvidas, os seus objetivos tornam-se impenetráveis, a sua comunicação fez-se de forma obscura e as reações que suscitou criam enorme instabilidade (Marques Mendes dixit). Tudo concorre para a afirmação do poder pessoal de Donald Trump que, no seu melhor estilo, veio garantir que as medidas serão levantadas após o prazo de 90 dias e que têm sido um “êxito massivo”.

Há artistas de todas as extraçõesCEOs de empresas multinacionaissenadoresprocuradores e primeiros-ministros que nas últimas 48 horas reprovaram a sua ação. Nada de novo, afinal. Já tinha sido assim durante a campanha eleitoral. Donald Trump, que perdeu no voto popular mas conquistou o número de colégios suficientes para se instalar na presidência, já tinha gerado as mesmas divisões durante a sua campanha.

Na verdade, Trump foi eleito com enormes dúvidas por parte de do partido conservador norte-americano (apesar de a “Time” dizer que só agora começaram a fugir). Doanld Trump , é público, venceu contra grande parte dos conservadores. E, obviamente, dos democratas.

Da mesma maneira, muito provavelmente, que o Brexit ganhou contra os dois maiores partidos britânicos, derrotando Cameron e Corbyn. Ou que Marcelo Rebelo de Sousa, em Portugal, prescindiu do apoio de qualquer força partidária para avançar.

Em França, Benoît Hanon venceu as primárias do Partido Socialista e irá concorrer contra Marine Le Pen, François Filon e Emmanuel Macron. A esquerda mais à esquerda do PS venceu contra o ex-primeiro-ministro Manuel Valls e nesse movimento abriu espaço a outro candidato, que não é apoiado por qualquer partido. Desastre à vista como sucede em Espanha com o PSOE?

A sondagem que o “Le Figaro” hoje publica dá a vitória na primeira volta das eleições presidenciais francesas, marcadas para 23 de abril, à extrema-direita de Marine Le Pen com 25% dos votos, seguida da direita republicana de François Fillon (afetado nos últimos dias pelo escândalo de ter nomeado a própria mulher) com 22% e Emmanuel Macron com 21%. Benoît Hamon conta com 15% das intenções de voto nesta sondagem produzida durante os dias de quinta e sexta-feira, 26 e 27 de janeiro.

A mesma sondagem diz que Le Pen dificilmente ganhará numa segunda volta e que a verdadeira batalha nos próximos três meses será entre Fillon e Macron.

Emmanuel Macron, 39 anos, trabalhou na banca de investimentos, foi ex-ministro da Economia do governo de Manuel Valls, conselheiro de Hollande e diz que não é candidato de “nem da esquerda nem da direita”. Está atrair votos de todos os quadrantes, sobretudo entre os eleitores mais jovens.

“Aos olhos dos cidadãos, convencidos de que o sistema político está obsoleto, que a alternância não muda nada, Macron tem uma grande qualidade: traz novidade sem radicalismos”, disse ao “Libération” Emmanuel Rivière, da empresa de sondagens Kantar Public, a mesma que produziu a sondagem do Libération.

E acrescentou: «ele chega a todos os segmentos políticos do eleitorado. Entre os simpatizantes da esquerda, a sua intençaõ de voto chega aos 50%, o que é um nível muito elevado. Entre os simpatizantes dos republicanos, ele faz pouco menos com 46%. Estes valores são excecionais”.

As eleições presidenciais francesas são o primeiro teste, entre vários, por que a União Europeia vai passar durante 2017.

OUTRAS NOTÍCIAS

Ataque contra mesquita no Québec faz seis mortos. Na noite de ontem, dois homens dispararam contra os muçulmanos que prestavam culto no Centro Cultural Islâmico. Outras oito pessoas ficaram feridas. Os dois terroristas, é assim que a polícia e o primeiro-ministro estão a tratar o assunto, foram detidos após o ataque.

Moreirense vence a Taça da Liga. Depois de ter eliminado o Benfica, o Moreirense ganhou ao Sporting de Braga por uma bola a zero, o suficiente para que a equipa treinada por Augusto Inácio levantasse o troféu. A equipa de Moreira de Cónegos (4800 habitantes) está em 14º lugar na Liga. A Taça da Liga, em todo o seu historial, conta com vitórias do Benfica (7), Braga, Vitória de Setúbal e, agora, Moreirense.

Livro polémico de Valter Hugo Mãe vai deixar de ser recomendado ao 3º ciclo. É o que se lê na primeira página do “i”, depois da notícia do Expresso de sábado em que se dava conta que pais de alunos do Liceu Pedro Nunes estavam indignados coma recomendação de um livro com linguagem sexual explícita no âmbito do Plano de Leitura Nacional.

Nunca se reformaram tão poucos. É a manchete do “Diário de Notícias” de hoje. Na Função Pública, não só o número de reformas em 2016 é metade daquele que se verificou no ano anterior (nove mil) como o valor da reforma média (932 euros) é o mais baixo desde 1999.

Há mais interessados na compra do Novo Banco. Diz o “Jornal de Negócios” que a britânica Aethel Partners, do português Ricardo Santos Silva, já comunicou o seu interesse na compra do Novo Banco a Sérgio Monteiro. A Aethel já venceu a corrida ao banco Efisa.

Portugal exporta medicamentos. Desde 2010, o valor das exportações de medicamentos duplicou. Os nossos principais clientes são os EUA, Reino Unido e Alemanha. O valor deste comércio, em 2016, ascendeu a 910 milhões.

SNS português é dos melhores. Um ranking europeu coloca o Serviço Nacional de Saúde à frente do inglês e do espanhol. A Holanda lidera, seguida da Suíça, Bélgica e Islândia, pode ler-se na primeira página do “Público”. Portugal está em 14º lugar no Health Consumer Index.

FRASES

“Bruno de Carvalho é uma das maiores garantias que o Benfica pode continuar a ganhar”. Pedro Guerra, comentador desportivo, ao jornal “i”

“É necessária a mudança imediata da política de hoje da União Europeia, da austeridade sem saída”. Prokopios Pavlopoulos, presidente da Grécia, em entrevista ao “Diário de Notícias”.

“Único fator escasso que temos é a confiança que depositam em nós”. João Salgueiro, economista, em entrevista ao “Público”

“Melhoria da economia ainda não chegou aos mais carenciados”. Isabel Jonet, líder do Banco Alimentar, em entrevista ao “Jornal de Negócios”.

O QUE ANDO A LER

O livro de António Araújo publicado ainda antes do Natal, “Da Direita à Esquerda” (Saída de Emergência) começa com um brilhante texto que já tinha lido no blogue Malomil e que se dedica, com um colorido pouco habitual, a explicar como a direita portuguesa se reergueu das cinzas nos anos oitenta. É uma história que envolve Marcelo, Cavaco e os Heróis do Mar mas também “O Independente” e a “Olá” do extinto “Semanário”, os novos empresários e alguns velhos latifundiários.

É, na minha humilde opinião, a melhor prosa destas quase 400 páginas que tentam explicar, com extensas e inúmeras notas de pé de página, que a cultura e a sociedade portuguesa não se dividem tanto entre esquerda e direita mas sim entre as elites e as não elites ou, como se dizia ainda não há muito, entre as elites e o povo.

Quero dizer, dedica-se a expor o compromisso que existe entre direita e esquerda no seio das elites. Ou como as causas ditas fraturantes são, muitas vezes, apenas fogo de artifício que esconde esse consenso.

Entre uns e outros, existe um equilíbrio que Araújo procura trazer à superfície em inúmeros casos, exemplos ou notícias que dão conta da forma como se chegou aqui. A páginas 238 lê-se “quando as condições de vida do Ocidente melhoraram, sendo resgatados da miséria milhões de seres humanos, o mercado da compaixão teve de se transferir para lugares mais recônditos do planeta: na década de 1950, a expressão ‘Terceiro Mundo’ surgia pela pena de um economista francês Alfred Sauvy, nas páginas de um jornal parisiense de grande tiragem.

Nessa época, como hoje, existia um público suficientemente abastado e ilustrado que, tendo satisfeitas as necessidades básicas, estava predisposto e até desejoso de se apiedar e comover perante o sofrimento dos outros. As condições materiais que no século XIX criaram o público burguês que consumia os romances de Dickens ou Zola, repetiam-se no pós-guerra e ganhavam, por assim dizer, um grau crescente de exigência e sofisticação. Daí o motivo pelo qual as gerações do presente sintam muita dificuldade em rever-se nos escritos de Alves Redol ou Soeiro Pereira Gomes, optando pelas fotografias que Sebastião Salgado tirou na Serra pelada ou nos confins da África Negra.”

Que a sedução pela fotografia de Salgado não nos impeça de admirar e entender o que hoje aqui se discute e decide. Ou nos Estados Unidos da América. Ou em França.

Toda a informação será atualizada em permanência no Expresso Online. Logo mais, às 18 horas, conte com o Expresso Diário. Amanhã regressa o Expresso Curto.

Tenha um bom dia.

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2 comentários:

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