sábado, 17 de junho de 2017

MULTIATAQUES | Milícias congolesas fizeram nove ataques à fronteira angolana desde março

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Duas localidades da República Democrática do Congo (RDCongo) vizinhas de Angola continuam nas mãos das milícias de Kamwina Nsapu, tendo as forças de segurança angolanas sofrido nove ataques na fronteira desde que o conflito eclodiu, em março.

A informação foi avançada à agência Lusa pelo superintendente-chefe Inácio Feliciano, comandante da sétima unidade da Polícia de Guarda Fronteiras (PGF) de Angola, que controla uma linha de 490 quilómetros (120 dos quais fluviais) entre a província da Lunda Norte e a RDCongo, precisamente a área onde atuam aquelas milícias.

Num desses ataques, um agente do Serviço de Migração e Estrangeiros angolano foi decapitado pelas milícias - que contestam a autoridade do Governo de Kinshasa decapitando polícias ou militares - no posto de fronteira de Itanda, na Lunda Norte, e de acordo com Inácio Feliciano, alguns elementos das milícias que atacam a fronteira têm sido detidos, encontrando-se sob custódia angolana.

"A situação ainda requer alguns cuidados. Embora na fronteira, neste preciso momento, a segurança seja estável", sublinhou o comandante da sétima unidade da PGF, uma das duas que controla a fronteira da Lunda Norte com a RDCongo.

No total, a PGF contabiliza nove ataques destas milícias nos postos de fronteira.

Segundo a informação na posse das autoridades angolanas, no que diz respeito às zonas de fronteira, apenas as localidades de Kavumbu e de Tshissenge continuam nas mãos das milícias de Kamwina Nsapu, perante o esforço das forças congolesas para reassumirem o controlo.

Inácio Feliciano reconheceu que do outro lado começa a ser "reposta a autoridade do Estado". Isto depois de episódios em que os elementos das próprias forças de segurança congolesas abandonaram os postos por receio das milícias, armadas com paus e catanas, mas também com algumas armas de fogo.

Conotados com rituais de feitiçaria, o suficiente para provocar o pânico em homens e mulheres, estas milícias conseguiram fazer recuar as forças de segurança da RDCongo. Centenas de homens fugiram à decapitação até para o território angolano, como aconteceu no posto aduaneiro de Kamako, na fronteira angolana de Tchissanda, a poucos quilómetros do Dundo, capital da província da Lunda Norte.

"Tivemos incursões das milícias e soubemos como gerir essas situações. Nas nossas fronteiras só registamos duas áreas que ainda estão ocupadas pelas milícias Kamwina Nsapu, mas as forças do Governo congolês estão a fazer a limpeza nas zonas deles e não temos mais motivos de queixa", disse ainda o superintendente-chefe Inácio Feliciano.

Naquele posto de Kamako/Tchissanda, uma área que há várias semanas está encerrada a civis, face à ordem de fecho de fronteiras (com exceção dos refugiados) entre a Lunda Norte e a RDCongo, quatro elementos das forças congolesas patrulham, visivelmente, o local.

Do lado angolano, vários homens da PGF e do Exército, fortemente armados e com trincheiras já escavadas no solo, para todas as eventualidades, garantem tolerância zero a qualquer incursão.

"Como vê, aqui, desse lado, algumas forças já ocuparam a fronteira", explicou o oficial, depois de trocar algumas palavras com os militares e polícias congoleses do outro lado do portão, agora fechado, que ali separa os dois países.

Aquele posto aduaneiro é um dos mais importantes nas relações económicas, culturais e até familiares entre o Kasai e a Lunda Norte. A reabertura das fronteiras, disse o comandante da PGF, está dependente da segurança que vier a ser garantida e comprovada pelas autoridades congolesas.

"Quando as forças restabeleceram a reposição do Estado, então nós vamos verificar a segurança entre os postos de guarda fronteira. Mas, necessariamente, requer ainda cuidado, para abrir a fronteira, porque na troca entre a população angolana e congolesa ainda pode acontecer qualquer coisa", admitiu.

Só a sétima unidade da PGF controla 34 marcos de guarda fronteira delimitando o território angolano com o congolês, conforme divisão ainda do tempo colonial português e belga.

Sem elementos visíveis para facilmente distinguir a linha de fronteira, o superintendente-chefe Inácio Feliciano garantiu que todos os guardas daquela força "têm que saber localizar" no terreno estes pontos.

"Porque é ali onde está a autoridade do Estado, a dizer onde começa e termina a soberania", concluiu.

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