quinta-feira, 7 de junho de 2018

PORTUGAL DAS ELITES | Farinha do mesmo saco, cheiros da mesma fossa

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Hoje não estamos nessa das "lutas". Já demos para todos os peditórios de professores, polícias, militares, senhores(as) da justiça, médicos, funcionários públicos e etc. Já transcrevemos prosas e opinámos sobre as suas lutas de milhares de euros (às vezes imensos milhares). Os desses setores são um problema do país, do governo, do Estado - que somos todos nós... pagantes, explorados e quilhados. Não, nem por sombras vamos hoje dar mais atenção a essas profissões e problemas laborais/financeiros.

Então e os pedreiros e serventes da construção civil são problema? E os pintores, os carpinteiros, os canalizadores, os eletricistas, os da “ferrugem”, os mecânicos, os da limpeza das fossas, os varredores, os operários fabris, os mandaretes, os empregados dos cafés, das pizarias, dos hamburgers, dos centros comerciais, de supermercados, os barbeiros, as cabeleireiras… Todos de um rol imenso que trabalham horas a mais, para patrões que não cumprem a legalidade, e recebem salários de miséria… Esses tais que nos fazem as casas, as pontes, as estradas, o país, nos servem almoços, cafés, cervejas, pizas, carapaus fritos, tapas, vinhos… Esses e essas que nos limpam as casas, cuidam dos nossos filhos, reparam as máquinas e outros utensílios domésticos, reparam automóveis, fazem os ganchos sem horário de trabalho… Tantos desses que sobrevivem em barracas ou casas muito degradadas… Esses, essas, são um problema? Vimos na Assembleia da República tanta chinfrineira a favor ou contra esses e essas? Não! Ah! Mas dos doutores e dos 'dótores', de outros mais ou menos de colarinhos brancos e/ou engravatados já vimos e ouvimos. É esta, aproximadamente (há mais), a diferença entre os tais “importantes” e os da ralé. Os tais que são o povo anónimo e miserável, na penúria, uma “coleção” de milhões – alguns com fome e sem casa – que afinal acaba sempre por ser abandonada/ignorada apesar de produzir a maior fatia da riqueza que dá para uns quantos, poucos, acumularem fortunas e comprar os ingredientes e os vendidos dos lobies que posteriormente legislam de acordo com os seus interesses pessoais e empresariais. A ralé que se lixe. Essa é a “democrática” forma do esclavagismo moderno. Pensando bem, observando a atualidade com olhos de ver e discernimento a realidade é essa.

Por hoje basta. Fica a certeza aos plebeus, aos que produzem a riqueza e são escravizados, que estas elites e servidores das eleites são quase todos farinha do mesmo saco e cheiros da mesma fossa.

Bom dia, que é como quem diz... (CT | PG)

Bom dia este é o seu Expresso Curto

O que nós não sabemos sobre os professores, o orçamento e as eleições

Miguel Cadete | Expresso

Logo agora, quando tudo estava a ir tão bem, levantou-se uma tempestade entre os professores e o Governo a propósito do descongelamento das carreiras. Ou seja, sobre as remunerações dos professores, que há mais de nove anos não conhecem atualização.

O Governo deu o dito por não dito e, pela voz do primeiro-ministro, foi ao Parlamento dizer que afinal “não há dinheiro”para cumprir a promessa de pagar integralmente o que falta aos professores desde que, no último Governo de José Sócrates, ficou decidido por maioria que não havia condições para mexer nos seus salários. Os sindicatos retorquiram e ameaçaram com um calendário de greves que inclui as provas de avaliação, o primeiro dia de aulas do próximo ano lectivo e o Dia do Professor.

As negociações prosseguem na próxima semana mas é muito o que, por ora, separa as duas partes – cerca de 400 milhões de euros a mais no Orçamento do Estado, todos os anos.

Ou não será assim?

É que os 600 milhões de euros adiantados por António Costa na Assembleia da República, quando referiu o custo do descongelamento das carreiras dos professores nos últimos nove anos, quatro meses e dois dias, são disputados por Mário Nogueira, líder intemporal dos sindicatos dos professores. É uma informação que também ela está por confirmar, sobre a qual o secretário-geral da Fenprof diz não ter “a mínima ideia” por exigir dados de que apenas o executivo dispõe. Já na SIC Notícias, ontem à noite, António Leitão Amaro, deputado da bancada do PSD, em debate com Mariana Mortágua do BE, garantiu que esses 600 milhões são falsos como aliás comprovam documentos assinados pelo próprio Governo. Ou seja, não sabemos. Mesmo que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tenha, mais tarde, vindo a explicitar serem 635 milhões. Só que não contou com o faseamento das progressões e, por isso, continuamos sem saber.

Quem também concorda que não sabemos é João Vieira Pereira, diretor-adjunto do Expresso, que escreveu no Expresso Diário que este Governo possui informação, provavelmente catastrófica, sobre as contas do Estado que o impedem de cumprir o acordo estabelecido com os professores. “A desaceleração da economia é uma realidade, a subida dos juros também. Fatores que trazem menos receitas e mais despesa e uma pressão sobre as contas públicas que vai revelar que a magia de Costa e Centeno, afinal, era um espécie de nevoeiro amigo que veio de fora para nos ajudar a não ver que nada mudou de estrutural na contas públicas”. Ou seja, há neblina e não sabemos. Neste caso não sabemos se o barco está prestes a encalhar devido às finanças.

E, finalmente, não sabemos também se esta crispação inédita não fará parte de uma estratégia do Governotendo em vista umas próximas eleições e a conquista de uma maioria absoluta que o livrasse da geringonça. Francisco Louçã, em artigo de opinião também publicado no Expresso Diário, acha que sim. Mas quanto valem os professores em votos? Não sabemos! Mas sabe-se que – contas feitas por Nuno Garoupa em vários artigos e intervenções – o PSD precisa urgentemente de se reaproximar dos abstencionistas que perdeu e que o PS só será maioria absoluta caso o Governo mantenha uma popularidade que agora parece poder evaporar-se.

OUTRAS NOTÍCIAS

Fernando Mendes detido. O ex-líder da Juventude Leonina, que esteve reconhecidamente na invasão à Academia de Alcochete enquanto a esquipa do Sporting estava concentrada, foi ontem detido por volta das 22 horas. Outras três pessoas tiveram o mesmo destino, entre elas Nuno Torres, o condutor do automóvel que, sem se saber como, saiu da Academia sem ser intercetado pelas forças policiais.

IGAI investiga presença da extrema-direita nas polícias. É a manchete do “Público” que hoje publica uma entrevista a Margarida Blasco, a polícia das polícias, onde diz que não irá pactuar com comportamentos racistas por parte das forças policiais. Há queixas que estão a ser investigadas.

Projecto para o Jamor alvo de buscas. O enorme projecto imobiliário para a antiga fábrica da Lusalite, no concelho de Oeiras, está sob suspeita. Corrupção, tráfico de influências, participação em negócio e abuso de poder ensombram a tentativa de construir na zona oito novos edifícios, entre os quais três torres, que obrigam ao rebaixamento da linha de comboios e da estrada Marginal. O projecto é da responsabilidade do Grupo Sil e a Câmara Municipal diz ser completamente alheia aos factos relacionados com o Dubai do Jamor.

Preço das casas cresce muito mais rapidamente do que o rendimento per capita. O Banco de Portugal, no entanto, relativiza a questão: a sobrevalorização é apenas ligeira. Lisboa e Porto são os casos mais notórios mas a bolha alastrou a todo o país. O retrato do mercado imobiliário é feito por João Silvestre, ontem, no Expresso Diário.

Já o “Jornal de Negócios” sublinha, a propósito do mesmo relatório, que os juros do BCE vão ajudar a travar p preço das casas.

NOS Primavera Sound começa hoje. A época dos festivais conhece esta noite o seu tiro de partida. Toda a informação útil sobre o festival que traz Nick Cave de volta a Portugal está na BLITZ. Lorde sobe hoje ao palco, amanhã é dia de Ae$ap Rocky e no sábado chega, ele próprio, Nick Cave que ontem atuou em Dublin. O alinhamento do concerto proposto pelo cantor de “Into My Arms”, que começou esta digressão há três concertos atrás, está a crescer. No Parque da Cidade não irá desiludir neófitos nem os fãs de sempre.

Benfica passa 1,9 milhões de euros para empresa informática. Alerta de banco levou a Polícia Judiciária a buscas na SAD do Benfica e na Benfica Estádio SA, lê-se na manchete do “Jornal de Notícias”. A transferência de tão avultado montante e o posterior levantamento desse valor em notas causou suspeita. O Benfica disse que se tratava de calúnia mas a Procuradoria desmentiu.

No Sporting, diz o “Jornal de Negócios”, não há emissão obrigacionista enquanto se mantiver a instabilidade. O prospecto não será aprovado pela CMVM.

FRASES

“Não me demito”. Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, em conferência de imprensa

“Quem manda no Sporting são os sócios, não é Bruno de Carvalho”. Miguel Poiares Maduro, académico, ex-ministro, no “Diário de Notícias”

“Estou disponível para dar o meu contributo para a reorganização do Montepio”. João da Costa Pinto, economista, no jornal “i”

“Ação das fundações devia ser cada vez mais europeia”. Rui Vilar, presidente da administração da CGD, ao “Diário de Notícias”

O QUE ANDO A VER

Está atualmente em exibição, no British Museum de Londres, uma notável mostra da obra de Auguste Rodin, escultor celebrado pela França onde nasceu e pelo resto do mundo. Na verdade, a exposição não é apenas sobre o trabalho de Rodin - que tem obras por todos conhecidas como “O Pensador” ou “O Beijo” além de um programa megalómano que intitulou “Portas do Inferno” – dedicando-se sim a demonstrar a importância e a influência que as esculturas do Partenon (mas também a “Divina Comédia” de Dante) tiveram na sua produção.

O próprio Rodin era colecionador de esculturas da antiguidade, tendo passado largas temporadas na capital inglesa - instalando-se à beira do British Museum - somente para apreciar os mármores vindos de Atenas muito provavelmente da autoria ou responsabilidade de Fídias, o mais célebre escultor da Grécia Antiga.

A exposição, que estará patente até 29 de julho, conheceu uma renovada atualidade quando há poucos dias o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, voltou a defender o regresso do chamados "Mármores de Elgin” à Grécia. Em entrevista ao jornal grego “Ta Nea”, Corbyn garantiu que, caso fosse eleito em 2022, as esculturas do Partenon iriam regressar à sua proveniêncialevantando de novo uma controvérsia que tem em Amal Clooney uma das suas maiores advogadas.

Mal contada, a história diz que cerca de um quarto das esculturas que guarneciam a magnífica Acrópole foram trazidas pelo embaixador de Inglaterra, Lord Elgin, quando a Grécia estava sob o jugo do Império Otomano. As esculturas serviriam para embelezar a sua mansão na Escócia mas em 1816 foram vendidas ao Governo britânico, estando expostas no British Museum desde 1817.

Os gregos pedem a sua devolução desde 1836, quando se tornaram independente do Império Otomano, e ainda na semana passada a UNESCO pediu ao Reino Unido para entrar em conversações com a Grécia sobre este tema. A suceder, esta devolução levaria a muitas outras – o próprio British Museum está carregado de obras do Antigo Egipto e muitas outras, em muitos outros museus, são de proveniência duvidosa.

Em Portugal, são conhecidos os saques perpetuados pelas tropas às ordens de Napoleão, também durante o século XIX. E uma decisão nesse sentido traia certamente repercussões de grande dimensão mesmo para um pequeno país. Corbyn seria, então, o grande defensor do património?

Fico por aqui. Toda a informação é atualizada em permanência no Expresso Online. Às 16 horas chega o Expresso Diário. Amanhã estará por cá a Cristina Figueiredo para servir mais um Expresso Curto. Tenha um bom dia.
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